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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A pesquisa Vox Populi

Um dos fatos novos da reta final da campanha eleitoral em Joinville é a pesquisa Vox Populi que mostra Carlito Merss (PT) à frente de Darci de Matos (DEM). Ela foi apresentada parcialmente pelo jornal Gazeta de Joinville e no horário eleitoral do PT e gerou uma pergunta - principalmente entre conhecidos radialistas do município: que pesquisa é essa?

Bem, a pesquisa foi contratada pelo PT nacional, que colocou Joinville no meio de uma série de cidades consideradas estratégicas nessas eleições. Embora só tenham sido divulgados os resultados da simulação de primeiro turno, da expectativa de vitória e da aprovação de Lula, LHS e Tabeldi, a pesquisa é bem ampla.

Seguem os números.

1 - Intenção de votos espontânea:

Carlito - 21%
Darci - 16%
Kennedy - 10%
Mariani - 10%
Rodrigo - 3%
Novaes - 1%
Ninguém/Branco/Nulo - 2%
Não sabe/Não respondeu - 37%

2 - Intenção de votos estimulada:

Carlito - 29%
Darci - 23%
Kennedy - 15%
Mariani - 14%
Rodrigo - 4%
Novaes - 1%
Castro - 0%
Ninguém/Branco/Nulo - 2%
Não sabe/Não respondeu - 12%


3 - Segundo turno entre Carlito e Darci

Darci - 42%
Carlito - 42%
Ninguém/Branco/Nulo - 7%
Não sabe/Não respondeu - 9%


4 - Rejeição

Carlito - 21%
Mariani - 12%
Kennedy - 11%
Darci - 10%
Castro - 8%
Rodrigo - 6%
Novaes - 6%
Votaria em qualquer um - 8%
Não votaria em nenhum - 1%

5 - Essa é curiosa. O instituto perguntou: "Para você, Joinville precisa de um prefeito que depois de eleito:"

- Continue com todas as políticas da atual administração - 4%
- Continue com a maioria e mude algumas - 40%
- Mude a maioria e continue algumas - 36%
- Mude todas as políticas da atual administração - 16%
- Não sabe/Não respondeu - 4%


A Vox Populi ouviu 800 pessoas entre os dias 16 e 18 de setembro e a margem de erro é de 3,5 pontos percentuais. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o numero 479/2008.

Baixe a íntegra da pesquisa, que tem muito mais perguntas e a explicação da metodologia. (atualização: não consegui linkar o arquivo pdf da pesquisa. Se alguém quiser, peça por e-mail - upiara@gmail.com)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O primeiro debate

Foi bem interessante o primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de Joinville, trasmitido e realizado ontem pela TVBV. A tradição da Band (seguida pelas afiliadas) de fazer sempre o primeiro confronto acaba fazendo com que os debates da emissora sirvam de teste para todos os outros encontro. Hora de ver o que funciona ou não, de correr poucos riscos.

Nesse sentido, Darci de Matos (Dem) surpreendeu ao fazer a primeira pergunta justamente para o principal adversário, Carlito Merss (Pt). Geralmente quem lidera as pesquisas foge do confronto. Mas o candidato demista parecia nervoso demais e gastou a chance alfinetar o petista com uma pergunta boba. "Explique porque o senhor só enaltece os problemas de Joinville?". Darci tentou levar para o debate a pecha de que ele não gosta da cidade que pretende governar - que talvez funcione nas ruas ou nos almoços partidários, mas nunca em rede estadual.

Foi a chance que Carlito - até então tímido - teve para falar de todas as ações que beneficiaram Joinville nos seus três mandatos como deputado e falar aquelas frases de político profissional, no estilo "amo essa cidade que me acolheu", "posso fazer muito mais como prefeito", etc. Na réplica, Darci insistiu e disse que Carlito não conhece bem a cidade porque fica muito em Brasília - e que deve permanecer por lá, por ser um "deputado razoável". Na tréplica, outra cortada petista.

Constrangedor.

Mais cauteloso, Mauro Mariani (Pmdb) tentou jogar o debate para a questão da saúde, apontada pelas pesquisas internas como área de maior insatisfação entre os joinvilenses e que deve ser o principal tema de sua campanha. Pediu a Rogério Novaes (Pv) que falasse sobre o assunto. O candidato verde foi a surpresa do debate. Desenvolto, claro nas propostas, falou sobre a necessidade de construir um hospital na zona sul e outro na zona norte, criando 400 leitos, e de terminar o Pronto-Atendimento do bairro Aventureiro. Deixou Mariani sem ter o que falar na réplica. O peemedebista limitou-se a ressaltar a presença do doutor Xuxo (José Aluísio Vieira, do Pps) como vice da chapa e falar na ampliação do Programa Saúde da Família.

A bola voltou para Carlito, que resolvou tabelar com Kennedy Nunes (Pp). A pergunta: o que ele acha do Restaurante Popular. A experiência de apresentador de tevê faz Kennedy se sair muito bem nesse tipo de encontro e a pergunta ajudou. Ele lembrou que prometeu construir um restaurante desse tipo quando foi candidato em 2004 e que a idéia foi ridicularizada por Marco Tebaldi (Psdb), que acabou eleito e hoje banca o restaurante feito pelo governo federal. Kennedy ressalvou que é preciso criar critérios para que só os necessitados possam utilizar o serviço.

Na estranha posição de ser vice-prefeito e candidato de "oposição" ao mesmo tempo, Rodrigo Bornholdt (PDT) focou seu discurso na área de segurança pública. Prometeu criar uma "mega-secretaria" que englobasse segurança e desenvolvimento social. Foi sobre o tema que dirigiu a pergunta a Darci de Matos, que também também prometeu criar uma nova estrutura para a área - mesmo ressaltando que o tema é competência do governo estadual.

Kennedy perguntou a Mariani o que ele achava dos serviços de água e esgoto de Joinville. O peemedebista puxou a sardinha para seu lado e garantiu que entende do assunto por ter sido relator da Cpi que investigou a Casan, no primeiro mandato de Luiz Henrique no governo estadual. Falou da tarifa cobrada pela Águas de Joinville, mais cara que as outras da região. Nesse ponto Kennedy foi incisivo. Deu números: "40% mais cara que em Jaraguá, 30% mais cara que São Francisco". E foi o primeiro candidato a prometer abrir uma caixa-preta nas eleições deste ano. No caso, a da companhia municipal de água e abastecimento.

Por último, Rogério Novaes (Pv) voltou ao tema da criação de uma secretaria de segurança municipal. Disse defender a idéia desde 2004, quando era candidato a vice de Carlito, e perguntou a Rodrigo porque ele não defendeu a idéia dentro da atual prefeitura, já que é vice. Rodrigo se saiu bem. No melhor estilo Lula, recorreu ao futebol e disse que o vice é apenas "um reserva com vontade de entrar em campo e fazer alguma coisa".

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Assim foi o confronto no primeiro bloco com perguntas entre os candidatos. Foi o que acompanhei melhor. Antes, eles responderam perguntas de joinvilenses entrevistados pela TVBV. Depois, foi a vez das perguntas dos jornalistas convidados e da produção da emissora. Essas últimas, um tanto constrangedoras. Chegaram a perguntar a Kennedy como ele trataria as greves de motoristas e cobradores de ônibus. Pertinente em Florianópolis, a pergunta não faz sentido em Joinville, onde a categoria é dócil. Foi mais ou menos o que disse o pepista, aproveitando o resto do tempo para falar de transporte coletivo. Para fechar, mais um bloco de perguntas entre os candidatos - que eu não acompanhei.

O post já está longo, vamos para as considerações finais:

Carlito (Pt) - Começou tímido e foi se soltando. Evitou confrontos e se apoiou em ações do governo federal na cidade. Pela primeira vez em suas cinco campanhas, tem o que mostrar.

Darci (Dem) - O mais nervoso. Partiu para o confronto com o Carlito de forma desajeitada. Se era para constranger o petista, melhor falar sobre os votos que ele deu em favor da CPMF e da CSS ou de sua posição sobre o aborto. Se saiu bem quando não teve medo de defender o governo Tebaldi. Ao responder sobre os corredores de ônibus que estão sendo implantados a toque de caixa, defendeu a prefeitura sem titubear.

Edílson Nunes (P-Sol) - É uma piada. O mais irrelevante foi justamente o único ausente, representado por uma cadeira vazia. Não parece estar em concorrendo. Não atende telefone para entrevistas, não se preocupa em aparecer.

Kennedy (Pp) - Tem intimidade com a câmera e leva vantagem por isso. Foi firme, usou bem o tempo, bateu em questões importantes.

Mariani (Pmdb) - Parecia menino pequeno visitando a tia que mora em outra cidade. Foi tímido, não conseguiu se destacar. Em algumas respostas, não conseguiu fugir daquele cacuete de político que responde sem dizer nada.

Rodrigo Bornholdt (Pdt) - Fora a dificuldade de se mostrar independente sendo parte do atual governo, Rodrigo foi bem. Claro no discurso, pegou para si o tema da segurança pública e não largou. Vai ter que explicar o que uma secretaria municipal de segurança pública pode fazer na prática. Florianópolis tem a sua, sem que ninguém perceba.

Rogério Novaes (Pv) - Respostas objetivas, discurso claro. Novaes foi bem. Levou para o debate a mesma naturalidade com que resolve os problemas de Joinville por telefone, quando é entrevistado. Carlito tinha razão quando dizia que a candidatura verde qualificaria o debate. Deve ser o Cristóvão Buarque da eleição.

O vencedor: O eleitor, que teve chance de conhecer os candidatos e suas propostas para o futuro de Joinville.



Brincadeira, brincadeira. Essa última é piada.

Não acredito em debates. O primeiro que eu na vida foi do Alceu Collares (Pdt) contra o Nelson Marchezan (Pds) nas eleições pelo governo gaúcho em 1990, acho. Levou uns dez anos para eu entender que, assim como no futebol, ninguém troca de time só porque o adversário joga mais bonito.
 
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