quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Estaca zero, mesmo

Quando foi determinado que o processo de cassação do governador Luiz Henrique da Silveira (Pmdb) fosse reiniciado para que o vice, Leonel Pavan (Psdb), fosse citado, um debate - entre muitos - começou. O processo havia ou não voltado à estaca zero? 

Para os governistas era claro. Como o voto dos ministros pode ser alterado e uma nova defesa seria apresentada, nada garantia que o placar - que apontava 3 a 0 contra LHS - seria obrigatoriamente mantido. Os oposicionistas alegavam que o acórdão não invalidava os votos dados.

Agora, pode-se dizer tranquilamente que o jogo está novamente zero a zero. Os três ministros que que votarem pela cassação do governador estão fora do TSE. A despedida de Gerardo Grossi já havia se dado no dia em que o tribunal votou pela citação de Pavan. Em seguida, foi a vez de José Delgado, o relator do processo que, em sua argumentação, fundamentou o voto pela cassação.

Hoje, surge a notícia de que se despede Ari Pargendler. Ele foi o ministro que pediu vista ao parecer de Delgado e, oito meses depois, deu um voto ainda mais incisivo pela cassação. Com isso, o processo - com outro relator, o ministro Felix Fischer - será analisado por um grupo de ministros bem diferente do de fevereiro.

Não que as coisas tenham melhorado muito para os governistas. Na época, Marcelo Ribeiro e Carlos Ayres Britto deram indicativos de que também teria votado pela cassação. Britto, inclusive, era contra a citação de Pavan e foi veemente na argumentação que derrubou a tentativa de Marco Aurélio Mello, então presidente do TSE, de arquivar a ação. 

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

No reino animal

A fábula é bastante conhecida e muito citada. Cansados dos contínuos ataques do gato, os ratos fazem uma assembléia para encontrar uma forma de dar fim àquele tormento. A idéia mais aplaudida é a do rato que sugere pendurar uma sineta no pescoço do felino de forma que todos o ouçam quando ele se aproximar. Festa entre os ratos, idéia genial, etc. Até que um deles, mais pragmático, pergunta: quem pendura a sineta no pescoço do gato?

Da forma que é contada, história sempre acaba aí - deixando implícia a moral de que uma idéia só é boa se puder ser colocada em prática. No entanto, se a fábula se passasse em Joinville, teria final diferente. Sete ratos disputariam no voto o direito de pendurar a sineta no pescoço do gato. São eles:

R-11
"É muito rato apadrinhado. Com o queijo que dão para eles dava para fazer sete sinetas e pendurar em sete gatos."

R-12
"Eu tava com a antiga turma que ia pendurar a sineta no gato, mas me deixaram de lado porque sou jovem e dinâmico. Com o voto de vocês, vou fazer uma revolução e tirar esse gato do caminho"

R-13
"Companheiros ratos. Peço mais uma chance de livrar a todos desse gato. É a quinta vez que peço e dessa vez não estou sozinho. Com ajuda do presidente Lula já tenho garantido o financiamento da sineta, dentro do PAC. "

R-15
(fica em silêncio, quem fala é outro, mais velho, de bigodes mais destacados) "Você me conhece e sabe o quanto gosto daqui. Meu amigo já espantou os gatos lá de onde ele morava e tem me ajudado a acabar com os felinos por toooda santa catarina. Pra acabar com o gatos, é 15. E o 15 agora é ele". O primeiro finalmente fala: "vamos pendurar juntos".

R-16
"O gato é o imperialismo capitalista. Só um governo formado por ratos trabalhadores pode dar fim a esse esquema perverso de exploração. Sineta? Que sineta?"

R-25
"Ajudei em todas as tentativas de colocar a sineta no gato nos últimos 20 anos e agora chegou a minha vez de comandar. Tenho a experiência das vezes em que quase deu certo e garanto que daqui quatro anos todos os gatos que aparecerem estarão com sineta no pescoço"

R-43
"Vocês não me conhecem, mas eu conheço a solução de todos os problemas. Sineta é pouco. O que precisamos é de uma coleira eletrônica com oito alarmes e gps, para ter sempre a exata posiçao do gato. É possível, basta conhecer as minhas idéias".

Em outubro saberemos quem vai cuidar do gato e dos ratos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

"O peixe tinha seis metros, te juro"

Na estréia do horário eleitoral gratuito, Mauro Mariani (Pmdb) abriu alas para seu maior cabo eleitoral: o governador Luiz Henrique (Pmdb). Com depoimentos diferentes no programa da tarde e no da noite, o governador ocupou a maior parte do programa do peemedebista com a ingrata missão de fazer decolar uma candidatura que patina abaixo dos 5% de intenção de votos.

Luiz Henrique fez questão de dizer que o 15 agora é de Mariani e comparou o candidato a ele mesmo e ao ex-governador Pedro Ivo, até hoje referência do partido na cidade. Para motivar a militância, LHS lembrou a eleição para o governo do estado em 2002, quando desbancou o favorito Esperidião Amin (Pp).

Foi aí que se empolgou. Disse que no começo daquela eleição contavam com apenas 6% dos votos e, mesmo assim, acabou eleito.

Uma pesquisa no arquivo do AN e outra no do Ibope mostram que não foi bem assim.

No mesmo estágio da campanha atual, em 18 de agosto de 2002, o AN publicava pesquisa encomendada ao Brasmarket que colocava Amin com 48% e LHS com 23%. Fritsch (Pt) aparecia distante com 10%.

Dois meses antes, o Ibope realizou a primeira pesquisa em Santa Catarina. Os números eram semelhantes: Amin 50%, LHS 21% e Fristch 6%.

Nas urnas, em outubro, Amin ficou na frente com vantagem menor que a esperada, alcançando cerca de 40%. Luiz Henrique disputou voto a voto com Fritsch a vaga no segundo turno - 29% a 27%. No segundo turno, o peemedebista venceu por cerca de 20 mil votos de diferença e foi eleito governador.

Uma virada épica, com certeza. LHS não precisava exagerar.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Vai continuar assim?

O Tribunal de Justiça condenou o senador Raimundo Colombo (DEM) e o prefeito de Lages Renato Nunes (PP) a uma multa de R$ 20 mil em favor do mendigo Sebastião de Jesus por danos morais. A condenação é resultado da campanha de ambos a prefeito e vice de Lages em 2000.

Um folheto da chapa que reunia Colombo e Renatinho trazia a imagem de Jesus com uma pequena tarja sobre o rosto e as palavras "desalento", "desânimo", "desleixo" e "desrespeito", além da frase "Você vai deixar que Lages continue assim?". Jesus é deficiente físico e foi personagem de duas reportagens em um jornal local sobre o crescimento do número de pedintes na Serra catarinense.

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Quando as campanhas eleitorais descem ao nível mais rasteiro, esse tipo de coisa tende a acontecer. Mas o que chama atenção são as mudanças na política de Lages nesses oito anos.

- Renato Nunes herdou a prefeitura após a renúncia de Colobo, em 2006, para concorrer e vencer a disputa pelo Senado.

- Colombo passou a integrar o grupo político que apoia o governo Luiz Henrique (PMDB).

- Nunes segue no PP e é candidato à reeleição.

- Colombo indicou o vice para a chapa do ex-prefeito e deputado federal Fernando Coruja (PPS)

- Quem respondia pela administração de Lages em 2000 era Decio da Fonseca Ribeiro. O culpado - segundo Colombo - pelo então "desalento", "desânimo", "desleixo" e "desrespeito", era sucessor de Coruja e integrante do mesmo grupo político.

Moral da história: As duas maiores lideranças de Lages estão no mesmo barco após mais de uma década de disputa e o mendigo agora tem R$ 20 mil no bolso. Depois dizem que o povo não ganha nada com o bate-boca eleitoral.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O primeiro debate

Foi bem interessante o primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de Joinville, trasmitido e realizado ontem pela TVBV. A tradição da Band (seguida pelas afiliadas) de fazer sempre o primeiro confronto acaba fazendo com que os debates da emissora sirvam de teste para todos os outros encontro. Hora de ver o que funciona ou não, de correr poucos riscos.

Nesse sentido, Darci de Matos (Dem) surpreendeu ao fazer a primeira pergunta justamente para o principal adversário, Carlito Merss (Pt). Geralmente quem lidera as pesquisas foge do confronto. Mas o candidato demista parecia nervoso demais e gastou a chance alfinetar o petista com uma pergunta boba. "Explique porque o senhor só enaltece os problemas de Joinville?". Darci tentou levar para o debate a pecha de que ele não gosta da cidade que pretende governar - que talvez funcione nas ruas ou nos almoços partidários, mas nunca em rede estadual.

Foi a chance que Carlito - até então tímido - teve para falar de todas as ações que beneficiaram Joinville nos seus três mandatos como deputado e falar aquelas frases de político profissional, no estilo "amo essa cidade que me acolheu", "posso fazer muito mais como prefeito", etc. Na réplica, Darci insistiu e disse que Carlito não conhece bem a cidade porque fica muito em Brasília - e que deve permanecer por lá, por ser um "deputado razoável". Na tréplica, outra cortada petista.

Constrangedor.

Mais cauteloso, Mauro Mariani (Pmdb) tentou jogar o debate para a questão da saúde, apontada pelas pesquisas internas como área de maior insatisfação entre os joinvilenses e que deve ser o principal tema de sua campanha. Pediu a Rogério Novaes (Pv) que falasse sobre o assunto. O candidato verde foi a surpresa do debate. Desenvolto, claro nas propostas, falou sobre a necessidade de construir um hospital na zona sul e outro na zona norte, criando 400 leitos, e de terminar o Pronto-Atendimento do bairro Aventureiro. Deixou Mariani sem ter o que falar na réplica. O peemedebista limitou-se a ressaltar a presença do doutor Xuxo (José Aluísio Vieira, do Pps) como vice da chapa e falar na ampliação do Programa Saúde da Família.

A bola voltou para Carlito, que resolvou tabelar com Kennedy Nunes (Pp). A pergunta: o que ele acha do Restaurante Popular. A experiência de apresentador de tevê faz Kennedy se sair muito bem nesse tipo de encontro e a pergunta ajudou. Ele lembrou que prometeu construir um restaurante desse tipo quando foi candidato em 2004 e que a idéia foi ridicularizada por Marco Tebaldi (Psdb), que acabou eleito e hoje banca o restaurante feito pelo governo federal. Kennedy ressalvou que é preciso criar critérios para que só os necessitados possam utilizar o serviço.

Na estranha posição de ser vice-prefeito e candidato de "oposição" ao mesmo tempo, Rodrigo Bornholdt (PDT) focou seu discurso na área de segurança pública. Prometeu criar uma "mega-secretaria" que englobasse segurança e desenvolvimento social. Foi sobre o tema que dirigiu a pergunta a Darci de Matos, que também também prometeu criar uma nova estrutura para a área - mesmo ressaltando que o tema é competência do governo estadual.

Kennedy perguntou a Mariani o que ele achava dos serviços de água e esgoto de Joinville. O peemedebista puxou a sardinha para seu lado e garantiu que entende do assunto por ter sido relator da Cpi que investigou a Casan, no primeiro mandato de Luiz Henrique no governo estadual. Falou da tarifa cobrada pela Águas de Joinville, mais cara que as outras da região. Nesse ponto Kennedy foi incisivo. Deu números: "40% mais cara que em Jaraguá, 30% mais cara que São Francisco". E foi o primeiro candidato a prometer abrir uma caixa-preta nas eleições deste ano. No caso, a da companhia municipal de água e abastecimento.

Por último, Rogério Novaes (Pv) voltou ao tema da criação de uma secretaria de segurança municipal. Disse defender a idéia desde 2004, quando era candidato a vice de Carlito, e perguntou a Rodrigo porque ele não defendeu a idéia dentro da atual prefeitura, já que é vice. Rodrigo se saiu bem. No melhor estilo Lula, recorreu ao futebol e disse que o vice é apenas "um reserva com vontade de entrar em campo e fazer alguma coisa".

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Assim foi o confronto no primeiro bloco com perguntas entre os candidatos. Foi o que acompanhei melhor. Antes, eles responderam perguntas de joinvilenses entrevistados pela TVBV. Depois, foi a vez das perguntas dos jornalistas convidados e da produção da emissora. Essas últimas, um tanto constrangedoras. Chegaram a perguntar a Kennedy como ele trataria as greves de motoristas e cobradores de ônibus. Pertinente em Florianópolis, a pergunta não faz sentido em Joinville, onde a categoria é dócil. Foi mais ou menos o que disse o pepista, aproveitando o resto do tempo para falar de transporte coletivo. Para fechar, mais um bloco de perguntas entre os candidatos - que eu não acompanhei.

O post já está longo, vamos para as considerações finais:

Carlito (Pt) - Começou tímido e foi se soltando. Evitou confrontos e se apoiou em ações do governo federal na cidade. Pela primeira vez em suas cinco campanhas, tem o que mostrar.

Darci (Dem) - O mais nervoso. Partiu para o confronto com o Carlito de forma desajeitada. Se era para constranger o petista, melhor falar sobre os votos que ele deu em favor da CPMF e da CSS ou de sua posição sobre o aborto. Se saiu bem quando não teve medo de defender o governo Tebaldi. Ao responder sobre os corredores de ônibus que estão sendo implantados a toque de caixa, defendeu a prefeitura sem titubear.

Edílson Nunes (P-Sol) - É uma piada. O mais irrelevante foi justamente o único ausente, representado por uma cadeira vazia. Não parece estar em concorrendo. Não atende telefone para entrevistas, não se preocupa em aparecer.

Kennedy (Pp) - Tem intimidade com a câmera e leva vantagem por isso. Foi firme, usou bem o tempo, bateu em questões importantes.

Mariani (Pmdb) - Parecia menino pequeno visitando a tia que mora em outra cidade. Foi tímido, não conseguiu se destacar. Em algumas respostas, não conseguiu fugir daquele cacuete de político que responde sem dizer nada.

Rodrigo Bornholdt (Pdt) - Fora a dificuldade de se mostrar independente sendo parte do atual governo, Rodrigo foi bem. Claro no discurso, pegou para si o tema da segurança pública e não largou. Vai ter que explicar o que uma secretaria municipal de segurança pública pode fazer na prática. Florianópolis tem a sua, sem que ninguém perceba.

Rogério Novaes (Pv) - Respostas objetivas, discurso claro. Novaes foi bem. Levou para o debate a mesma naturalidade com que resolve os problemas de Joinville por telefone, quando é entrevistado. Carlito tinha razão quando dizia que a candidatura verde qualificaria o debate. Deve ser o Cristóvão Buarque da eleição.

O vencedor: O eleitor, que teve chance de conhecer os candidatos e suas propostas para o futuro de Joinville.



Brincadeira, brincadeira. Essa última é piada.

Não acredito em debates. O primeiro que eu na vida foi do Alceu Collares (Pdt) contra o Nelson Marchezan (Pds) nas eleições pelo governo gaúcho em 1990, acho. Levou uns dez anos para eu entender que, assim como no futebol, ninguém troca de time só porque o adversário joga mais bonito.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Vamos ouvir os leitores

Diariamente recebemos uma pesquisa com a opinião dos assinantes sobre o jornal. Em meio a tantas respostas sobre a necessidade de ter mais palavras cruzadas e não repetir o horóscópo, algumas vezes surgem respostas que apontam caminhos e sugerem coisas interessantes. Foi o que aconteceu ontem.

Um leitor de Joinville disse que o jornal deveria ter mais Fórmula Indy, tabelas dos campeonatos espanhol e italiano, além de informações sobre a cidade de Canoininhas. Mas destacou o principal:

"Gostaria de ver no jornal o Hino do Grêmio-Poa, pois acho o Hino o mais bonito de todos os times do Brasil".

domingo, 13 de julho de 2008

Resposta

Uma leitora chamada Patrícia deixou comentário no último post. Ela disse:

Bem legal a retrospectiva histórica.
Mas pensei que a matéria iria contar porque o governador permitiu que o desembargador assumisse: aquilo que rola por trás dos bastidores, que "prestigiar" o Judiciário, fazia parte da contrapartida que o governador daria ao TJ por escolherem o Adriano Zanotto como novo desembargador. Mas, o advogado preferido do Governo acabou nem entrando na lista triplice, nao sendo eleito lá na OAB. "

Bom, Patrícia. Se o Zanotto tivesse sido escolhido desembargador, a matéria citaria essa questão. Mas o governo não conseguiu superar a resistência dos outros magistrados em relação ao nome dele, o que fez o advogado ser o quinto em uma lista de seis nomes enviados pela OAB. Assim, se a posse de Francisco Oliveira Filho estava vinculada à posse de Zanotto, não deu em nada. Talvez porque dez dias segurando a caneta de LHS sem tinta dentro valham exatamente isso: nada.

Obrigado pela visita e pelo comentário.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Em nome do prestígio

Às vezes uma pauta tira a gente da rotina de cobertura. Foi assim quando, no início da semana passada, o editor sugeriu que eu fizesse uma matéria sobre a engenharia política articulada para que presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Francisco de Oliveira Filho, assumisse o governo por dez dias.

A pauta não tinha nada demais, o DC também fez e publicou no mesmo dia. O que me fez gostar dela foi a possibilidade de misturar jornalismo e história. Tudo por causa de uma pergunta: quantas vezes um desembargador do TJ assumiu o governo estadual?

Alguns colunistas já tinham dito que seria a sétima vez, então liguei para a assessoria do TJ atrás de confirmação. Eles disseram que sabiam de seis casos, mas que não tinham registros anteriores a 1983. Passaram a relação dos seis nomes - com dados mais exatos apenas nos últimos quatro casos (data exata da posse e permanência no cargo, basicamente).

Não fiquei satisfeito enquanto não achei as datas e os motivos que levaram aqueles desembargadores a tomarem conta do estado. Acabei esbarrando numa lista de todo mundo que já assumiu o governo catarinense e pude somar mais dois desembargadores na lista do TJ. Um em 1915 e outro em 1922. Com os nomes, bastou uma rápida olhada no "Dicionário Político Catarinense" que comprei numa banquinha de livros usados da Praça XV por três reais. Lá estavam as datas de posse e o tempo no cargo, pelo menos.

Na hora de escrever, quase esqueço que o gancho era a engenharia feita pelo Luiz Henrique (viajou, mandou o Pavan viajar e pediu pro Júlio Garcia não assumir) e não a questão histórica. Não importa. Sou fascinado pela história política catarinense e me diverti descobrindo que o segundo desembargador a ter a honra de assumir o governo (João da Silva Medeiros Filho) era genro do então governador (Hercílio Luz). Terá alguém denunciado nepotismo?

Ainda quero descobrir porque Hercílio Luz resolveu "prestigiar" o marido da filha com quatro dias no comando do estado. Não vai render matéria, talvez nem texto aqui no blog. Mas, certamente, tem mais importância que a interinidade de Francisco de Oliveira Filho ou de qualquer outro magistrado substituindo governador. Alguns dias de assinaturas em projetos irrelevantes, concessões de títulos irrelevantes, discursos em eventos irrelevantes e egos massageados.

Desde 1915.

(clique na imagem para ler a matéria)

sábado, 28 de junho de 2008

Um ano e oito meses depois, o acerto

O candidato a vice na chapa de Esperidião Amin (Pp) à prefeitura da Capital deve ser o sociólogo Paulo Renato de Souza, do Ptb. Pelo menos é o que dizem um ou outro colunista político em seus blogs. A confirmação do petebista consolida uma aliança que poderia ter acontecido no segundo turno das eleições para o governo do estado, em 2006.

Na época, com Luiz Henrique e Amin ainda no páreo, Antônio Carlos Sontag, quarto colocado na disputa, foi o último candidato a definir quem apoiaria no segundo turno. Valorizou o passe - conversou com o pepista e o peemedebista antes de finalmente apontar seu apoio a LHS. Não tardou para que a coordenação de campanha de Amin divulgasse uma nota um tanto contrangedora contendo a relação de cargos pedidos por Sontag para apoiar o oposicionista (clique na imagem para ampliar).

Sontag negou os pedidos, que incluiam uma secretaria de Estado (a definir), cargos no Detran, Inmetro e a diretoria financeira da Celesc. Mas não faltou gente dentro da campanha do empresário admitindo a escolha por LHS ter se devido à idéia de que embora cheio, o "ônibus" do peemedebista tinha mais gasolina. E, assim, morreu na casca o apoio de Sontag a Amin, Luiz Henrique se reelegeu e etc. Provavelmente se reelegeria de qualquer forma.

O que mudou em um ano e oito meses para Sontag e Amin acertarem os ponteiros e garantirem a aliança dos dois partidos não só na Capital, mas também em Joinville? O acerto na maior cidade do estado, inclusive, com intervenção direta de Sontag, já que o partido (e toda a Igreja Quadrangular) já estava fechado com Darci de Matos (Dem).

Bom. Se a lista de pedidos feita a Amin em 2006 era legítima, nunca vamos saber. Mas um dos cargos relacionados nela relacionados foi pedido a LHS em troca do apoio: a diretoria financeira da Celesc. O indicado de Sontag seria o Ênio Branco, mas o empresário acabou perdendo a disputa para Júlio Garcia (Dem), que conseguiu emplacar uma indicação.

Sontag perdeu também a sigla que controlava o estado, o PSB. Foi pego de supresa com a filiação do deputado federal Djalma Berger (então PSDB) logo no começo de 2007. Berger ganhou a franquia do PSB em Santa Catarina e deixou bem claro não tinha espaço dentro dela para o concorrente - sempre lembrando que os Berger são donos da Casvig e Sontag responde pela EBV.

Sobrou ao empresário gaúcho radicado em Florianópolis buscar abrigo no PTB do deputado Narcizo Parizotto, que já o tinha apoiado em 2006. O deputado deixou a Sontag o cargo de presidente estadual da sigla.

Agora é a hora do troco. Será que dessa vez, na lista apresentada a Amin o único pedido era "vingança". Em 2009, saberemos.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Enquanto isso, na cidade dos príncipes...

São mais de seis meses de flerte, mas eu e a política joinvilense ainda estamos apenas nos conhecendo. Fui transferido da sucursal de Florianópolis para a sede do A Notícia em dezembro, mas no começo continuei cobrindo mais as questões estaduais - mesmo à distância. Essa rotina era interrompida por uma ou outra questão judicial envolvendo a prefeitura. Como aqui o Ministério Público tem um bocado de ações contra o Tebaldi, não foi pouca coisa.

Só comecei mesmo a mergulhar na política joinvilense após a reforma do jornal, quando acabou o caderno AN Cidade e a cobertura política local foi incorporada pela editoria de... política. Isso foi em abril, em um momento em que este blog ficou um tanto às moscas. Por isso, nenhuma história de Joinville apareceu aqui.

Não foi por falta de merecimento, admito. A eleição municipal em Joinville tem tudo para ser tão divertida quanto à da Capital. Não teremos Dário Berger (Pmdb) e Esperidião Amin (Pp) querendo um o fígado do outro, nem o sorriso de Angela Albino (Pcdob). Mas existem compensações.

Temos alguns meses para descobrir se o "forasteiro" Mauro Mariani (Pmdb) vai decolar, se o Carlito Merss (Pt) consegue colher só os louros do governo Lula ou se os desgates vem junto e, claro, a grande pergunta: por que diabos o Luiz Henrique não quis apoiar o Darci de Matos (Dem) se era a forma mais fácil de manter a tríplice aliança em sua base eleitoral.

Até segunda todos os nomes estarão na mesa e a campanha começa para valer. Porque, até agora, a única coisa em discussão parece ser o passe do Dr. Xuxo (Pps).

Glossário:

- forasteiro: Duas vezes prefeito de Rio Negrinho e deputado federal mais votado do Pmdb na última eleição, Mariani transferiu o título este ano para Joinville. É a grande aposta de LHS para as eleições municipais e por isso veio de mala e cuia para a cidade, comprou um celular 47 e é um dos mais assíduos jogadores de dominó da praça Nereu Ramos. Mas as más línguas dizem que ele não sabe onde fica o bairro Boa Vista.

- desgastes: Carlito parte para a quinta tentativa de conquistar a prefeitura joinvilense e a grande novidade de 2008 é a impressão de que dessa vez ele tem chance. Vai tentar colar seu nome nas ações do governo federal em Joinville, como a implantação do campus da UFSC - e ter a missão ingrata de defender a CPMF nos debates.

- manter a tríplice: Darci conta com o apoio do PSDB de Tebaldi e tinha certeza de que o PMDB, sem nome forte para a disputa, cairia no seu colo. Só não contava com a vaidade de LHS, que resolveu mostrar pro mundo todo que em Joinville elege até poste. Mesmo assim, segue favorito.

- Dr. Xuxo: É o apelido de José Aluizio Vieira, presidente da Fundação Pro-Rim. Quando foi lançado pelo Pps como pré-candidato, todo mundo sabia que o acerto era ele ser o vice do Mariani, na impossibilidade do irmão dele, o suplente de deputado federal Antonio Carlos Vieira, deixar o Dem e se filiar ao Pps para ocupar o posto. Mas quando Xuxo viu nas pesquisas que tinha mais intenções de voto que o peemedebista, relembrou o antigo hit do Kid Abelha e se perguntou: "por que não eu?". É a incógnita da eleição até agora.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Relembrando 2006

O amigo e repórter do Notícias do Dia Alessandro Bonassoli relata em seu blog a sessão de ontem da Assembléia Legislativa, quando foi votada e aprovada a mudança nas regras da previdência estadual. Ele conta que os deputados governistas se abstiveram de defender o projeto em tribuna, deixando esse espaço todo para a oposição.

Isso tudo me lembrou a votação do projeto que permitia a venda das contas salário do funcionalismo - que pela Constituição catarinense não podiam sair do Besc. Isso aconteceu no final de 2006, quando Luiz Henrique já estava reeleito, mas Eduardo Pinho Moreira ainda respondia pelo governo.

Na época, os governistas também se calaram. O plenário cheio de besquianos, polícia e a oposição berrando (tinha mais gente na época) - enquanto os deputados da base estavam quase todos na antiga cantina do plenário.

Foi lá que eu perguntei ao Blasi, então líder do governo, se eles não iam defender o projeto.

- Upiara, tem horas em que a oposição discursa e a situação vota.

Antes de ir para o TJ, deve ter relembrado a técnica ao Herneus de Nadal, que ocupou seu posto. Não que precisasse, certamente.

terça-feira, 17 de junho de 2008

O debate que não terminou, recomeça

Desde a última campanha eleitoral e, principalmente, a Operação Moeda Verde, o prefeito Dário Berger (PMDB) diz querer enfrentar Esperidião Amin (PP) nas eleições desde ano. Se era bravata ou não, agora tanto faz. Com a confirmação de que o ex-governador será mesmo candidato, os dois devem polarizar a disputa em outubro e continuar aquele improvisado debate iniciando na Câmara de Vereadores, em 2006, que começou com gritos e terminou em boletins de ocorrência.

Para quem não lembra, ainda estava em disputa o primeiro turno das eleições para o governo estadual e a Câmara de Florianópolis – sob comando de Marcílio Ávila (então PMDB) – organizou um debate entre os candidatos. A presença de sete candidatos e o modelo engessado do debate esfriaram qualquer disputa entre Luiz Henrique, Amin e Fritsch.

O que esquentou a noite gelada (eu lembro porque voltei a pé para casa) foi a pergunta feita ao pepista por um dos jornalistas convidados. O repórter do jornal A Fonte queria saber se Amin era mesmo o dono da empresa de ônibus Transol – uma das muitas lendas políticas do município. Próximo ao jornalista, sentado ao lado do então líder do governo na Câmara, Juarez Silveira (então PTB), acompanhava o debate o prefeito Dário – em frente ao próprio Amin.

O ex-governador agradeceu à pergunta e disse a frase que fez Dário levantar-se da cadeira a iniciar o debate improvisado. Amin falou, com a mão espalmada:

- Eu tenho as mãos limpas. Não sou dono de empresa que presta serviço ao governo.

Um dos donos da Casvig, Berger se levantou para contrapor. Sem microfone em punho, suas palavras tiveram menos repercussão. Até porque, Amin, rapidamente encurralou Marcílio Ávila com uma pergunta.

- O senhor vai devolver o meu tempo ou vai abaixar a cabeça para o seu patrão?

Marcílio se viu obrigado a interromper a discussão, fazer o básico discurso sobre a Câmara de Vereadores não ter patrão e devolver o tempo perdido e a palavra a Amin. Que a usou como sempre. Bem. Acusou Dário de ter migrado para o PSDB (seu partido à época) junto com o irmão deputado Djalma em troca de contratos da Casvig com o governo estadual. Ainda se ouviu o prefeito gritar “denúncia requentada”, mas o fato político do debate estava pronto. E naquela mesma noite tem gente que jura ter ouvido Dário falar que queria enfrentar Amin em 2008. Se era bravata ou não, agora tanto faz.

Vai ser uma eleição divertida.

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Isso tudo aconteceu há menos de dois anos, mas não foram poucas as mudanças a serem apontadas.

- Dário trocou o PSDB pelo PMDB em setembro do ano passado. Meses antes, o irmão Djalma já deixara os tucanos, migrando para o PSB e a base aliada do presidente Lula.

- Em 2006, Marcílio Ávila e Juarez Silveira eram os donos do campinho chamado Câmara de Vereadores e hoje brigam na Justiça para reconquistar um lugar lá dentro. Mesmo que consigam, dificilmente terão a mesma relevância. Sem filiação, Juarez não teria nem como disputar a reeleição. Marcílio conseguiu um abrigo no PSB de Djalma Berger, mas precisa que a Justiça invalide sua cassação e lhe devolva os direitos políticos.

- José Fritsch, do PT, deve fazer um mergulho semelhante ao de Amin. Depois de disputar duas vezes o governo do Estado, vai tentar recuperar a cidade que o projetou – Chapecó. Amin tem mais chances.

- A Casvig, dos Berger, foi a principal prejudicada pela redução drástica dos gastos do governo estadual com terceirizados no segundo mandato. Vem daí boa parte dos R$ 170 milhões que o secretário de Administração Antonio Gavazzoni (DEM) diz ter cortado no custeio da maquina estadual em 2006. Nunca é demais lembrar que DEM é o novo nome do PFL e que o PFL não engole Dário Berger desde que ele deixou o partido, em 2003, para viabilizar a candidatura a prefeito da Capital. O DEM que vai tentar tudo para ser a terceira via da eleição, com o deputado César Souza Júnior aliado a outro “marido traído”: o PSDB do vereador Walter da Luz e, principalmente, do deputado Marcos Vieira.

- A Operação Moeda Verde não deu em nada até agora (tirando as cassações de Marcílio e Juarez). Mas o seu cadáver vai ser exumado durante toda a campanha eleitoral até que se descubra se seu DNA tem genes Amin ou Berger. Ou se é um transgênico.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Anúncio

A Francine, da agência Salem, mandou um aviso de um concurso interessante para proto-jornalistas. Vejam só:

"Estou trabalhando para o Concurso Universitário de Jornalismo da CNN International, que talvez interesse você e os leitores do Repórter U.
O concurso acontece todo ano e agora está na 4ª edição. Ele é aberto para alunos do Brasil inteiro que estejam cursando Jornalismo, e o desafio é elaborar uma matéria jornalística televisiva com o tema 'A socialização por meio da arte'. O autor do melhor trabalho vai ganhar uma viagem para Atlanta para conhecer os estúdios do canal, e ainda vai ter sua matéria exibida em rede internacional pela CNN.

O site do concurso está no ar, no http://www.concursocnn.com.br . Lá temos o regulamento e mais informações."

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Já pra direção!

O primeiro passo do lançamento oficial de uma candidatura a qualquer cargo público costuma ser negar a própria intenção de ser candidato. É nesse estágio que se encontra hoje a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Pt) à Presidência da República em 2010. Quem esteve presente ou acompanhou de casa o Painel RBS, que sabatinou a ministra na segunda-feira em Joinville pôde perceber isso muito bem.

Nas duas vezes em que o tema foi citado, Dilma sorriu, fez graça, disse que era cedo para discutir o assunto. Cumpriu o figurino para uma platéia muito mais dócil do que a aguardava na quarta-feira em Brasília, quando falaria sobre o "Dossiê FHC", ou melhor, do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Muito tem se falado sobre a falta de carisma da ministra para emplacar em uma campanha presidêncial. Se o modelo de comparação for Lula, pode até ser. Mas em uma disputa contra José Serra (Psdb), Ciro Gomes (Psb) e outros menos cotados, a ex-guerrilheira com jeito de diretora de escola primária do interior do Rio Grande do Sul, pode até dar um caldo.

Errata

No texto abaixo, onde escrevi Gilmar Mendes, leiam Joaquim Barbosa.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Olhos voltados para Brasília, ainda

O apelido do ministro Marco Aurélio Mello no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) era "voto vencido". Na noite de segunda-feira, na última sessão em que Mello presidiu o tribunal, ficou claro o motivo. Ele pediu uma sessão extraordinária para colocar em votação um embargo dos advogados do governador Luiz Henrique da Silveira (Pmdb) que buscava arquivar o Recurso Contra Expedição de Diploma 703 - aquele em que o governador pode ter o diploma cassado por abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação nas eleições de 2006.

Pois Marco Aurélio, mais uma vez, pareceu advogado de defesa da coligação peemedebista. Três meses depois de ser o principal artífice da sessão em que foi modificada a jurisprudência e o TSE decidiu por 4 votos a 3 que a partir de agora o vice deve ser citado nesse tipo de julgamento, o ministro deu parecer favorável ao arquivamento do processo. Alegava que o tempo para novas citações estava esgotado.

Foram cinco páginas de argumentações e jurisprudências, pedindo a extinção do processo, em nome da segurança jurídica. Afinal, se o vice tinha que ser citado, a citação deveria ter ocorrido um ano antes, quando a coligação entrou com a ação. O voto do ministro parecia o fim da linha. O fim da ação que deixou Santa Catarina de olhos voltados para Brasília.

Mas quem apostava no arquivamento do processo esqueceu do velho apelido, "voto vencido". O jogo começou a virar quando o ministro Carlos Ayres Britto - que desde ontem sucede Marco Aurélio na presidência do TSE - deu as primeiras palavras de seu voto. Polidamente, Britto discordou com veemência. Disse que era preciso lembrar que por uma margem mínima, uma jurisprudência de anos fora alterada, obrigando a uma citação que antes era considerada desnecessária. Além disso, chamou a argumentação de Marco Aurélio de "babel jurídica". Na sequência, o ministro Gilmar Mendes concordou com Britto e argumentou que resguardar a segurança juridica seria justamente o contrário, dar prosseguimento ao processo.

A ênfase dos dois certamente foi determinante para a votação acabar em 5 a 2, com o TSE derrubando a tentativa dos peemedebistas de arquivar o processo. Segue em julgamento o "moribundo" - como LHS chamou a ação após a determinação dos ministros de que ele voltaria à estaca zero para a citação do vice Leonel.

O relator é o ministro Felix Fischer, o único que acompanhou Marco Aurélio na defesa do arquivamento.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Dividindo

O secretário estadual de Comunicação Derly Anunciação foi homenageado ontem no evento que lançou em Santa Catarina a campanha comemorativa do centenário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Recebeu das mãos da presidente da Acaert (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão), Marise Westphal Hartke, uma placa e fartos elogios.

Para ela, a imprensa catarinense se divide em antes e depois de Derly.

Faz sentido.

Com a força do povo

O vice-presidente da República José Alencar (Prb) disse a seguinte frase, ontem, em entrevista a uma emissora de rádio:

- O que os brasileiros desejam é que o Lula fique mais tempo no poder.

Como brasileiro, concordo com o vice. Desejo que Lula permaneça mais tempo no poder. Para ser mais exato, os 33 meses e alguns dias que faltam para que ele conclua o mandato que ganhou nas urnas em outubro de 2006.

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Em tempo, não é de hoje que Alencar brinca de adivinhar a vontade do povo brasileiro. Na campanha eleitoral disse, em evento realizado em Florianópolis, que os brasileiros iam "vingar nas urnas as injustiças cometidas contra o presidente Lula. Na época, eu cobri o evento fazendo frila para o jornal O Globo. O texto, de 24 de agosto de 2006, segue abaixo.

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O vice-presidente José Alencar afirmou ontem em Florianópolis que as últimas pesquisas divulgadas na disputa para presidente refletem o desejo do povo brasileiro de reparar as injustiças cometidas contra Lula.

- Os brasileiros precisam respeitar o sentimento nacional. O povo quer vingar as injustiças cometidas contra o presidente Lula. O povo acompanhou as denúncias contra o presidente e as analisou em secreto. Agora mostra sua opinião e vai reeleger Lula.

Convidado para abrir o 12º Congresso Nacional de Jovens Lideranças Empresariais, Alencar mostrou-se confiante com a vitória no primeiro turno e afirmou que declarações da oposição ligando o nome do presidente à corrupção serão avaliadas pela população como "aventura eleitoreira".

Sacrifício pelo poder

O texto abaixo é do jornalista Augusto Nunes, linkado no blog do deputado federal e pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro Fernando Gabeira (Pv). A candidatura é o tema, mas Nunes inicia citando o ex-governador catarinense Antônio Carlos Konder Reis - que dá uma aula de metáfora.

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O ex-governador catarinense Antônio Carlos Konder Reis já vivia o ocaso político quando um jornalista lhe perguntou se gostava da idéia de voltar ao cargo que ocupara entre 1975 e 1979. Por um punhado de segundos, Konder ficou em silêncio - varado de luz como um santo de vitral, diria Nelson Rodrigues. E então mandou às favas as mesuras retóricas. Para escancarar as profundezas da alma, recorreu à imagem que Lula adoraria ter usado num daqueles improvisos no meio da tarde, com a garganta molhada pelo almoço.

"Imaginemos que aparecesse à minha frente, agora, uma montanha de merda, e alguém dissesse que, do outro lado, estava o palácio do governo", fantasiou. "Se esse alguém garantisse que bastaria cruzar a montanha para voltar ao comando do Estado, eu começaria a travessia imediatamente. A nado, se preciso". O poder é bom demais, sublinhou. Principalmente quando exercido em cargos executivos.

Nascido e criado numa família habituada ao mando, Konder sabia do que falava: adulto, consumiu muito mais tempo dando ordens do que empenhado em cumpri-las. Pode ter-se excedido na linguagem, mas não exagerou. A chance de candidatar-se a presidente, governador ou prefeito induz a gente da terra a fazer coisas de que Deus duvidaria se não fosse também brasileiro.

(leia o texto completo)

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Imagino que Konder Reis tenha dado a entrevista em 1993 ou 94, quando era vice do governador Vilson Kleinubing (PFL). Ele se preparava para reassumir o cargo que já havia ocupado durante o regime militar, por conta da renúncia de Kleinubing para concorrer ao Senado. Konder Reis completou o mandato e disputou quatro anos depois uma vaga na Câmara dos Deputados. Foi eleito com a quinta maior votação, cerca de 75 mil votos. Tentou a reeleição em 2002, mas ficou longe da vaga, com apenas 16 mil votos. Desde então, está aposentado.

sábado, 22 de março de 2008

Cadê o meu Estado Laico?

A idéia foi logo arquivada, mas o deputado Nilson Gonçalves (Psdb) bem que tentou aplicar a obrigatoriedade do ensino do criacionismo nas escolas públicas de Santa Catarina. O projeto de lei foi apresentado em novembro do ano passado e não chegou nem mesmo a ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Pela proposta do deputado tucano, o conteúdo seria incluído na disciplina de Ciências e apresentaria “noções de que a vida tem sua origem em Deus, como criador supremo de todo universo e de todas as coisas que o compõem, tais como as plantas, os animais, todo o ecossistema, o universo e o próprio homem”.

Eis a justificativa de Gonçalves para o projeto:

“O presente projeto de lei visa estabelecer a obrigatoriedade de inserir na grade curricular da rede pública estadual de ensino, conteúdos sobre “criacionismo”, ou seja, a visão de que existe um Criador para todas as coisas universais.

A teoria da evolução não deveria ser vista como “a causa definitiva das origens”, pois alguns criacionistas salientam que a crença em um criador é geral entre todos os povos, todas as culturas.

Sendo o Brasil um país predominantemente cristão, tal teoria tem como fundamento o livro do Gênesis contido na Bíblia Sagrada, portanto, torna-se necessário que as aulas de ciências das escolas públicas ensinem que há outras teorias de criação além da evolução, e que uma delas é a versão bíblica da Criação, ou de um Criador.”

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Sou favorável à idéia do deputado. Desde que seja aprovada uma emenda tornando obrigatória também a inclusão dos conteúdos da Origem das Espécies nos sermões dos padres católicos e nas pregações evangélicas.
 
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