terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Prestando contas

Se já era complicado postar aqui, na última semana a tarefa se tornou realmente difícil. Estou, junto com a colega Rosane Felthaus, substituindo o colunista Jefferson Saavedra. Preencher aquelas duas páginas diárias não tem sido fácil, mas é um bocado divertido também. Complica um pouco o fato de que não estou completamente livre da pauta diária. Mas isso também pode ter um lado positivo. A matéria especial publicada no último domingo, por exemplo.

Escrevi sobre a divisão da Câmara de Joinville e a primeira vez em 20 anos que um prefeito da cidade vai começar a gestão em minoria. Gosto muito de fazer essas matérias que envolvem pesquisa histórica, visitas ao arquivo do jornal e muita conversa com quem viveu aqueles cenários. Na correria que foi, gostei do resultado. A arte de Pablo Mayer valorizou muito o material. Vejam como ficaram as duas páginas casadas.

















Para abrir as páginas em um tamanho que dê para ler, clique nas imagens menores abaixo ou vá direto neste link.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Resposta ao Geraldo

Um leitor chamado Geraldo comentou o post anterior, em que falei sobre as ações do prefeito João Paulo Kleinubing (DEM) após a enchente em Blumenau. No texto, escrito no dia seguinte, eu dizia que ainda não tinha visto Kleinubing. Se eu mantivesse esse blog atualizado como gostaria, já teria feito outro texto dizendo que o prefeito de Blumenau pode ser o fato novo na eleição para o governo estadual em 2010. Entre tantos candidatos que não empolgam nem a própria militância, não seria surpresa. Mas, para isso, precisa reconstruir a cidade. Ou convencer os catarinenses de que fez isso.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O messias não chegou

A enchente de 1983 destacou a figura do então governador Esperidião Amin, eleito no ano anterior, para a política nacional. Jovem, Amin participou pessoalmente de operações de salvamento e chamou a atenção, a ponto de ter a atuação no episódio lembrada até hoje. 

Até momento, a enchente de 2008 não tem personagem político. Lula demorou a vir, Luiz Henrique parece em se preocupa mais em acalmar os turistas, os pré-candidatos ao governo estadual discursam com os pés limpos. Quem ninguém leia nessa frase uma crítica ou no parágrafo anterior um elogio.

Nada seria mais patético que o governador, já em idade avançada, de galochas ajudando a Defesa Civil em Blumenau. A atuação de Amin em 83 pode ser vista como a de um governante preocupado com o seu povo ou a de um populista querendo visibilidade. Escolham pelas cores que preferirem.

O post é só uma constatação de que nenhum político conseguiu "capitalizar" o desastre, por assim dizer. A menos de dois anos de uma eleição que apresenta cinco candidatos que não entusiasmam, talvez fosse a última chance para um fato novo. Talvez um jovem prefeito de cidade fortemente atingida pela tragédia, recém reeleito em primeiro turno com maioria esmagadora, com os pés sujos de barro. 

Alguém viu João Paulo Kleinünbing?  


Momento 1: Amin ajuda grávida em 1983 (roubada do blog do Carlos Damiao).

Momento 2: Lula vê a enchente quatro dias depois e se supreende quando LHS diz que a água baixou.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A sucessão de Júlio e os Brutus

Passadas as eleições municipais, as atenções se voltam para a disputa pela presidência da Assembléia Legislativa. Como o deputado Júlio Garcia (DEM) não tem direito a reeleição, os tempos de tranqüilidade, candidatura única e candidato eleito com os votos dos 40 parlamentares, devem chegar ao fim.

Já são dois os postulantes. O primeiro a colocar o nome na praça foi Rogério "Peninha" Mendonça (PMDB), que se declarou candidato a candidato ainda no final do ano passado. Ela não nega o sonho desde a última eleição da mesa diretoria, quando insistia em assumir a vice-presidência, mas acabou com a 1º Secretaria - estrategicamente mais importante para o PMDB por controlar o fluxo dos projetos na Casa.

O primeiro adversário de Peninha não precisaria nem ter o nome citado. É Jorginho Mello (PSDB), que já tentou a presidência por duas vezes e acabou derrotado sempre em decisões apertadas e cheias de puladas de cerca. Vai para a briga de novo. Deve enfrentar Gilmar Knaesel (PSDB) dentro da bancada, se o atual secretário de Turismo, ex-presidente da AL, confirmar a disposição de voltar para o plenário.

Em uma disputa apertada, os 13 votos da oposição podem finalmente fazer a diferença em alguma coisa nessa legislatura. Para onde eles vão? Por enquanto, a intenção da turma é evitar um presidente do PMDB ou do PSDB, privilegiando o DEM na sucessão. A primeira oficial é clara: evitar que o governador e o presidente do AL sejam do mesmo partido. Luiz Henrique (PMDB) continua no cargo até abril de 2010, quando renuncia para concorrer ao Senado e o vice Leonel Pavan (PSDB) assume. Assim, o governista DEM manteria um certo equilíbrio da relação Executivo/Legislativo. Nas entrelinhas do discurso, a vontade mesmo é provocar cobiça e mais fissuras na tríplice aliança, é claro.

A maior dificuldade dos oposicionistas é achar no DEM outro Júlio Garcia. Alguém discreto no comando e disposto a partilhar o poder com todas as bancadas. Daí deve surgir um novo movimento "queremista". Antes da campanha eleitoral, Kennedy Nunes (PP) chegou a esboçar uma mudança constitucional para permitir a reeleição de Garcia. Agora, a pergunta é se haveria tempo para isso. E se Garcia não estaria mais interessado em uma vaga no Tribunal de Contas.

De volta

Depois da divertida experiência no blog Confirma, que cobriu os bastidores da campanha do segundo turno em Joinville, volto minha atenção para cá. Espero conseguir manter a atualização freqüente.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Pausa e blog novo

O blog anda meio parado e vai continuar assim até o final do mês. Durante todo o segundo turno eu e meus colegas de editoria de política do AN em Joinville vamos tocar outro blog, dentro do portal do jornal. Assim, os bastidores, pitacos e as notícias que não cabem em A Notícia vão ficar por lá até novembro.

O endereço é www.an.com.br/confirma.

Até a volta, que será cheia de novidades...


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Duelo

Dário Berger e Esperidião Amin se enfrentam no segundo turno de Florianópolis. Que sejam feitos debates e que eles sejam assim:


segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A pesquisa Vox Populi

Um dos fatos novos da reta final da campanha eleitoral em Joinville é a pesquisa Vox Populi que mostra Carlito Merss (PT) à frente de Darci de Matos (DEM). Ela foi apresentada parcialmente pelo jornal Gazeta de Joinville e no horário eleitoral do PT e gerou uma pergunta - principalmente entre conhecidos radialistas do município: que pesquisa é essa?

Bem, a pesquisa foi contratada pelo PT nacional, que colocou Joinville no meio de uma série de cidades consideradas estratégicas nessas eleições. Embora só tenham sido divulgados os resultados da simulação de primeiro turno, da expectativa de vitória e da aprovação de Lula, LHS e Tabeldi, a pesquisa é bem ampla.

Seguem os números.

1 - Intenção de votos espontânea:

Carlito - 21%
Darci - 16%
Kennedy - 10%
Mariani - 10%
Rodrigo - 3%
Novaes - 1%
Ninguém/Branco/Nulo - 2%
Não sabe/Não respondeu - 37%

2 - Intenção de votos estimulada:

Carlito - 29%
Darci - 23%
Kennedy - 15%
Mariani - 14%
Rodrigo - 4%
Novaes - 1%
Castro - 0%
Ninguém/Branco/Nulo - 2%
Não sabe/Não respondeu - 12%


3 - Segundo turno entre Carlito e Darci

Darci - 42%
Carlito - 42%
Ninguém/Branco/Nulo - 7%
Não sabe/Não respondeu - 9%


4 - Rejeição

Carlito - 21%
Mariani - 12%
Kennedy - 11%
Darci - 10%
Castro - 8%
Rodrigo - 6%
Novaes - 6%
Votaria em qualquer um - 8%
Não votaria em nenhum - 1%

5 - Essa é curiosa. O instituto perguntou: "Para você, Joinville precisa de um prefeito que depois de eleito:"

- Continue com todas as políticas da atual administração - 4%
- Continue com a maioria e mude algumas - 40%
- Mude a maioria e continue algumas - 36%
- Mude todas as políticas da atual administração - 16%
- Não sabe/Não respondeu - 4%


A Vox Populi ouviu 800 pessoas entre os dias 16 e 18 de setembro e a margem de erro é de 3,5 pontos percentuais. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o numero 479/2008.

Baixe a íntegra da pesquisa, que tem muito mais perguntas e a explicação da metodologia. (atualização: não consegui linkar o arquivo pdf da pesquisa. Se alguém quiser, peça por e-mail - upiara@gmail.com)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Xenófobos e xenófilos

Na falta de polêmica maior, a discussão em voga na eleição joinvilense é uma não-polêmica. Rodrigo Bornholdt (PDT) chama Mauro Mariani (PMDB) de "forasteiro", que sente o golpe e o chama de "xenófobo". Era óbvio que assim que começasse a crescer nas pesquisas, Mariani seria alvejado em seu maior calcanhar de aquiles - a falta de identidade com a cidade.

Também era óbvio que esse ataque não viria nem de Darci de Matos (DEM), nem de Carlito Merss (PT). Favoritos para a disputa do segundo turno, ambos contam com o apoio do PMDB para vencer a eleição. Mas, certamente, devem ter ficado satisfeitos com as estocadas de Rodrigo contra o ascendente peemedebista. O papel de franco-atirador serve no pedetista. Renegado como candidato preferencial pelo PMDB e pelo padrinho Luiz Henrique, Rodrigo deve ter como questão pessoal ficar à frente de Mariani.

Ou seja, tudo dentro do scrip.

O que não dá pra entender é a indignação dos peemedebistas. Se é certo que Joinville é uma cidade que deve muito a seus imigrantes, não há registro na história recente de que um deles tenha tentado governar o município um ano depois de chegar por aqui. Mas o novo herdeiro político de Luiz Henrique mostra que já aprendeu a lição com o padrinho: diante de um questionamento incômodo é só se fazer de indignado e citar a ditadura. Costuma funcionar.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Déjà vu

Envolvido até o pescoço no manguezal revelado pela Operação Moeda Verde, o empresário Fernando Marcondes de Matos foi novamente preso preventivamente por uma operação da PF. Dessa vez, a irregularidades tem como cenário Biguaçu, onde está sediada a Inplac, empresa de Matos. Abaixo, reproduzo um texto que escrevi sobre Marcondes de Matos na época da Moeda Verde, quando vazaram gravações sobre o lobby feito por ele para a aprovação da Lei dos Hotéis. Para quem acha que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, grifei uma frase do texto - originalmente publicado em A Notícia.

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O poder e a influência do empresário Fernando Marcondes de Mattos no poder público municipal ficam explícitos nas conversas telefônicas gravadas pela PF e incluídas no relatório enviado à CPI que investiga a Moeda Verde. No documento, o empresário não tem dúvidas em acionar os vereadores cassados Juarez Silveira (sem partido) e Marcílio Ávila (PMDB) para pressionar pela aprovação de lei, em transações com a prefeitura e até para agilizar a colocação de postes em seu principal empreendimento - o Costão do Santinho. 

Marcondes de Mattos chegou a ser preso no dia 3 de maio quando foi desencadeada a Operação Moeda Verde, incluído entre os 22 empresários, políticos e funcionários públicos que tiveram a prisão temporária solicitada pelo juiz Zenildo Bodnar, juiz da Vara Federal de Florianópolis. A justificativa era influência o poder de pressão do empresário em órgãos do governo do Estado, como a Fatma. Foi solto no dia seguinte e à noite foi recebido pelo governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) para um jantar de desagravo. Em junho lançou sua biografia, entitulada "A saga de um visionário", em um evento que contou com boa parte das personalidades políticas do Estado. Além do empreendimento hoteleiro, ele também é proprietário da indústria de plásticos Inplac, localizada em Biguaçu, na Grande Florianópolis e chegou a ocupar cargos públicos como o de secretário da Fazenda, no governo Paulo Afonso Vieira (PMDB).

Nas gravações, a influência e o poder ficam registrada na prática. Mattos não tem receio em ligar para Juarez Silveira atrás de soluções para os mais diversos problemas. Para a aprovação da lei do incentivo aos hotéis, além do esforço do vereador cassado, ele contou com o auxílio do procurador-geral da Assembléia Legislativa Michel Curi, ex-vereador, e com a complacência do prefeito Dário Berger - que declara ao próprio Curi a vontade de "atender o doutor Marcondes".
O empenho de Marcílio Ávila na aprovação da mesma lei foi recompensado com o com o apoio do empresário para a ocupar a presidência da Santur, cargo que assumiu em janeiro. A participação do empresário na nomeação fica clara no relatório quando Silveira diz para Ávila que quem vai "bater o matelo" sobre a indicação é o empresário e o secretário de Cultura, Turismo e Esporte Gilmar Knaesel (PSDB).

Segundo Juarez Silveira, nas gravações, o empresário teria doado R$ 500 mil para Dário Berger (PSDB) durante a campanha eleitoral de 2006. Na época, o prefeito se licenciou do cargo para instalar em Florianópolis o comitê da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência da República e fazer campanha pelo irmão Djalma Berger (PSDB) - que disputou e ganhou uma vaga na Câmara dos Deputados. O deputado nega a doação e Marcondes de Mattos apenas admite a doação de R$ 100 mil para a campanha de Luiz Henrique à reeleição.

Problemas corriqueiros como a visita de um fiscal da prefeitura ou a colocação de postes de energia elétrica no Costão do Santinho também contavam com o auxílio de Silveira, que procurava os agentes públicos envolvidos para intermediar as questões. O vereador cassado demostrava a postura que, em sua defesa no processo de cassação denominou "office-boy de luxo". Postura que Silveira deixava clara para Mattos nas conversas. "Tu sabe que pra ti eu faço qualquer coisa", disse o vereador cassado em uma das conversas interceptadas.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Estaca zero, mesmo

Quando foi determinado que o processo de cassação do governador Luiz Henrique da Silveira (Pmdb) fosse reiniciado para que o vice, Leonel Pavan (Psdb), fosse citado, um debate - entre muitos - começou. O processo havia ou não voltado à estaca zero? 

Para os governistas era claro. Como o voto dos ministros pode ser alterado e uma nova defesa seria apresentada, nada garantia que o placar - que apontava 3 a 0 contra LHS - seria obrigatoriamente mantido. Os oposicionistas alegavam que o acórdão não invalidava os votos dados.

Agora, pode-se dizer tranquilamente que o jogo está novamente zero a zero. Os três ministros que que votarem pela cassação do governador estão fora do TSE. A despedida de Gerardo Grossi já havia se dado no dia em que o tribunal votou pela citação de Pavan. Em seguida, foi a vez de José Delgado, o relator do processo que, em sua argumentação, fundamentou o voto pela cassação.

Hoje, surge a notícia de que se despede Ari Pargendler. Ele foi o ministro que pediu vista ao parecer de Delgado e, oito meses depois, deu um voto ainda mais incisivo pela cassação. Com isso, o processo - com outro relator, o ministro Felix Fischer - será analisado por um grupo de ministros bem diferente do de fevereiro.

Não que as coisas tenham melhorado muito para os governistas. Na época, Marcelo Ribeiro e Carlos Ayres Britto deram indicativos de que também teria votado pela cassação. Britto, inclusive, era contra a citação de Pavan e foi veemente na argumentação que derrubou a tentativa de Marco Aurélio Mello, então presidente do TSE, de arquivar a ação. 

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

No reino animal

A fábula é bastante conhecida e muito citada. Cansados dos contínuos ataques do gato, os ratos fazem uma assembléia para encontrar uma forma de dar fim àquele tormento. A idéia mais aplaudida é a do rato que sugere pendurar uma sineta no pescoço do felino de forma que todos o ouçam quando ele se aproximar. Festa entre os ratos, idéia genial, etc. Até que um deles, mais pragmático, pergunta: quem pendura a sineta no pescoço do gato?

Da forma que é contada, história sempre acaba aí - deixando implícia a moral de que uma idéia só é boa se puder ser colocada em prática. No entanto, se a fábula se passasse em Joinville, teria final diferente. Sete ratos disputariam no voto o direito de pendurar a sineta no pescoço do gato. São eles:

R-11
"É muito rato apadrinhado. Com o queijo que dão para eles dava para fazer sete sinetas e pendurar em sete gatos."

R-12
"Eu tava com a antiga turma que ia pendurar a sineta no gato, mas me deixaram de lado porque sou jovem e dinâmico. Com o voto de vocês, vou fazer uma revolução e tirar esse gato do caminho"

R-13
"Companheiros ratos. Peço mais uma chance de livrar a todos desse gato. É a quinta vez que peço e dessa vez não estou sozinho. Com ajuda do presidente Lula já tenho garantido o financiamento da sineta, dentro do PAC. "

R-15
(fica em silêncio, quem fala é outro, mais velho, de bigodes mais destacados) "Você me conhece e sabe o quanto gosto daqui. Meu amigo já espantou os gatos lá de onde ele morava e tem me ajudado a acabar com os felinos por toooda santa catarina. Pra acabar com o gatos, é 15. E o 15 agora é ele". O primeiro finalmente fala: "vamos pendurar juntos".

R-16
"O gato é o imperialismo capitalista. Só um governo formado por ratos trabalhadores pode dar fim a esse esquema perverso de exploração. Sineta? Que sineta?"

R-25
"Ajudei em todas as tentativas de colocar a sineta no gato nos últimos 20 anos e agora chegou a minha vez de comandar. Tenho a experiência das vezes em que quase deu certo e garanto que daqui quatro anos todos os gatos que aparecerem estarão com sineta no pescoço"

R-43
"Vocês não me conhecem, mas eu conheço a solução de todos os problemas. Sineta é pouco. O que precisamos é de uma coleira eletrônica com oito alarmes e gps, para ter sempre a exata posiçao do gato. É possível, basta conhecer as minhas idéias".

Em outubro saberemos quem vai cuidar do gato e dos ratos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

"O peixe tinha seis metros, te juro"

Na estréia do horário eleitoral gratuito, Mauro Mariani (Pmdb) abriu alas para seu maior cabo eleitoral: o governador Luiz Henrique (Pmdb). Com depoimentos diferentes no programa da tarde e no da noite, o governador ocupou a maior parte do programa do peemedebista com a ingrata missão de fazer decolar uma candidatura que patina abaixo dos 5% de intenção de votos.

Luiz Henrique fez questão de dizer que o 15 agora é de Mariani e comparou o candidato a ele mesmo e ao ex-governador Pedro Ivo, até hoje referência do partido na cidade. Para motivar a militância, LHS lembrou a eleição para o governo do estado em 2002, quando desbancou o favorito Esperidião Amin (Pp).

Foi aí que se empolgou. Disse que no começo daquela eleição contavam com apenas 6% dos votos e, mesmo assim, acabou eleito.

Uma pesquisa no arquivo do AN e outra no do Ibope mostram que não foi bem assim.

No mesmo estágio da campanha atual, em 18 de agosto de 2002, o AN publicava pesquisa encomendada ao Brasmarket que colocava Amin com 48% e LHS com 23%. Fritsch (Pt) aparecia distante com 10%.

Dois meses antes, o Ibope realizou a primeira pesquisa em Santa Catarina. Os números eram semelhantes: Amin 50%, LHS 21% e Fristch 6%.

Nas urnas, em outubro, Amin ficou na frente com vantagem menor que a esperada, alcançando cerca de 40%. Luiz Henrique disputou voto a voto com Fritsch a vaga no segundo turno - 29% a 27%. No segundo turno, o peemedebista venceu por cerca de 20 mil votos de diferença e foi eleito governador.

Uma virada épica, com certeza. LHS não precisava exagerar.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Vai continuar assim?

O Tribunal de Justiça condenou o senador Raimundo Colombo (DEM) e o prefeito de Lages Renato Nunes (PP) a uma multa de R$ 20 mil em favor do mendigo Sebastião de Jesus por danos morais. A condenação é resultado da campanha de ambos a prefeito e vice de Lages em 2000.

Um folheto da chapa que reunia Colombo e Renatinho trazia a imagem de Jesus com uma pequena tarja sobre o rosto e as palavras "desalento", "desânimo", "desleixo" e "desrespeito", além da frase "Você vai deixar que Lages continue assim?". Jesus é deficiente físico e foi personagem de duas reportagens em um jornal local sobre o crescimento do número de pedintes na Serra catarinense.

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Quando as campanhas eleitorais descem ao nível mais rasteiro, esse tipo de coisa tende a acontecer. Mas o que chama atenção são as mudanças na política de Lages nesses oito anos.

- Renato Nunes herdou a prefeitura após a renúncia de Colobo, em 2006, para concorrer e vencer a disputa pelo Senado.

- Colombo passou a integrar o grupo político que apoia o governo Luiz Henrique (PMDB).

- Nunes segue no PP e é candidato à reeleição.

- Colombo indicou o vice para a chapa do ex-prefeito e deputado federal Fernando Coruja (PPS)

- Quem respondia pela administração de Lages em 2000 era Decio da Fonseca Ribeiro. O culpado - segundo Colombo - pelo então "desalento", "desânimo", "desleixo" e "desrespeito", era sucessor de Coruja e integrante do mesmo grupo político.

Moral da história: As duas maiores lideranças de Lages estão no mesmo barco após mais de uma década de disputa e o mendigo agora tem R$ 20 mil no bolso. Depois dizem que o povo não ganha nada com o bate-boca eleitoral.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O primeiro debate

Foi bem interessante o primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de Joinville, trasmitido e realizado ontem pela TVBV. A tradição da Band (seguida pelas afiliadas) de fazer sempre o primeiro confronto acaba fazendo com que os debates da emissora sirvam de teste para todos os outros encontro. Hora de ver o que funciona ou não, de correr poucos riscos.

Nesse sentido, Darci de Matos (Dem) surpreendeu ao fazer a primeira pergunta justamente para o principal adversário, Carlito Merss (Pt). Geralmente quem lidera as pesquisas foge do confronto. Mas o candidato demista parecia nervoso demais e gastou a chance alfinetar o petista com uma pergunta boba. "Explique porque o senhor só enaltece os problemas de Joinville?". Darci tentou levar para o debate a pecha de que ele não gosta da cidade que pretende governar - que talvez funcione nas ruas ou nos almoços partidários, mas nunca em rede estadual.

Foi a chance que Carlito - até então tímido - teve para falar de todas as ações que beneficiaram Joinville nos seus três mandatos como deputado e falar aquelas frases de político profissional, no estilo "amo essa cidade que me acolheu", "posso fazer muito mais como prefeito", etc. Na réplica, Darci insistiu e disse que Carlito não conhece bem a cidade porque fica muito em Brasília - e que deve permanecer por lá, por ser um "deputado razoável". Na tréplica, outra cortada petista.

Constrangedor.

Mais cauteloso, Mauro Mariani (Pmdb) tentou jogar o debate para a questão da saúde, apontada pelas pesquisas internas como área de maior insatisfação entre os joinvilenses e que deve ser o principal tema de sua campanha. Pediu a Rogério Novaes (Pv) que falasse sobre o assunto. O candidato verde foi a surpresa do debate. Desenvolto, claro nas propostas, falou sobre a necessidade de construir um hospital na zona sul e outro na zona norte, criando 400 leitos, e de terminar o Pronto-Atendimento do bairro Aventureiro. Deixou Mariani sem ter o que falar na réplica. O peemedebista limitou-se a ressaltar a presença do doutor Xuxo (José Aluísio Vieira, do Pps) como vice da chapa e falar na ampliação do Programa Saúde da Família.

A bola voltou para Carlito, que resolvou tabelar com Kennedy Nunes (Pp). A pergunta: o que ele acha do Restaurante Popular. A experiência de apresentador de tevê faz Kennedy se sair muito bem nesse tipo de encontro e a pergunta ajudou. Ele lembrou que prometeu construir um restaurante desse tipo quando foi candidato em 2004 e que a idéia foi ridicularizada por Marco Tebaldi (Psdb), que acabou eleito e hoje banca o restaurante feito pelo governo federal. Kennedy ressalvou que é preciso criar critérios para que só os necessitados possam utilizar o serviço.

Na estranha posição de ser vice-prefeito e candidato de "oposição" ao mesmo tempo, Rodrigo Bornholdt (PDT) focou seu discurso na área de segurança pública. Prometeu criar uma "mega-secretaria" que englobasse segurança e desenvolvimento social. Foi sobre o tema que dirigiu a pergunta a Darci de Matos, que também também prometeu criar uma nova estrutura para a área - mesmo ressaltando que o tema é competência do governo estadual.

Kennedy perguntou a Mariani o que ele achava dos serviços de água e esgoto de Joinville. O peemedebista puxou a sardinha para seu lado e garantiu que entende do assunto por ter sido relator da Cpi que investigou a Casan, no primeiro mandato de Luiz Henrique no governo estadual. Falou da tarifa cobrada pela Águas de Joinville, mais cara que as outras da região. Nesse ponto Kennedy foi incisivo. Deu números: "40% mais cara que em Jaraguá, 30% mais cara que São Francisco". E foi o primeiro candidato a prometer abrir uma caixa-preta nas eleições deste ano. No caso, a da companhia municipal de água e abastecimento.

Por último, Rogério Novaes (Pv) voltou ao tema da criação de uma secretaria de segurança municipal. Disse defender a idéia desde 2004, quando era candidato a vice de Carlito, e perguntou a Rodrigo porque ele não defendeu a idéia dentro da atual prefeitura, já que é vice. Rodrigo se saiu bem. No melhor estilo Lula, recorreu ao futebol e disse que o vice é apenas "um reserva com vontade de entrar em campo e fazer alguma coisa".

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Assim foi o confronto no primeiro bloco com perguntas entre os candidatos. Foi o que acompanhei melhor. Antes, eles responderam perguntas de joinvilenses entrevistados pela TVBV. Depois, foi a vez das perguntas dos jornalistas convidados e da produção da emissora. Essas últimas, um tanto constrangedoras. Chegaram a perguntar a Kennedy como ele trataria as greves de motoristas e cobradores de ônibus. Pertinente em Florianópolis, a pergunta não faz sentido em Joinville, onde a categoria é dócil. Foi mais ou menos o que disse o pepista, aproveitando o resto do tempo para falar de transporte coletivo. Para fechar, mais um bloco de perguntas entre os candidatos - que eu não acompanhei.

O post já está longo, vamos para as considerações finais:

Carlito (Pt) - Começou tímido e foi se soltando. Evitou confrontos e se apoiou em ações do governo federal na cidade. Pela primeira vez em suas cinco campanhas, tem o que mostrar.

Darci (Dem) - O mais nervoso. Partiu para o confronto com o Carlito de forma desajeitada. Se era para constranger o petista, melhor falar sobre os votos que ele deu em favor da CPMF e da CSS ou de sua posição sobre o aborto. Se saiu bem quando não teve medo de defender o governo Tebaldi. Ao responder sobre os corredores de ônibus que estão sendo implantados a toque de caixa, defendeu a prefeitura sem titubear.

Edílson Nunes (P-Sol) - É uma piada. O mais irrelevante foi justamente o único ausente, representado por uma cadeira vazia. Não parece estar em concorrendo. Não atende telefone para entrevistas, não se preocupa em aparecer.

Kennedy (Pp) - Tem intimidade com a câmera e leva vantagem por isso. Foi firme, usou bem o tempo, bateu em questões importantes.

Mariani (Pmdb) - Parecia menino pequeno visitando a tia que mora em outra cidade. Foi tímido, não conseguiu se destacar. Em algumas respostas, não conseguiu fugir daquele cacuete de político que responde sem dizer nada.

Rodrigo Bornholdt (Pdt) - Fora a dificuldade de se mostrar independente sendo parte do atual governo, Rodrigo foi bem. Claro no discurso, pegou para si o tema da segurança pública e não largou. Vai ter que explicar o que uma secretaria municipal de segurança pública pode fazer na prática. Florianópolis tem a sua, sem que ninguém perceba.

Rogério Novaes (Pv) - Respostas objetivas, discurso claro. Novaes foi bem. Levou para o debate a mesma naturalidade com que resolve os problemas de Joinville por telefone, quando é entrevistado. Carlito tinha razão quando dizia que a candidatura verde qualificaria o debate. Deve ser o Cristóvão Buarque da eleição.

O vencedor: O eleitor, que teve chance de conhecer os candidatos e suas propostas para o futuro de Joinville.



Brincadeira, brincadeira. Essa última é piada.

Não acredito em debates. O primeiro que eu na vida foi do Alceu Collares (Pdt) contra o Nelson Marchezan (Pds) nas eleições pelo governo gaúcho em 1990, acho. Levou uns dez anos para eu entender que, assim como no futebol, ninguém troca de time só porque o adversário joga mais bonito.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Vamos ouvir os leitores

Diariamente recebemos uma pesquisa com a opinião dos assinantes sobre o jornal. Em meio a tantas respostas sobre a necessidade de ter mais palavras cruzadas e não repetir o horóscópo, algumas vezes surgem respostas que apontam caminhos e sugerem coisas interessantes. Foi o que aconteceu ontem.

Um leitor de Joinville disse que o jornal deveria ter mais Fórmula Indy, tabelas dos campeonatos espanhol e italiano, além de informações sobre a cidade de Canoininhas. Mas destacou o principal:

"Gostaria de ver no jornal o Hino do Grêmio-Poa, pois acho o Hino o mais bonito de todos os times do Brasil".

domingo, 13 de julho de 2008

Resposta

Uma leitora chamada Patrícia deixou comentário no último post. Ela disse:

Bem legal a retrospectiva histórica.
Mas pensei que a matéria iria contar porque o governador permitiu que o desembargador assumisse: aquilo que rola por trás dos bastidores, que "prestigiar" o Judiciário, fazia parte da contrapartida que o governador daria ao TJ por escolherem o Adriano Zanotto como novo desembargador. Mas, o advogado preferido do Governo acabou nem entrando na lista triplice, nao sendo eleito lá na OAB. "

Bom, Patrícia. Se o Zanotto tivesse sido escolhido desembargador, a matéria citaria essa questão. Mas o governo não conseguiu superar a resistência dos outros magistrados em relação ao nome dele, o que fez o advogado ser o quinto em uma lista de seis nomes enviados pela OAB. Assim, se a posse de Francisco Oliveira Filho estava vinculada à posse de Zanotto, não deu em nada. Talvez porque dez dias segurando a caneta de LHS sem tinta dentro valham exatamente isso: nada.

Obrigado pela visita e pelo comentário.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Em nome do prestígio

Às vezes uma pauta tira a gente da rotina de cobertura. Foi assim quando, no início da semana passada, o editor sugeriu que eu fizesse uma matéria sobre a engenharia política articulada para que presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Francisco de Oliveira Filho, assumisse o governo por dez dias.

A pauta não tinha nada demais, o DC também fez e publicou no mesmo dia. O que me fez gostar dela foi a possibilidade de misturar jornalismo e história. Tudo por causa de uma pergunta: quantas vezes um desembargador do TJ assumiu o governo estadual?

Alguns colunistas já tinham dito que seria a sétima vez, então liguei para a assessoria do TJ atrás de confirmação. Eles disseram que sabiam de seis casos, mas que não tinham registros anteriores a 1983. Passaram a relação dos seis nomes - com dados mais exatos apenas nos últimos quatro casos (data exata da posse e permanência no cargo, basicamente).

Não fiquei satisfeito enquanto não achei as datas e os motivos que levaram aqueles desembargadores a tomarem conta do estado. Acabei esbarrando numa lista de todo mundo que já assumiu o governo catarinense e pude somar mais dois desembargadores na lista do TJ. Um em 1915 e outro em 1922. Com os nomes, bastou uma rápida olhada no "Dicionário Político Catarinense" que comprei numa banquinha de livros usados da Praça XV por três reais. Lá estavam as datas de posse e o tempo no cargo, pelo menos.

Na hora de escrever, quase esqueço que o gancho era a engenharia feita pelo Luiz Henrique (viajou, mandou o Pavan viajar e pediu pro Júlio Garcia não assumir) e não a questão histórica. Não importa. Sou fascinado pela história política catarinense e me diverti descobrindo que o segundo desembargador a ter a honra de assumir o governo (João da Silva Medeiros Filho) era genro do então governador (Hercílio Luz). Terá alguém denunciado nepotismo?

Ainda quero descobrir porque Hercílio Luz resolveu "prestigiar" o marido da filha com quatro dias no comando do estado. Não vai render matéria, talvez nem texto aqui no blog. Mas, certamente, tem mais importância que a interinidade de Francisco de Oliveira Filho ou de qualquer outro magistrado substituindo governador. Alguns dias de assinaturas em projetos irrelevantes, concessões de títulos irrelevantes, discursos em eventos irrelevantes e egos massageados.

Desde 1915.

(clique na imagem para ler a matéria)

sábado, 28 de junho de 2008

Um ano e oito meses depois, o acerto

O candidato a vice na chapa de Esperidião Amin (Pp) à prefeitura da Capital deve ser o sociólogo Paulo Renato de Souza, do Ptb. Pelo menos é o que dizem um ou outro colunista político em seus blogs. A confirmação do petebista consolida uma aliança que poderia ter acontecido no segundo turno das eleições para o governo do estado, em 2006.

Na época, com Luiz Henrique e Amin ainda no páreo, Antônio Carlos Sontag, quarto colocado na disputa, foi o último candidato a definir quem apoiaria no segundo turno. Valorizou o passe - conversou com o pepista e o peemedebista antes de finalmente apontar seu apoio a LHS. Não tardou para que a coordenação de campanha de Amin divulgasse uma nota um tanto contrangedora contendo a relação de cargos pedidos por Sontag para apoiar o oposicionista (clique na imagem para ampliar).

Sontag negou os pedidos, que incluiam uma secretaria de Estado (a definir), cargos no Detran, Inmetro e a diretoria financeira da Celesc. Mas não faltou gente dentro da campanha do empresário admitindo a escolha por LHS ter se devido à idéia de que embora cheio, o "ônibus" do peemedebista tinha mais gasolina. E, assim, morreu na casca o apoio de Sontag a Amin, Luiz Henrique se reelegeu e etc. Provavelmente se reelegeria de qualquer forma.

O que mudou em um ano e oito meses para Sontag e Amin acertarem os ponteiros e garantirem a aliança dos dois partidos não só na Capital, mas também em Joinville? O acerto na maior cidade do estado, inclusive, com intervenção direta de Sontag, já que o partido (e toda a Igreja Quadrangular) já estava fechado com Darci de Matos (Dem).

Bom. Se a lista de pedidos feita a Amin em 2006 era legítima, nunca vamos saber. Mas um dos cargos relacionados nela relacionados foi pedido a LHS em troca do apoio: a diretoria financeira da Celesc. O indicado de Sontag seria o Ênio Branco, mas o empresário acabou perdendo a disputa para Júlio Garcia (Dem), que conseguiu emplacar uma indicação.

Sontag perdeu também a sigla que controlava o estado, o PSB. Foi pego de supresa com a filiação do deputado federal Djalma Berger (então PSDB) logo no começo de 2007. Berger ganhou a franquia do PSB em Santa Catarina e deixou bem claro não tinha espaço dentro dela para o concorrente - sempre lembrando que os Berger são donos da Casvig e Sontag responde pela EBV.

Sobrou ao empresário gaúcho radicado em Florianópolis buscar abrigo no PTB do deputado Narcizo Parizotto, que já o tinha apoiado em 2006. O deputado deixou a Sontag o cargo de presidente estadual da sigla.

Agora é a hora do troco. Será que dessa vez, na lista apresentada a Amin o único pedido era "vingança". Em 2009, saberemos.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Enquanto isso, na cidade dos príncipes...

São mais de seis meses de flerte, mas eu e a política joinvilense ainda estamos apenas nos conhecendo. Fui transferido da sucursal de Florianópolis para a sede do A Notícia em dezembro, mas no começo continuei cobrindo mais as questões estaduais - mesmo à distância. Essa rotina era interrompida por uma ou outra questão judicial envolvendo a prefeitura. Como aqui o Ministério Público tem um bocado de ações contra o Tebaldi, não foi pouca coisa.

Só comecei mesmo a mergulhar na política joinvilense após a reforma do jornal, quando acabou o caderno AN Cidade e a cobertura política local foi incorporada pela editoria de... política. Isso foi em abril, em um momento em que este blog ficou um tanto às moscas. Por isso, nenhuma história de Joinville apareceu aqui.

Não foi por falta de merecimento, admito. A eleição municipal em Joinville tem tudo para ser tão divertida quanto à da Capital. Não teremos Dário Berger (Pmdb) e Esperidião Amin (Pp) querendo um o fígado do outro, nem o sorriso de Angela Albino (Pcdob). Mas existem compensações.

Temos alguns meses para descobrir se o "forasteiro" Mauro Mariani (Pmdb) vai decolar, se o Carlito Merss (Pt) consegue colher só os louros do governo Lula ou se os desgates vem junto e, claro, a grande pergunta: por que diabos o Luiz Henrique não quis apoiar o Darci de Matos (Dem) se era a forma mais fácil de manter a tríplice aliança em sua base eleitoral.

Até segunda todos os nomes estarão na mesa e a campanha começa para valer. Porque, até agora, a única coisa em discussão parece ser o passe do Dr. Xuxo (Pps).

Glossário:

- forasteiro: Duas vezes prefeito de Rio Negrinho e deputado federal mais votado do Pmdb na última eleição, Mariani transferiu o título este ano para Joinville. É a grande aposta de LHS para as eleições municipais e por isso veio de mala e cuia para a cidade, comprou um celular 47 e é um dos mais assíduos jogadores de dominó da praça Nereu Ramos. Mas as más línguas dizem que ele não sabe onde fica o bairro Boa Vista.

- desgastes: Carlito parte para a quinta tentativa de conquistar a prefeitura joinvilense e a grande novidade de 2008 é a impressão de que dessa vez ele tem chance. Vai tentar colar seu nome nas ações do governo federal em Joinville, como a implantação do campus da UFSC - e ter a missão ingrata de defender a CPMF nos debates.

- manter a tríplice: Darci conta com o apoio do PSDB de Tebaldi e tinha certeza de que o PMDB, sem nome forte para a disputa, cairia no seu colo. Só não contava com a vaidade de LHS, que resolveu mostrar pro mundo todo que em Joinville elege até poste. Mesmo assim, segue favorito.

- Dr. Xuxo: É o apelido de José Aluizio Vieira, presidente da Fundação Pro-Rim. Quando foi lançado pelo Pps como pré-candidato, todo mundo sabia que o acerto era ele ser o vice do Mariani, na impossibilidade do irmão dele, o suplente de deputado federal Antonio Carlos Vieira, deixar o Dem e se filiar ao Pps para ocupar o posto. Mas quando Xuxo viu nas pesquisas que tinha mais intenções de voto que o peemedebista, relembrou o antigo hit do Kid Abelha e se perguntou: "por que não eu?". É a incógnita da eleição até agora.
 
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