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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Xenófobos e xenófilos

Na falta de polêmica maior, a discussão em voga na eleição joinvilense é uma não-polêmica. Rodrigo Bornholdt (PDT) chama Mauro Mariani (PMDB) de "forasteiro", que sente o golpe e o chama de "xenófobo". Era óbvio que assim que começasse a crescer nas pesquisas, Mariani seria alvejado em seu maior calcanhar de aquiles - a falta de identidade com a cidade.

Também era óbvio que esse ataque não viria nem de Darci de Matos (DEM), nem de Carlito Merss (PT). Favoritos para a disputa do segundo turno, ambos contam com o apoio do PMDB para vencer a eleição. Mas, certamente, devem ter ficado satisfeitos com as estocadas de Rodrigo contra o ascendente peemedebista. O papel de franco-atirador serve no pedetista. Renegado como candidato preferencial pelo PMDB e pelo padrinho Luiz Henrique, Rodrigo deve ter como questão pessoal ficar à frente de Mariani.

Ou seja, tudo dentro do scrip.

O que não dá pra entender é a indignação dos peemedebistas. Se é certo que Joinville é uma cidade que deve muito a seus imigrantes, não há registro na história recente de que um deles tenha tentado governar o município um ano depois de chegar por aqui. Mas o novo herdeiro político de Luiz Henrique mostra que já aprendeu a lição com o padrinho: diante de um questionamento incômodo é só se fazer de indignado e citar a ditadura. Costuma funcionar.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

"O peixe tinha seis metros, te juro"

Na estréia do horário eleitoral gratuito, Mauro Mariani (Pmdb) abriu alas para seu maior cabo eleitoral: o governador Luiz Henrique (Pmdb). Com depoimentos diferentes no programa da tarde e no da noite, o governador ocupou a maior parte do programa do peemedebista com a ingrata missão de fazer decolar uma candidatura que patina abaixo dos 5% de intenção de votos.

Luiz Henrique fez questão de dizer que o 15 agora é de Mariani e comparou o candidato a ele mesmo e ao ex-governador Pedro Ivo, até hoje referência do partido na cidade. Para motivar a militância, LHS lembrou a eleição para o governo do estado em 2002, quando desbancou o favorito Esperidião Amin (Pp).

Foi aí que se empolgou. Disse que no começo daquela eleição contavam com apenas 6% dos votos e, mesmo assim, acabou eleito.

Uma pesquisa no arquivo do AN e outra no do Ibope mostram que não foi bem assim.

No mesmo estágio da campanha atual, em 18 de agosto de 2002, o AN publicava pesquisa encomendada ao Brasmarket que colocava Amin com 48% e LHS com 23%. Fritsch (Pt) aparecia distante com 10%.

Dois meses antes, o Ibope realizou a primeira pesquisa em Santa Catarina. Os números eram semelhantes: Amin 50%, LHS 21% e Fristch 6%.

Nas urnas, em outubro, Amin ficou na frente com vantagem menor que a esperada, alcançando cerca de 40%. Luiz Henrique disputou voto a voto com Fritsch a vaga no segundo turno - 29% a 27%. No segundo turno, o peemedebista venceu por cerca de 20 mil votos de diferença e foi eleito governador.

Uma virada épica, com certeza. LHS não precisava exagerar.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Enquanto isso, na cidade dos príncipes...

São mais de seis meses de flerte, mas eu e a política joinvilense ainda estamos apenas nos conhecendo. Fui transferido da sucursal de Florianópolis para a sede do A Notícia em dezembro, mas no começo continuei cobrindo mais as questões estaduais - mesmo à distância. Essa rotina era interrompida por uma ou outra questão judicial envolvendo a prefeitura. Como aqui o Ministério Público tem um bocado de ações contra o Tebaldi, não foi pouca coisa.

Só comecei mesmo a mergulhar na política joinvilense após a reforma do jornal, quando acabou o caderno AN Cidade e a cobertura política local foi incorporada pela editoria de... política. Isso foi em abril, em um momento em que este blog ficou um tanto às moscas. Por isso, nenhuma história de Joinville apareceu aqui.

Não foi por falta de merecimento, admito. A eleição municipal em Joinville tem tudo para ser tão divertida quanto à da Capital. Não teremos Dário Berger (Pmdb) e Esperidião Amin (Pp) querendo um o fígado do outro, nem o sorriso de Angela Albino (Pcdob). Mas existem compensações.

Temos alguns meses para descobrir se o "forasteiro" Mauro Mariani (Pmdb) vai decolar, se o Carlito Merss (Pt) consegue colher só os louros do governo Lula ou se os desgates vem junto e, claro, a grande pergunta: por que diabos o Luiz Henrique não quis apoiar o Darci de Matos (Dem) se era a forma mais fácil de manter a tríplice aliança em sua base eleitoral.

Até segunda todos os nomes estarão na mesa e a campanha começa para valer. Porque, até agora, a única coisa em discussão parece ser o passe do Dr. Xuxo (Pps).

Glossário:

- forasteiro: Duas vezes prefeito de Rio Negrinho e deputado federal mais votado do Pmdb na última eleição, Mariani transferiu o título este ano para Joinville. É a grande aposta de LHS para as eleições municipais e por isso veio de mala e cuia para a cidade, comprou um celular 47 e é um dos mais assíduos jogadores de dominó da praça Nereu Ramos. Mas as más línguas dizem que ele não sabe onde fica o bairro Boa Vista.

- desgastes: Carlito parte para a quinta tentativa de conquistar a prefeitura joinvilense e a grande novidade de 2008 é a impressão de que dessa vez ele tem chance. Vai tentar colar seu nome nas ações do governo federal em Joinville, como a implantação do campus da UFSC - e ter a missão ingrata de defender a CPMF nos debates.

- manter a tríplice: Darci conta com o apoio do PSDB de Tebaldi e tinha certeza de que o PMDB, sem nome forte para a disputa, cairia no seu colo. Só não contava com a vaidade de LHS, que resolveu mostrar pro mundo todo que em Joinville elege até poste. Mesmo assim, segue favorito.

- Dr. Xuxo: É o apelido de José Aluizio Vieira, presidente da Fundação Pro-Rim. Quando foi lançado pelo Pps como pré-candidato, todo mundo sabia que o acerto era ele ser o vice do Mariani, na impossibilidade do irmão dele, o suplente de deputado federal Antonio Carlos Vieira, deixar o Dem e se filiar ao Pps para ocupar o posto. Mas quando Xuxo viu nas pesquisas que tinha mais intenções de voto que o peemedebista, relembrou o antigo hit do Kid Abelha e se perguntou: "por que não eu?". É a incógnita da eleição até agora.

terça-feira, 17 de junho de 2008

O debate que não terminou, recomeça

Desde a última campanha eleitoral e, principalmente, a Operação Moeda Verde, o prefeito Dário Berger (PMDB) diz querer enfrentar Esperidião Amin (PP) nas eleições desde ano. Se era bravata ou não, agora tanto faz. Com a confirmação de que o ex-governador será mesmo candidato, os dois devem polarizar a disputa em outubro e continuar aquele improvisado debate iniciando na Câmara de Vereadores, em 2006, que começou com gritos e terminou em boletins de ocorrência.

Para quem não lembra, ainda estava em disputa o primeiro turno das eleições para o governo estadual e a Câmara de Florianópolis – sob comando de Marcílio Ávila (então PMDB) – organizou um debate entre os candidatos. A presença de sete candidatos e o modelo engessado do debate esfriaram qualquer disputa entre Luiz Henrique, Amin e Fritsch.

O que esquentou a noite gelada (eu lembro porque voltei a pé para casa) foi a pergunta feita ao pepista por um dos jornalistas convidados. O repórter do jornal A Fonte queria saber se Amin era mesmo o dono da empresa de ônibus Transol – uma das muitas lendas políticas do município. Próximo ao jornalista, sentado ao lado do então líder do governo na Câmara, Juarez Silveira (então PTB), acompanhava o debate o prefeito Dário – em frente ao próprio Amin.

O ex-governador agradeceu à pergunta e disse a frase que fez Dário levantar-se da cadeira a iniciar o debate improvisado. Amin falou, com a mão espalmada:

- Eu tenho as mãos limpas. Não sou dono de empresa que presta serviço ao governo.

Um dos donos da Casvig, Berger se levantou para contrapor. Sem microfone em punho, suas palavras tiveram menos repercussão. Até porque, Amin, rapidamente encurralou Marcílio Ávila com uma pergunta.

- O senhor vai devolver o meu tempo ou vai abaixar a cabeça para o seu patrão?

Marcílio se viu obrigado a interromper a discussão, fazer o básico discurso sobre a Câmara de Vereadores não ter patrão e devolver o tempo perdido e a palavra a Amin. Que a usou como sempre. Bem. Acusou Dário de ter migrado para o PSDB (seu partido à época) junto com o irmão deputado Djalma em troca de contratos da Casvig com o governo estadual. Ainda se ouviu o prefeito gritar “denúncia requentada”, mas o fato político do debate estava pronto. E naquela mesma noite tem gente que jura ter ouvido Dário falar que queria enfrentar Amin em 2008. Se era bravata ou não, agora tanto faz.

Vai ser uma eleição divertida.

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Isso tudo aconteceu há menos de dois anos, mas não foram poucas as mudanças a serem apontadas.

- Dário trocou o PSDB pelo PMDB em setembro do ano passado. Meses antes, o irmão Djalma já deixara os tucanos, migrando para o PSB e a base aliada do presidente Lula.

- Em 2006, Marcílio Ávila e Juarez Silveira eram os donos do campinho chamado Câmara de Vereadores e hoje brigam na Justiça para reconquistar um lugar lá dentro. Mesmo que consigam, dificilmente terão a mesma relevância. Sem filiação, Juarez não teria nem como disputar a reeleição. Marcílio conseguiu um abrigo no PSB de Djalma Berger, mas precisa que a Justiça invalide sua cassação e lhe devolva os direitos políticos.

- José Fritsch, do PT, deve fazer um mergulho semelhante ao de Amin. Depois de disputar duas vezes o governo do Estado, vai tentar recuperar a cidade que o projetou – Chapecó. Amin tem mais chances.

- A Casvig, dos Berger, foi a principal prejudicada pela redução drástica dos gastos do governo estadual com terceirizados no segundo mandato. Vem daí boa parte dos R$ 170 milhões que o secretário de Administração Antonio Gavazzoni (DEM) diz ter cortado no custeio da maquina estadual em 2006. Nunca é demais lembrar que DEM é o novo nome do PFL e que o PFL não engole Dário Berger desde que ele deixou o partido, em 2003, para viabilizar a candidatura a prefeito da Capital. O DEM que vai tentar tudo para ser a terceira via da eleição, com o deputado César Souza Júnior aliado a outro “marido traído”: o PSDB do vereador Walter da Luz e, principalmente, do deputado Marcos Vieira.

- A Operação Moeda Verde não deu em nada até agora (tirando as cassações de Marcílio e Juarez). Mas o seu cadáver vai ser exumado durante toda a campanha eleitoral até que se descubra se seu DNA tem genes Amin ou Berger. Ou se é um transgênico.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Pronto pra briga

O Golf branco do ex-governador Esperidião Amin (PP) traz três adesivos no vidro traseiro. No canto superior esquerdo, o número 11 do PP visivelmente recortado de um adesivo que sobrou da campanha eleitoral do ano passado. Abaixo, colado por cima do 11, um adeviso verde escrito: cidade limpa. Começou a campanha eleitoral para a prefeitura da Capital.

Ah... o terceiro adesivo, no canto inferior direito, era um distintivo do Avaí.

domingo, 29 de julho de 2007

Antecipando 2008

Se todos os postulantes botarem o bloco na rua no ano que vem, Florianópolis vai viver uma campanha eleitoral inesquecível. Enquanto um representante do casal Amin (hoje seria a ex-prefeita Angela) e o prefeito Dário Berger vão trocar acusações sobre quem fez mais mal à cidade, Angela Albino e Cesar Souza Jr. vão tentar emplacar a tese da renovação. Sem renovação, mas tentando aplicar o discurso do "não tenho nada a ver com essa bandalheira", poderemos ter o ex-prefeito e ex-deputado Edison Andrino e o ex-vice-prefeito e ex-deputado Afrânio Boppré. Nos lados petistas, o ex-deputado Mauro Passos é o preferido da senadora Ideli Salvatti. É material suficiente para uma briga de foice no primeiro turno e muitos afagos, conchavos e alianças inesperadas no segundo. Se é que existe algo inesperado em política catarinense depois que Luiz Henrique da Silveira e Esperidião Amin bagunçaram o mapa ideológico do Estado em 2006.

A operação Moeda Verde antecipou o debate eleitoral em alguns meses. Esse é o gancho da matéria que assino na edição de hoje do AN Capital. Essa parece ter sido a saída encontrada por Dário Berger na hora de dar explicações sobre as suspeitas licenças ambientais concecidas e o suposto favorecimento a Marcondes de Mattos na elaboração da Lei dos Hotéis - colocar a culpa na gestão de Angela Amin e no modelo que herdou. Angela não deixa sem resposta, diz que
o grampeado foi Berger e que aceita qualquer julgamento, menos os que vierem da boca do prefeito. Afirma que não queria ser candidata, mas que após a operação da PF "quem ama a cidade deve colocar o nome à disposição". Essa frase, somada à disposição para atender o celular durante uma viagem a Brusque só podem significar a busca pelo terceiro mandato. Outro indício está contido nos elogios a seu ex-secretário de Obras, Chico Assis, que assumiu a presidência do diretório municipal do PP.

- Ele é imbatível na condução de uma campanha. Nas duas vezes em que fui candidata, ele era o presidente do diretório.

Já Dário Berger tem uma questão burocrática para definir até o final de setembro. Ele precisa decidir se seus eleitores vão digitar 15 ou 45 na urna eletrônica. A filiação do prefeito, apesar dos escândalos, é encarada pelo presidente estadual do PMDB (15), Eduardo Pinho Moreira, como única forma de encarar o casal Amin numa disputa eleitoral. A outra alternativa viável seria o ex-prefeito Edison Andrino, mas ele sofre resistência por parte do governo LHS, que não o considerou engajado suficientemente em 2006. Como castigo, ficou à margem do governo mesmo sendo o terceiro suplente na Assembléia Legislativa (e o governador deu um jeito para o primeiro e o segundo assumirem a vaga na AL e para o quarto e o quinto entrarem no secretariado). Mas Andrino é também o principal empecilho à filiação de Dário, pela força que ainda tem no diretório e a disposição de ser candidato. Assim, a filiação do prefeito deve cheirar a intervenção e resultar em debandada liderada por Andrino. A dificuldade é vislumbrar a próxima morada do ex-prefeito, que recebeu sondagens do PPS e do PSB (este, antes de ser encampado pelo deputado Djalma Berger, irmão de Dário). E crescem as chances de Dário ficar no PSDB, apesar dos recados dados pelo presidente estadual do partido Dalírio Beber e o vice-governador Leonel Pavan para que ele decida logo seu futuro político. Traduzindo: pique a mula.

Eu ia falar da Angela Albino nesse post. Mas como ela é disparada a campeã nas buscas dos leitores que chegam a este blog via google, merece um post à parte.
 
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