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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sinais de vida

No final de semana, o ex-governador Esperidião Amin (PP) enviou um artigo para diversos colunistas em que utiliza os dados da última projeção populacional do IBGE para criticar o governo de Luiz Henrique da Silveira, que o derrotou em 2002 e 2006.

A relação é clara. Se o principal mote das campanhas do peemedebista foi a descentralização administrativa, que ajudaria a evitar o êxodo da população das cidades do interior para o litoral, porque os números do IBGE, depois de seis anos de governo LHS, apontam o aumento das população das cidades litorâneas?

O ex-governador se mostra afiado ao relembrar a promessa feita por LHS de acabar com a "ambulancioterapia" - palavra mágica criada pelo marketing da campanha peemedebista em 2002 para denominar a prática de trazer doentes do interior para serem tratados em hospitais da Capital. Segundo Amin, a única mudança foi a compra de ambulâncias maiores e mais potentes.

É do jogo político buscar esse tipo de contradição. Mas uma coisa precisa ficar clara. Amin não perdeu o governo do Estado por causa do Plano 15, das promessas de descentralização admistrativa. É dar importância demais ao marketeiro.

Amin perdeu a eleição em que concorreu à reeleição por salto alto no primeiro turno, quando todos apostaram as fichas em uma tranqüila vitória no primeiro turno. No segundo turno, perdeu para Joinville e para o PT. A força de Luiz Henrique em sua base era mais do que evidente, mas seria naturalmente compensada pela igual penetração de Amin na Grande Florianópolis. A diferença foi o apoio ostensivo dos petistas naquele segundo turno, a bordo da onda Lula.

Os petistas conseguiram diminuir a vantagem natural que Amin teria no eleitorado da Capital, fazendo com que Joinville fizesse a diferença em favor de LHS. Não se pode esquecer que a diferença de votos foi de apenas 20 mil.

Eleito LHS, aí sim a descentralização administrativa entrou em campo eleitoralmente. A conjugação da forte divulgação publicitária e a criação das estruturas próximas da população foi vital nas eleições de 2006. Sem ela, talvez Luiz Henrique não tivesse conseguido concretizar a tríplice aliança com PSDB e PFL que lhe garantiu o segundo mandato. Mesmo com o apoio do PT e a forte votação que Amin recebeu na Grande Florianópolis.

Cobrar agora os resultados da deslitorização prometida com base nos números do IBGE, já disse, é do jogo político. Mas soa como dor-de-cotovelo e tentativa de se manter em evidência em período eleitoral. O que também é do jogo político e sinaliza - no mínimo - que os Amin não vão ficar passivamente fora do tabuleiro em 2010. É a vez de Ângela.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O messias não chegou

A enchente de 1983 destacou a figura do então governador Esperidião Amin, eleito no ano anterior, para a política nacional. Jovem, Amin participou pessoalmente de operações de salvamento e chamou a atenção, a ponto de ter a atuação no episódio lembrada até hoje. 

Até momento, a enchente de 2008 não tem personagem político. Lula demorou a vir, Luiz Henrique parece em se preocupa mais em acalmar os turistas, os pré-candidatos ao governo estadual discursam com os pés limpos. Quem ninguém leia nessa frase uma crítica ou no parágrafo anterior um elogio.

Nada seria mais patético que o governador, já em idade avançada, de galochas ajudando a Defesa Civil em Blumenau. A atuação de Amin em 83 pode ser vista como a de um governante preocupado com o seu povo ou a de um populista querendo visibilidade. Escolham pelas cores que preferirem.

O post é só uma constatação de que nenhum político conseguiu "capitalizar" o desastre, por assim dizer. A menos de dois anos de uma eleição que apresenta cinco candidatos que não entusiasmam, talvez fosse a última chance para um fato novo. Talvez um jovem prefeito de cidade fortemente atingida pela tragédia, recém reeleito em primeiro turno com maioria esmagadora, com os pés sujos de barro. 

Alguém viu João Paulo Kleinünbing?  


Momento 1: Amin ajuda grávida em 1983 (roubada do blog do Carlos Damiao).

Momento 2: Lula vê a enchente quatro dias depois e se supreende quando LHS diz que a água baixou.

sábado, 28 de junho de 2008

Um ano e oito meses depois, o acerto

O candidato a vice na chapa de Esperidião Amin (Pp) à prefeitura da Capital deve ser o sociólogo Paulo Renato de Souza, do Ptb. Pelo menos é o que dizem um ou outro colunista político em seus blogs. A confirmação do petebista consolida uma aliança que poderia ter acontecido no segundo turno das eleições para o governo do estado, em 2006.

Na época, com Luiz Henrique e Amin ainda no páreo, Antônio Carlos Sontag, quarto colocado na disputa, foi o último candidato a definir quem apoiaria no segundo turno. Valorizou o passe - conversou com o pepista e o peemedebista antes de finalmente apontar seu apoio a LHS. Não tardou para que a coordenação de campanha de Amin divulgasse uma nota um tanto contrangedora contendo a relação de cargos pedidos por Sontag para apoiar o oposicionista (clique na imagem para ampliar).

Sontag negou os pedidos, que incluiam uma secretaria de Estado (a definir), cargos no Detran, Inmetro e a diretoria financeira da Celesc. Mas não faltou gente dentro da campanha do empresário admitindo a escolha por LHS ter se devido à idéia de que embora cheio, o "ônibus" do peemedebista tinha mais gasolina. E, assim, morreu na casca o apoio de Sontag a Amin, Luiz Henrique se reelegeu e etc. Provavelmente se reelegeria de qualquer forma.

O que mudou em um ano e oito meses para Sontag e Amin acertarem os ponteiros e garantirem a aliança dos dois partidos não só na Capital, mas também em Joinville? O acerto na maior cidade do estado, inclusive, com intervenção direta de Sontag, já que o partido (e toda a Igreja Quadrangular) já estava fechado com Darci de Matos (Dem).

Bom. Se a lista de pedidos feita a Amin em 2006 era legítima, nunca vamos saber. Mas um dos cargos relacionados nela relacionados foi pedido a LHS em troca do apoio: a diretoria financeira da Celesc. O indicado de Sontag seria o Ênio Branco, mas o empresário acabou perdendo a disputa para Júlio Garcia (Dem), que conseguiu emplacar uma indicação.

Sontag perdeu também a sigla que controlava o estado, o PSB. Foi pego de supresa com a filiação do deputado federal Djalma Berger (então PSDB) logo no começo de 2007. Berger ganhou a franquia do PSB em Santa Catarina e deixou bem claro não tinha espaço dentro dela para o concorrente - sempre lembrando que os Berger são donos da Casvig e Sontag responde pela EBV.

Sobrou ao empresário gaúcho radicado em Florianópolis buscar abrigo no PTB do deputado Narcizo Parizotto, que já o tinha apoiado em 2006. O deputado deixou a Sontag o cargo de presidente estadual da sigla.

Agora é a hora do troco. Será que dessa vez, na lista apresentada a Amin o único pedido era "vingança". Em 2009, saberemos.

terça-feira, 17 de junho de 2008

O debate que não terminou, recomeça

Desde a última campanha eleitoral e, principalmente, a Operação Moeda Verde, o prefeito Dário Berger (PMDB) diz querer enfrentar Esperidião Amin (PP) nas eleições desde ano. Se era bravata ou não, agora tanto faz. Com a confirmação de que o ex-governador será mesmo candidato, os dois devem polarizar a disputa em outubro e continuar aquele improvisado debate iniciando na Câmara de Vereadores, em 2006, que começou com gritos e terminou em boletins de ocorrência.

Para quem não lembra, ainda estava em disputa o primeiro turno das eleições para o governo estadual e a Câmara de Florianópolis – sob comando de Marcílio Ávila (então PMDB) – organizou um debate entre os candidatos. A presença de sete candidatos e o modelo engessado do debate esfriaram qualquer disputa entre Luiz Henrique, Amin e Fritsch.

O que esquentou a noite gelada (eu lembro porque voltei a pé para casa) foi a pergunta feita ao pepista por um dos jornalistas convidados. O repórter do jornal A Fonte queria saber se Amin era mesmo o dono da empresa de ônibus Transol – uma das muitas lendas políticas do município. Próximo ao jornalista, sentado ao lado do então líder do governo na Câmara, Juarez Silveira (então PTB), acompanhava o debate o prefeito Dário – em frente ao próprio Amin.

O ex-governador agradeceu à pergunta e disse a frase que fez Dário levantar-se da cadeira a iniciar o debate improvisado. Amin falou, com a mão espalmada:

- Eu tenho as mãos limpas. Não sou dono de empresa que presta serviço ao governo.

Um dos donos da Casvig, Berger se levantou para contrapor. Sem microfone em punho, suas palavras tiveram menos repercussão. Até porque, Amin, rapidamente encurralou Marcílio Ávila com uma pergunta.

- O senhor vai devolver o meu tempo ou vai abaixar a cabeça para o seu patrão?

Marcílio se viu obrigado a interromper a discussão, fazer o básico discurso sobre a Câmara de Vereadores não ter patrão e devolver o tempo perdido e a palavra a Amin. Que a usou como sempre. Bem. Acusou Dário de ter migrado para o PSDB (seu partido à época) junto com o irmão deputado Djalma em troca de contratos da Casvig com o governo estadual. Ainda se ouviu o prefeito gritar “denúncia requentada”, mas o fato político do debate estava pronto. E naquela mesma noite tem gente que jura ter ouvido Dário falar que queria enfrentar Amin em 2008. Se era bravata ou não, agora tanto faz.

Vai ser uma eleição divertida.

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Isso tudo aconteceu há menos de dois anos, mas não foram poucas as mudanças a serem apontadas.

- Dário trocou o PSDB pelo PMDB em setembro do ano passado. Meses antes, o irmão Djalma já deixara os tucanos, migrando para o PSB e a base aliada do presidente Lula.

- Em 2006, Marcílio Ávila e Juarez Silveira eram os donos do campinho chamado Câmara de Vereadores e hoje brigam na Justiça para reconquistar um lugar lá dentro. Mesmo que consigam, dificilmente terão a mesma relevância. Sem filiação, Juarez não teria nem como disputar a reeleição. Marcílio conseguiu um abrigo no PSB de Djalma Berger, mas precisa que a Justiça invalide sua cassação e lhe devolva os direitos políticos.

- José Fritsch, do PT, deve fazer um mergulho semelhante ao de Amin. Depois de disputar duas vezes o governo do Estado, vai tentar recuperar a cidade que o projetou – Chapecó. Amin tem mais chances.

- A Casvig, dos Berger, foi a principal prejudicada pela redução drástica dos gastos do governo estadual com terceirizados no segundo mandato. Vem daí boa parte dos R$ 170 milhões que o secretário de Administração Antonio Gavazzoni (DEM) diz ter cortado no custeio da maquina estadual em 2006. Nunca é demais lembrar que DEM é o novo nome do PFL e que o PFL não engole Dário Berger desde que ele deixou o partido, em 2003, para viabilizar a candidatura a prefeito da Capital. O DEM que vai tentar tudo para ser a terceira via da eleição, com o deputado César Souza Júnior aliado a outro “marido traído”: o PSDB do vereador Walter da Luz e, principalmente, do deputado Marcos Vieira.

- A Operação Moeda Verde não deu em nada até agora (tirando as cassações de Marcílio e Juarez). Mas o seu cadáver vai ser exumado durante toda a campanha eleitoral até que se descubra se seu DNA tem genes Amin ou Berger. Ou se é um transgênico.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Pequenas novidades de Brasília

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou na segunda-feira um recurso do governador Luiz Henrique (Pmdb) que pedia que uma ação por propaganda eleitoral antecipada fosse julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Não se trata do famoso Recurso Contra Expedição do Diploma 703 - a ação da coligação liderada por Esperidião Amin (Pp), candidato derrotado em 2006, que pede a cassação do governador. Esse caso é pontual e tem como punição apenas uma multa de cerca de R$ 50 mil.

O objeto da ação é o caderno "40 meses de mudanças", publicado quando LHS renunciou ao governo para disputar a reeleição fora do cargo. O caderno trazia, ahn, digamos, reportagens sobre o período do governador à frente do Estado, recheado por, ahn, anúncios de empresas louvando os três anos de governo. Na publicação, Luiz Henrique dava sua primeira entrevista fora do cargo, falando sobre a candidatura à reeleição e os planos para o segundo mandato. Tudo isso em abril de 2006, antes do início do período de propaganda eleitoral.

Por causa desse caderno, LHS foi condenado no Tribunal Regional Eleitoral. Recorreu ao TSE, que manteve a punição. Ontem, sofreu mais uma revés, ao tentar "subir" o caso para o STF. É uma questão menor, uma pequena multa (mais um carro vendido, talvez), mas pode ter algum reflexo na defesa de LHS no julgamento do RCED 703.

O recurso do LHS tinha como base o entendimento de que a punição por causa do caderno iria contra o direito constitucional à livre manifestação e liberdade de informação. O ministro Marco Aurélio Mello refutou a argumentação de forma enfática. Para ele, as restrições à veiculação de propaganda eleitoral "não afetam os direitos constitucionais da livre manifestação do pensamento e de liberdade de informação e comunicação".

Onde entra o 703 nessa história? O caderno "40 meses de mudanças" faz parte também daquele processo e a tese rejeitada ontem era uma das que a defesa estudava usar na ação principal. Mas o que não vai faltar é tempo pra pensar. O acórdão da sessão que marcou a volta do julgamento à estaca zero ainda não foi publicado. Com isso, o vice-governador Leonel Pavan (Psdb) não recebeu a notificação de que também faz parte do processo e tudo permanece igualzinho no reino dos rotos e dos esfarrapados.

Enquanto isso, Manoel Mota (Pmdb) e Joares Ponticelli (Pp) se degladiam na tribuna da Assembléia Legislativa.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

A Batalha dos Aflitos

O goleiro olha pro jogador que vai bater o pênalti, para a bola na marca a nove metros e quinze de distância, pro barulho irritante da torcida adversária, pro silêncio estupefato dos seus - dentro e fora de campo. Olha tudo isso e certamente pensa que não foi para acabar assim que foi engendrada a maior aliança política da história de Santa Catarina. Que se dividiu com precisão cirúrgica os espaços que cada liderança aparentemente inconciliável ocuparia naquele palanque, naquele governo. Mas é o que acontece. Um ano e dois meses depois de reassumir o cargo ganho nas urnas, o governador Luiz Henrique vê toda a estratégia que possibilitou a vitória sobre o tradicional adversário, Esperidião Amin, na marca do pênalti.

Os exageros na campanha de 2006 geraram as acusações de uso da máquina administrativa, abuso de poder econômico e dos meios de comunicação, que resultaram no Recurso Contra Expedição de Diploma 703, em julgamento no TSE. Acusação igual foi julgada no TRE antes de LHS tomar posse. Na época, por 4 votos a 2, os juizes do tribunal local reconheceram os abusos, mas prevaleceu a tese de que eles não seriam os responsáveis pela vitória de LHS sobre Amin, por mais de 180 mil votos.

A tese não encontrou guarida entre os três ministros do TSE que votaram até agora. José Delgado, Ari Pargendler e Gerardo Grossi foram enfáticos na constatação do abuso do poder e não reservaram uma linha sequer para questionar a potencialidade que as possíveis irregularidades teriam para dar a LHS a reeleição.

Crime e castigo, apenas.

Agora, LHS não pode ter sequer mais um voto contrário. Não importa que haja espaço para recursos e protelações. Se receber o quarto voto e tiver determinada a cassação pela principal instância eleitoral do país, o governo passa a ficar sub judice - e o governador ganha um estigma. Como tem Paulo Afonso Vieira, com o escândalo dos precatórios, e Amin, com as acusações de que teria quebrado o Besc. Com a liderança de LHS enfraquecida, a tríplice aliança não deve chegar nem até às eleições municipais, em outubro.

No banco de reservas, se aquecem Michel Temer, Nelson Jobim, Jorge Bornhausen e quem mais puder entrar no jogo. As pressões no campo político e jurídico se intensificam. Quando foi dado o primeiro voto pela cassação, em agosto, Luiz Henrique escalou o advogado José Eduardo Alckmin - ex-ministro do próprio TSE. Ele continua, agora com reforços. Até o secretário de Coordenação e Articulação Ivo Carminati e o de Administração Antônio Gavazzoni deixam de lado as questões de governo e se juntam à força-tarefa que vai tentar preservar o mandato do governador.

É a hora da retranca. E de pedir conselhos a Joaquim Roriz.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Comentários que são posts

O jornalista Mário Coelho Jr. passou por aqui e lembrou mais uma história envolvendo Amin e Brizola, como a do post abaixo. Essa ele nunca tinha me contado e deve fazer parte do repertório que ele colecionou trabalhando na campanha de Amin à reeleição, em 2002. Segue abaixo:

"Tempos depois, o Brizola chamou o Amin de 'biruta de aeroporto', que vira para onde o vento passa. Lembro depois, em 2002, do Brizola voltando a SC para uma reunião que acabou em apoio a Amin. Pedro Schmitt pergunta para o velho caudilho o que tinha mudado da época da biruta para aquele dia. Brizola riu e respondeu dizendo que ele e Amin eram grandes amigos, e que a comparação era brincadeira de amigo. O caudilho realmente faz falta."

Na campanha de 2006, Amin volta a meia citava alguma história envolvendo o líder pedetista. Uma ou outra até veio parar aqui no blog. Em seu site de campanha, Amin citava como arrependimento o fato de não ter apoiado Brizola nas eleições presidenciais de 1989. Na época, o catarinense apoiou o correligionário Paulo Maluf no primeiro turno e Fernando Collor no segundo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Fábulas e alianças exóticas

O jornalista Cláudio Humberto, ex-assessor de imprensa do ex-presidente Fernando Collor, tem um site de notas políticas que vale dar uma conferida por causa de antigas histórias que ele relembra. Há dois dias, ele narrou um episódio envolvendo a curiosa aliança que juntou Esperidião Amin e Leonel Brizola em 1986. Em comum, ambos sofriam com o êxito do plano cruzado – que acabou elegendo governadores peemedebistas em todos os estados brasileiros nas eleições daquele ano.

Para tentar conter esse avanço é que os tradicionais opositores acabaram trocando figurinhas, sem sucesso. No Rio de Janeiro, o então governador Brizola não conseguiu emplacar o vice, Darcy Ribeiro, que perdeu para Moreira Franco. Em Santa Catarina, a “Aliança Social-Trabalhista” (o Social vinha do S do PDS de Amin e o Trabalhista do T do PDT de Brizola) foi ensaiada um ano antes, na disputa pela prefeitura da Capital. O candidato era Chico Assis, que sofreu sua primeira derrota em disputas pelo comando de Florianópolis, para Edison Andrino. Em 86, o PMDB levou também o governo estadual, com Pedro Ivo Campos.

As conversas entre Amin e Brizola – exímios frasistas e contadores de histórias – devem ter rendido boas notas nas colunas políticas da época. No resgate de Cláudio Humberto, Amin conta uma fábula árabe para Brizola.

- O urubu queria se vingar da cobra e contou à raposa: “Quando a cobra sair do buraco, dou uma bicada em cada olho e ela acaba morrendo”. A raposa ponderou que havia risco e sugeriu: “Vá à cidade, roube uma jóia da moça mais bonita e uma multidão vai atrás de você. Voe para o buraco da cobra, atire a jóia lá dentro e a turba vai matá-la para você”.

Brizola não entendeu a analogia e Amin explicou. Naquele momento, o Urubu era o PMDB e o governador fluminense, a cobra.

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Leia a nota publicada no site do Cláudio Humberto clicando aqui (é a última nota).

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Pronto pra briga

O Golf branco do ex-governador Esperidião Amin (PP) traz três adesivos no vidro traseiro. No canto superior esquerdo, o número 11 do PP visivelmente recortado de um adesivo que sobrou da campanha eleitoral do ano passado. Abaixo, colado por cima do 11, um adeviso verde escrito: cidade limpa. Começou a campanha eleitoral para a prefeitura da Capital.

Ah... o terceiro adesivo, no canto inferior direito, era um distintivo do Avaí.

domingo, 15 de julho de 2007

Colher de fora

O ex-governador Esperidião Amin (PP) e a ex-prefeita Ângela Amin (PP) despontam como favoritos para a disputa pelo comando da Capital no próximo ano. As prévias devem ser disputadas no café da manhã, como bem frisa um relevante pepista.

- Isso não é uma questão partidária, é um problema de casal.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Construir estradas é governar

Das 279 emendas parlamentares apresentadas ao Orçamento do próximo ano, 96 delas são para obras de infra-estrutura – estradas, pontes, viadutos. O número de emendas é praticamente o triplo do destinado às áreas de saúde e educação, além de ser exatamente 96 vezes maior que o de emendas para o saneamento básico (é, foi uma só).

Esse tipo de obra gera a visibilidade que costuma garantir mais de um mandato a um deputado e que pode até mesmo chegar a mudar a conduta histórica do eleitorado de um pequeno município. Perguntei a um prefeito do PP de um município da Grande Florianópolis as razões da vitória de Luiz Henrique (PMDB) na localidade no primeiro turno, considerando que Esperidião Amin (PP) sempre venceu na cidade e que o partido comanda a prefeitura. Ele não titubeou:

- O Luiz Henrique asfaltou um trecho da rodovia que passa aqui. É uma obra muito importante.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Comentando o comentário

Um leitor anônimo colaborou com algumas informações sobre os desejos políticos do presidente da Câmara Municipal, Marcílio Ávila (PMDB). Lembrou que Ávila ainda não desistiu de concorrer à Prefeitura em 2008, além de ser apontado como um provável vice na chapa de Dário Berger (PSDB). Por isso, a Secretaria Regional da Grande Florianópolis lhe cairia bem. Bem demais, provavelmente pensam alguns de seus aliados.

- Setores do seu PMDB ainda devem ver nele o vereador que se elegeu em 2004 pelo PP - e trocou pelo PSDB por causa da disputa para a mesa diretora da Câmara e para apoiar Berger.

- Tucanos devem lembrar que ele deixou o partido há menos de seis meses por querer ser candidato a prefeito já em 2008.

Isso deve pesar na dificuldade que enfrenta para emplacar seu nome na Regional da Grande Florianópolis. Nesse caso a Santur ficaria na medida para que Marcílio tivesse alguma evidência, mas não a necessária para forçar uma candidatura própria em uma eleição que deve ser disputada entre Berger e Esperidião Amin (PP).

Marcílio planejou tudo. Só não contava com o fantasma de Amin obrigando PMDB, PSDB e PFL a andarem juntos também na Capital...

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Uma espada para LHS

Na movimentada sessão do TRE que absolveu Luiz Henrique das acusações de abuso de poder político e econômico - livrando o governador reeleito do fantasma da inelegibilidade - o anti-climax acabou sendo justamente a leitura do voto do juiz Marcio Luiz Fogaça Vicari, que foi a base para a absolvição. Vicari pediu vistas ao voto do relator José Trindade dos Santos, que na semana passada aceitou a representação dos partidos que apoiavam a candidatura da Esperidião Amin (PP) e pediu a condenação do eleito.

Depois de um hora de citações e jurisprudências e alguns pedidos de desculpas pela demora para a conclusão, Vicari afirmou que embora tenha havido uso indevido dos meios de comunicação em favor de LHS por parte dos jornais filiados à Adjori (Associação dos Jornais do Interior), não era possivel quatificar o quanto isso teria sido decisivo na vitória do peemedebista.

A sessão seguiu e a disputa estava em 3 a 2 a favor de Luiz Henrique quando chegou a hora do voto do juiz Jorge Antonio Maurique. Bem-humorado, ele acompanhou o voto de Vicari e garantiu a vitória dos governistas - mas não perdeu a chance de ironizar o colega ao elogiar.

- Seu voto foi como uma espada. Não por ser grande e chato, mas por ser cortante e preciso.

Futurologia aplicada

O engenharia da tríplice aliança em Florianópolis na eleição de 2008 teria Dário Berger (PSDB) candidato à reeleição, um peemedebista de vice e o PFL com a presidência da Câmara Municipal. O acerto valeria já para a eleição da mesa diretora do legislativo municipal que acontece em dezembro. Embora afague o candidatíssimo João da Bega (PMDB), o governador Luiz Henrique deseja que Dário apóie um pefelista - Ptolomeu Bittencourt e Jaime Tonello são os postulantes do partido. O PFL teria o direito de manter o cargo na próxima legislatura.

Nas projeções de Luiz Henrique - e ele é bom nisso -, Dário deixaria a prefeitura em 2010 e o PMDB herdaria a Prefeitura. Dário faria dupla com o próprio Luiz Henrique na disputa para o Senado, já que Pavan estaria no comando do Governo do Estado e buscaria a reeleição.

Nessa costura palaciana, os riscos maiores são do tucano Dário. A pujança da tríplice aliança na Capital pode acabar obrigando a oposição a lançar nome do único candidato considerado imbatível na cidade: Esperidião Amin.

Duas vezes derrotado por Luiz Henrique, o ex-governador pode ser o trunfo do PP para evitar a reeleição de Dário em 2008. Vale lembrar que Amin venceu Luiz Henrique na Capital com mais de 60% dos votos válidos. Se as conversas com o PT frutificarem durante o próximo ano é possível até imaginar um vice petista - que poderia assumir a prefeitura dois anos depois, no caso de Amin tentar o Governo mais ou vez ou o Senado.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Não existe conhecimento inútil

Parado em pé em frente à TV que divulgava os últimos números da apuração da disputa pelo Governo do Estado e cercado pelos jornalistas que esperavam por sua declaração oficial de reconhecimento de derrota, Esperidião Amin foi interpelado por um fiscal de sua campanha. Ele queria entregar ao "chefe" os boletins de urna na seção eleitoral do bairro Costeira do Pirajubaé. Amin observou os números e destacou a vitória de Lula na região - invertendo o resultado do primeiro turno, que favorecera Alckmin.

Minutos depois, o ex-governador afirmou que antes da entrevista queria falar pelo telefone com "alguém do PT" e com o vice Hugo Biehl. Falou primeiro com o José Fritsch e depois com a senadora Ideli Salvatti. Sem conhecer os números da disputa presidencial no Estado, Amin lembrou dos boletins de urna vistos pouco antes e pediu para a senadora transmitir um recado:

- Diga ao presidente Lula que nós viramos na Costeira do Pirajubaé!

Esperidião, um brizolista

Nem parecia que o resultado das urnas confirmava a derrota. O clima no comitê de campanha da candidatura de Esperidião Amin era quase de euforia. O candidato até fazia graça com os números que eram divulgados, lembrando Leonel Brizola e dizendo "ainda faltam as urnas da Rocinha". Depois, explicou:

- Em 86, naquela eleição que o PMDB elegeu todo mundo por causa do Plano Cruzado, o Moreira Franco estava ganhando no Rio e a gente queria reconhecer a derrota. Mas o Brizola dizia que ainda faltavam as urnas da Rocinha. Quando as urnas chegaram, o Moreira Franco ganhou lá também - explicou Amin, às gargalhadas.

No site de campanha de Amin havia uma entrevista em que o candidato afirmava ter se arrependido de não ter apoiado Brizola em 89, na eleição que elegeu Collor. O que não fazem quatro anos na UFSC...

domingo, 22 de outubro de 2006

O profeta

Para todo jornalista que puxava conversa nos minutos que antecederam a entrevista coletiva do ministro Tarso Genro, na sexta-feira, o deputado Carlito Mers (PT) não cansava de lembrar uma conversa que teve com Esperidião Amin há dez anos.

- Eu disse pra ele. Quando você se livrar do Jorge [Bornhausen], a gente vai conversar.

O deputado reeleito também lembrava que advertiu dos perigos de apoiar Luiz Henrique no segundo turno da eleição passada. Na época, as outras lideranças do PT catarinense (Ideli Salvatti, Fritsch, Milton Mendes) disseram que Carlito não devia colocar rivalidades regionais na frente do interesse estadual.
 
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