sábado, 16 de fevereiro de 2008

A Batalha dos Aflitos

O goleiro olha pro jogador que vai bater o pênalti, para a bola na marca a nove metros e quinze de distância, pro barulho irritante da torcida adversária, pro silêncio estupefato dos seus - dentro e fora de campo. Olha tudo isso e certamente pensa que não foi para acabar assim que foi engendrada a maior aliança política da história de Santa Catarina. Que se dividiu com precisão cirúrgica os espaços que cada liderança aparentemente inconciliável ocuparia naquele palanque, naquele governo. Mas é o que acontece. Um ano e dois meses depois de reassumir o cargo ganho nas urnas, o governador Luiz Henrique vê toda a estratégia que possibilitou a vitória sobre o tradicional adversário, Esperidião Amin, na marca do pênalti.

Os exageros na campanha de 2006 geraram as acusações de uso da máquina administrativa, abuso de poder econômico e dos meios de comunicação, que resultaram no Recurso Contra Expedição de Diploma 703, em julgamento no TSE. Acusação igual foi julgada no TRE antes de LHS tomar posse. Na época, por 4 votos a 2, os juizes do tribunal local reconheceram os abusos, mas prevaleceu a tese de que eles não seriam os responsáveis pela vitória de LHS sobre Amin, por mais de 180 mil votos.

A tese não encontrou guarida entre os três ministros do TSE que votaram até agora. José Delgado, Ari Pargendler e Gerardo Grossi foram enfáticos na constatação do abuso do poder e não reservaram uma linha sequer para questionar a potencialidade que as possíveis irregularidades teriam para dar a LHS a reeleição.

Crime e castigo, apenas.

Agora, LHS não pode ter sequer mais um voto contrário. Não importa que haja espaço para recursos e protelações. Se receber o quarto voto e tiver determinada a cassação pela principal instância eleitoral do país, o governo passa a ficar sub judice - e o governador ganha um estigma. Como tem Paulo Afonso Vieira, com o escândalo dos precatórios, e Amin, com as acusações de que teria quebrado o Besc. Com a liderança de LHS enfraquecida, a tríplice aliança não deve chegar nem até às eleições municipais, em outubro.

No banco de reservas, se aquecem Michel Temer, Nelson Jobim, Jorge Bornhausen e quem mais puder entrar no jogo. As pressões no campo político e jurídico se intensificam. Quando foi dado o primeiro voto pela cassação, em agosto, Luiz Henrique escalou o advogado José Eduardo Alckmin - ex-ministro do próprio TSE. Ele continua, agora com reforços. Até o secretário de Coordenação e Articulação Ivo Carminati e o de Administração Antônio Gavazzoni deixam de lado as questões de governo e se juntam à força-tarefa que vai tentar preservar o mandato do governador.

É a hora da retranca. E de pedir conselhos a Joaquim Roriz.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Comentários que são posts

O jornalista Mário Coelho Jr. passou por aqui e lembrou mais uma história envolvendo Amin e Brizola, como a do post abaixo. Essa ele nunca tinha me contado e deve fazer parte do repertório que ele colecionou trabalhando na campanha de Amin à reeleição, em 2002. Segue abaixo:

"Tempos depois, o Brizola chamou o Amin de 'biruta de aeroporto', que vira para onde o vento passa. Lembro depois, em 2002, do Brizola voltando a SC para uma reunião que acabou em apoio a Amin. Pedro Schmitt pergunta para o velho caudilho o que tinha mudado da época da biruta para aquele dia. Brizola riu e respondeu dizendo que ele e Amin eram grandes amigos, e que a comparação era brincadeira de amigo. O caudilho realmente faz falta."

Na campanha de 2006, Amin volta a meia citava alguma história envolvendo o líder pedetista. Uma ou outra até veio parar aqui no blog. Em seu site de campanha, Amin citava como arrependimento o fato de não ter apoiado Brizola nas eleições presidenciais de 1989. Na época, o catarinense apoiou o correligionário Paulo Maluf no primeiro turno e Fernando Collor no segundo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Fábulas e alianças exóticas

O jornalista Cláudio Humberto, ex-assessor de imprensa do ex-presidente Fernando Collor, tem um site de notas políticas que vale dar uma conferida por causa de antigas histórias que ele relembra. Há dois dias, ele narrou um episódio envolvendo a curiosa aliança que juntou Esperidião Amin e Leonel Brizola em 1986. Em comum, ambos sofriam com o êxito do plano cruzado – que acabou elegendo governadores peemedebistas em todos os estados brasileiros nas eleições daquele ano.

Para tentar conter esse avanço é que os tradicionais opositores acabaram trocando figurinhas, sem sucesso. No Rio de Janeiro, o então governador Brizola não conseguiu emplacar o vice, Darcy Ribeiro, que perdeu para Moreira Franco. Em Santa Catarina, a “Aliança Social-Trabalhista” (o Social vinha do S do PDS de Amin e o Trabalhista do T do PDT de Brizola) foi ensaiada um ano antes, na disputa pela prefeitura da Capital. O candidato era Chico Assis, que sofreu sua primeira derrota em disputas pelo comando de Florianópolis, para Edison Andrino. Em 86, o PMDB levou também o governo estadual, com Pedro Ivo Campos.

As conversas entre Amin e Brizola – exímios frasistas e contadores de histórias – devem ter rendido boas notas nas colunas políticas da época. No resgate de Cláudio Humberto, Amin conta uma fábula árabe para Brizola.

- O urubu queria se vingar da cobra e contou à raposa: “Quando a cobra sair do buraco, dou uma bicada em cada olho e ela acaba morrendo”. A raposa ponderou que havia risco e sugeriu: “Vá à cidade, roube uma jóia da moça mais bonita e uma multidão vai atrás de você. Voe para o buraco da cobra, atire a jóia lá dentro e a turba vai matá-la para você”.

Brizola não entendeu a analogia e Amin explicou. Naquele momento, o Urubu era o PMDB e o governador fluminense, a cobra.

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Leia a nota publicada no site do Cláudio Humberto clicando aqui (é a última nota).

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Faturando

O senador Álvaro Dias (PSDB) deixou escapar em entrevista ao site Congresso em Foco que a crise dos cartões corporativos tem mais potencial para abalar a imagem do presidente Lula do que o episódio do mensalão. Não por ser mais grave, mas porque o povo entenderia mais fácil essa história gente do governo e parentes pagando suas contas com um cartão de crédito forrado de dinheiro público. Faz sentido.

No meio dessa briga entre cartões ilimitados e oposição querendo barulho em fevereiro, talvez seja hora da imprensa ter um pouco de cuidado. O Portal da Transparência torna muito fácil pegar o nome de alguém e questionar gasto por gasto. Passei a quinta-feira fazendo exatamente isso. Das centenas de cartões corporativos do governo, pelo menos 11 estavam aqui em Joinville. Fui atrás deles.

Fiquei intrigado com os gastos em hotéis e pousadas feitos por funcionários da Receita Federal. Por que um funcionário de um órgão de Joinville gasta com hospedagem em... Joinville? Lá foi o Upiara atrás.

Muitas notas fiscais depois, saí satisfeito. Sem furo, falcatrua, candidatura a prêmio esso, mas satisfeito. Na primeira nota, os gastos de um encontro de delegados da receita de Paraná e Santa Catarina. Na segunda, o pagamento da pousada que hospedou integrantes da PF e da própria Receita durante as investigações da Operação Ouro Verde.

Voltando à redação, outra missão. Descobrir porque um funcionário do INSS gastou 20 reais numa loja joinvilense chamada Canto da Agulha. A assessora de imprensa do órgão, lá em Brasília, depois de passar o dia respondendo questões semelhantes do país todo, não escondia a irritação.

- Ele comprou uma fita. Uma fita verde-amarela! Pra cerimônia de inauguração de uma agência da Previdência Social aí em... onde você mora mesmo? Joinville.

Grandes besteiras. Mas no jornal do dia seguinte tá tudo na página, com o devido “contraponto”. E nos próximos meses os servidores citados vão agüentar muita piadinha dos vizinhos pedindo dinheiro emprestado...

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Tô com medo da próxima eleição. A gente sabe no que deu o “varre, vassourinha” e a caça aos “marajás”. E agora fica fuçando fatura, igualzinho mulher desconfiada. Como se adiantasse. Numa fatura, qualquer puteiro vira uma ilibada cantina...

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Nada disso que escrevi vale pros gastos dos seguranças da Lurian no Camelão, usando cartão corporativo.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Pavan prende Pinho Moreira na Celesc

O ex-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB), que atualmente acumula as presidências da Celesc e do PMDB catarinense, estava pronto para deixar a estatal. A idéia era ter mais tempo para se engajar nas eleições municipais e pavimentar sua candidatura ao governo do Estado em 2010. Estava. Foi surpreendido pelas declarações do vice-governador Leonel Pavan (PSDB) - também pré-candidato ao governo em 2010 - de que a Celesc está dando prejuízo nas mãos do peemedebista e que por isso ele sairia. Com as declarações, Pinho passou a reiterar que fica na Celesc. "Sigo firmemente, dando bons resultados à empresa", afirmou ontem o ex-governador. O medo de Pinho Moreira é sair agora e dar a impressão de que o futuro adversário tem razão.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Enquanto isso

No último sábado o Canto do Rio perdeu por 3 a 2 para o Show de Esportes. Canto do Rio é a equipe do Ribeirão da Ilha que é o atual campeão da liga florianopolitana de futebol amador. O Show dos Esportes é do sul do Estado - a imprecisão é culpa da dificuldade de apurar coisas bem simples quando se trata de futebol amador (no caso, há dúvida se a equipe é de Tubarão ou Capivari de Baixo). Eles disputavam a primeira partida da semi-final do campeonato estadual amador, que é uma espécie de "mundial interclubes" da várzea catarinense. As coisas ficaram complicadas para o Canto do Rio, que vai precisar vencer o Show de Esportes fora de casa. Trabalho duro para a equipe do goleiro Sarrafo e do artilheiro Nandinho.

O curioso da partida foi a maior presença de torcedores visitantes do que da equipe da casa. A chuva manteve o pessoal do Ribeirão longe do campo, mas não assustou os cerca de 50 torcedores tubaranonenses (digamos que sejam) que vieram de microônibus e sete carros. "Com a chuva só vem quem é torcedor mesmo", lamentava uma cantoriense, mãe de um dos atletas, com muita ênfase no 'mesmo'. "A gente já veio aqui, foi ver jogo em São José, até em Itapiranga", contava vantagem o dirigente do Show de Esportes. No sábado as duas equipes voltam a se enfrentar, no sul do estado (seja onde for).

O que isso tem a ver com política? Nada. É que o repórter u passou o plantão de sábado na chuva, cobrindo um jogo de futebol amador e lembrou que existem coisas que mexem muito mais com a vida das pessoas do que os deputados Ponticelli e Manoel Mota discutindo em plenário da Assembléia Legislativa ou a ida do Dário Berger para o PMDB.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Eu também quero votar

A Assembléia Legislativa não perdeu a chance de votar a prorrogação da CPMF. O tema agita o Congresso Nacional e o noticiário, então os nossos deputados mobilizaram suas bancadas governistas e oposicionistas (bastante remodeladas) para a votação - que lembrou aquelas eleições de brincadeirinha das escolas primárias. Na verdade, o que foi posto em votação na terça-feira foi uma moção do deputado Gélson Merísio (DEM) de apoio ao relatório da senadora Kátia Abreu (DEM), que pede a extinção do tributo.

Atento, o deputado Pedro Uczai (PT) pediu a palavra para relembrar que apesar de adversários no estado, PT, PMDB e PP fazem parte da base aliada ao governo federal e deveriam se manifestar. Mais parlamentares discursaram, entre eles o Nilson Gonçalves (PSDB) - que se revelou o mais ardoroso defensor do imposto. "Querem acabar com a CPMF agora que ela está indo para quem precisa?", questionou o deputado, em referência aos programas sociais abastecidos por essa verba. Foi pedido voto aberto, que resultou em um empate.

Com o voto de minerva, o presidente da AL, deputado Júlio Garcia (DEM) desempatou, aprovando a moção. Não sem antes relembrar o episódio em que desempatou a favor do PT o resultado da moção que apoiava Emir Sader, condenado a um ano de prisão em regime aberto por um artigo em que criticava o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM). Uma boa lembrança de que, em se tratando de PFL, um dia a fatura vem. Mesmo em assuntos tão inócuos quanto moções de apoio ou repúdio.

Pronto pra briga

O Golf branco do ex-governador Esperidião Amin (PP) traz três adesivos no vidro traseiro. No canto superior esquerdo, o número 11 do PP visivelmente recortado de um adesivo que sobrou da campanha eleitoral do ano passado. Abaixo, colado por cima do 11, um adeviso verde escrito: cidade limpa. Começou a campanha eleitoral para a prefeitura da Capital.

Ah... o terceiro adesivo, no canto inferior direito, era um distintivo do Avaí.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Recesso

Peço desculpas pelo silêncio do blog, principalmente nesse momento de alvoroço causado pelo vazamento da lista dos indiciados da Operação Moeda Verde. Mas estou de férias e aqui em Porto Alegre a única coisa que me cabe é acompanhar a cobertura dos colegas. Os pitacos ficam para novembro. Até lá.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

O Besc é do Brasil... até quando?

Na sexta-feira o presidente Lula volta a Santa Catarina cinco meses depois de inagurar a sede dos correios em São José e fazer um bocado de gente ganhar uma boa grana na bolsa com a declaração de que o "Banco do Brasil vai comprar o Besc". Ele vem justamente para assinar os contratos que vão garantir a incorporação do banco federal/estadual ao banco federal e - de quebra - R$ 600 milhões para o necessitado caixa catarinense.

Eu juro que não aguento fazer mais nenhum infográfico sobre essa história. São cinco meses de idas e vindas da equipe técnica da Fazenda e do Secretário Ivo Carminati a Brasília para completar essa negociação. Por sorte, os catarineses não levaram muito a sério o tal termo de confidenciabilidade que até o motorista da Secretaria de Articulação Nacional foi obrigado a assinar e a imprensa teve acesso a todas as dificuldades do negócio - na visão dos catarineses. Em Brasília, nem um piu. Cinco meses depois, a previsão de Carminati foi cumprida ao pé da letra: "Só alegria, seu Upiara".

O fim da negociação vai ser transformado no primeiro ato da candidatura de Ideli Salvatti ao governo do Estado, mas Luiz Henrique e sua trupe estarão por lá em busca dos seus dividendos - monetários e políticos. A grande questão é saber até quando o BB vai brincar de ter um banco estadual. Pelo contrato que vai ser assinado, a marca continua existindo enquanto o banco tiver a exclusividade na conta salário do funcionalismo estadual, que será mantida na instituição por mais seis anos. Depois disso, dependeria dos futuros leilões das contas. Mas como a partir de 2011 os servidores públicos terão direito a escolher onde receber seus vencimentos, a tendência é que interesse do BB por manter essa contas diminua.

Palpite: um Besc forte e atuante até janeiro de 2011. Com alguma sobrevida em um possível governo Ideli com um petista na presidência da República.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Por dentro do poder

"Parece que tem um sapo enterrado em mim"

Prefeito catarinense, procurando explicações para a onda de azar que sofre desde 3 de maio de 2007, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Moeda Verde.

O dia do blogueiro e o lançamento do +D1

Um post sem política no meio. Hoje é o dia em que se comemora o Blog Day e por isso todo blogueiro que se preze deve recomendar visitas a cinco colegas. Inspirado nesse dia, hoje estréia o site +D1, que reune o conteúdo de diversos blogs catarinenses. O reporter u foi convidado a participar do projeto e espera conseguir manter o blog tão atualizado quando o dos colegas. O link está no banner à direita.

Os meus indicados do blog day são:

Onde a coruja dorme - Louco por estatístiscas, o jornalista Felipe Silva tenta transformar o futebol em uma ciência exata. Além dos números, o blog tem um sensacional arquivo de jogos da história do futebol mundial - a memória do rapaz.

A política como ela é - Também conhecido como "blog do Vierão", o site do ex-deputado e ex-secretário da Fazenda Antonio Carlos Vieira (PP) é incisivo nas críticas aos governos estadual e da Capital. Apesar do viés partidário, o pepista sempre traz boas análises e informações de bastidor. Além de esmiuçar toda e qualquer denúncia contra LHS ou Dário Berger. É uma pena que não existe em Santa Catarina um político governista com um blog que faça o mesmo tipo de análise.

Daniel Piza - O jornalista do Estadão se divide em política, cultura e futebol e consegue manter a coerência. O melhor dos blogs hospedados pelo portal do Estadão. Sim, o Estadão tem blogs em seu site.

Carlos Damião - O blog do jornalista catarinense trata de diversos assuntos, geralmente com foco em Florianópolis. O ponto forte é justamente a memória da cidade, em fotos antigas e velhas histórias.

Gymnopedies - Blog dedidica a música e literatura.O autor é o catarinense radicado em São Paulo, Jonas Lopes.

domingo, 12 de agosto de 2007

O roubo da bola

A Assembléia Legislativa aprovou na primeira sessão do segundo semestre um projeto que regulariza a situação de mais de cem donos de cartório nomeados sem concurso público entre 1988 e 1994 que corriam o risco de perder as vagas, já declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. O projeto tramitou sem alarde como resposta ao concurso em andamento que preencheria essas vagas, entre outras. A lei não só protege os cartório irregulares, como obriga editais em andamento a se sujeitarem às novas regras.

A lei contraria a Constituição e uma lei federal. Se for sancionada pelo governador Luiz Henrique, vai sofrer Ação Direta de Inconstitucionalidade. Mas o estrago já vai estar feito e a briga vai para a Justiça. Enquanto isso os cartórios seguem como estão.

Se fosse um jogo de futebol, a lei seria o equivalente a entrar em campo e roubar a bola. Mas ela não teve votos contrários e deve ser sancionada por LHS. Devem ser registradas as abstenções do petista Dirceu Dresch e de João Henrique Blasi, o líder do governo. Blasi disse que não tinha certeza da constitucionalidade da lei. Se for confirmado no TJ, ele não deve mais passar por esse tipo de constrangimento.

Minha matéria sobre a lei foi publicada na edição de domingo do A Notícia. Hoje, a lei deve ser sancionada pelo governador.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

A oposição entra na festa

Um dos exemplos mais usados para demostrar a força da coligação que reelegeu Luiz Henrique da Silveira em 2006 era o de que a eleição de 27 dos 40 deputados da Assembléia Legislativa impedia até mesmo a criação de uma CPI. As urnas garantiram aos oposicionistas apenas 13 deputados e o requerimento precisa de 14 assinaturas. A tese foi literalmente por água abaixo na quarta-feira, quando uma briga por cargos na região de Criciúma levou o deputado Clésio Salvaro (PSDB) e assinar o requerimento da oposição e permitir a instalação da CPI que vai investigar a Casan.

Se o estopim foi o fato de Salvaro não ter emplacado o diretor da estatal em Criciúma, os desdobramentos são incalculáveis. O fato determinado a ser investigado é a suposta troca de votos por obras da Casan em três localidades nos municípios de Taió e Rio do Canto, que teria favorecido a deputada Ada de Luca (PMDB), mulher do presidente da companhia, Walmor de Luca.

Salvaro e os De Luca disputam a mesma base em Criciúma, o que levou a indicação do tucano a ser preterida por um nome respaldado pelo PMDB do município - leia-se Eduardo Pinho Moreira (PMDB), adversário e desafeto de Salvaro. Com a mesma assinatura, o tucano se vinga por ter sido preterido e cria a possibilidade de desgastar o grupo político rival nas eleições de 2008. De quebra, passa a ser visto com outros olhos pelo PP, que poderia apoiar sua candidatura.
Mesmo com minoria na composição da CPI, a oposição vai ter espaço para fazer muito barulho. Ponticelli já tem afirmado que a suposta compra de votos é só o estopim. Quer mesmo é saber se os balanços da Casan estão maquiados e porque a estatal tem encontrado dificuldades para renovar a concessão dos serviços com os municípios.

- Queremos conhecer a Casan por dentro -, afirma o pepista.
Walmor de Luca responde, em um misto de deboche e desafio.
- Eles vão ter que fazer muito buraco para conferir os 1.750 mil metros de canos que instalamos em todo o Estado.

Vai ser divertido.

A CPI em frases

"Eu tenho o maior respeito pelo dr. Walmor. Ele foi o meu primeiro voto, em 1982"
Clésio Salvaro

"O Walmor administra a Casan comos se fosse o dono, como se ele não fizesse parte de um governo"
Clésio Salvaro, 3 minutos depois

"Existia uma indicação do deputado Salvaro e outra, respaldada pelo Ronaldo Benedet (PMDB), pela Ada de Luca (PMDB) e o prefeito de Criciúma. Como que eu não ouço a base?"
Walmor de Luca, governista dedicado

"Se eu fosse o dono da Casan, estaria muito bem"
Walmor de Luca, mantendo o bom humor

"Mas é claro que obra dá voto. O voto é reconhecimento e isso é a base da democracia"
Walmor de Luca, teorizando

"O teu marido também te ajudaria"
Ada de Luca, em resposta à repórter que perguntou se Walmor ajudou na campanha

"É uma questão paroquial que se expandiu"
João Henrique Blasi, louco por uma toga

É puro carisma

A primeira reação da deputada Ada Luca (PMDB) frente aos repórteres que a questionavam sobre a suposta troca de votos em por obras da Casan - comandada pelo marido Walmor de Luca - no município de Rio do Canto foi a seguinte frase:

- Eu nem sei onde fica Rio do Canto!

O interessante é que sem ter a menor idéia de onde fica Rio do Canto, Ada de Luca recebeu lá 275 votos. Parece pouco, mas é mais de 6% da população do município. Como não fica bem uma deputada estadual dizer publicamente que não conhece a geografia catarinense, fica aqui a contribuição do blog: deputada Ada, Rio do Canto fica no Alto Vale do Itajaí, ali do lado de Taió - onde a senhora recebeu 144 votos.

domingo, 29 de julho de 2007

Antecipando 2008

Se todos os postulantes botarem o bloco na rua no ano que vem, Florianópolis vai viver uma campanha eleitoral inesquecível. Enquanto um representante do casal Amin (hoje seria a ex-prefeita Angela) e o prefeito Dário Berger vão trocar acusações sobre quem fez mais mal à cidade, Angela Albino e Cesar Souza Jr. vão tentar emplacar a tese da renovação. Sem renovação, mas tentando aplicar o discurso do "não tenho nada a ver com essa bandalheira", poderemos ter o ex-prefeito e ex-deputado Edison Andrino e o ex-vice-prefeito e ex-deputado Afrânio Boppré. Nos lados petistas, o ex-deputado Mauro Passos é o preferido da senadora Ideli Salvatti. É material suficiente para uma briga de foice no primeiro turno e muitos afagos, conchavos e alianças inesperadas no segundo. Se é que existe algo inesperado em política catarinense depois que Luiz Henrique da Silveira e Esperidião Amin bagunçaram o mapa ideológico do Estado em 2006.

A operação Moeda Verde antecipou o debate eleitoral em alguns meses. Esse é o gancho da matéria que assino na edição de hoje do AN Capital. Essa parece ter sido a saída encontrada por Dário Berger na hora de dar explicações sobre as suspeitas licenças ambientais concecidas e o suposto favorecimento a Marcondes de Mattos na elaboração da Lei dos Hotéis - colocar a culpa na gestão de Angela Amin e no modelo que herdou. Angela não deixa sem resposta, diz que
o grampeado foi Berger e que aceita qualquer julgamento, menos os que vierem da boca do prefeito. Afirma que não queria ser candidata, mas que após a operação da PF "quem ama a cidade deve colocar o nome à disposição". Essa frase, somada à disposição para atender o celular durante uma viagem a Brusque só podem significar a busca pelo terceiro mandato. Outro indício está contido nos elogios a seu ex-secretário de Obras, Chico Assis, que assumiu a presidência do diretório municipal do PP.

- Ele é imbatível na condução de uma campanha. Nas duas vezes em que fui candidata, ele era o presidente do diretório.

Já Dário Berger tem uma questão burocrática para definir até o final de setembro. Ele precisa decidir se seus eleitores vão digitar 15 ou 45 na urna eletrônica. A filiação do prefeito, apesar dos escândalos, é encarada pelo presidente estadual do PMDB (15), Eduardo Pinho Moreira, como única forma de encarar o casal Amin numa disputa eleitoral. A outra alternativa viável seria o ex-prefeito Edison Andrino, mas ele sofre resistência por parte do governo LHS, que não o considerou engajado suficientemente em 2006. Como castigo, ficou à margem do governo mesmo sendo o terceiro suplente na Assembléia Legislativa (e o governador deu um jeito para o primeiro e o segundo assumirem a vaga na AL e para o quarto e o quinto entrarem no secretariado). Mas Andrino é também o principal empecilho à filiação de Dário, pela força que ainda tem no diretório e a disposição de ser candidato. Assim, a filiação do prefeito deve cheirar a intervenção e resultar em debandada liderada por Andrino. A dificuldade é vislumbrar a próxima morada do ex-prefeito, que recebeu sondagens do PPS e do PSB (este, antes de ser encampado pelo deputado Djalma Berger, irmão de Dário). E crescem as chances de Dário ficar no PSDB, apesar dos recados dados pelo presidente estadual do partido Dalírio Beber e o vice-governador Leonel Pavan para que ele decida logo seu futuro político. Traduzindo: pique a mula.

Eu ia falar da Angela Albino nesse post. Mas como ela é disparada a campeã nas buscas dos leitores que chegam a este blog via google, merece um post à parte.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Indicação de leitura

O blog do ex-deputado estadual e secretário da Fazenda Antônio Carlos Vieira (PP), o Vieirão, passou por mudanças cosméticas e abriu a possibilidade de comentar os posts. Embora seja escancaradamente oposicionista aos governos Estadual e da Capital, o blog do Vieirão sempre foi uma boa fonte de informação de bastidor e análise política catarinense. Vale uma olhada. Especialmente os últimos dois posts, sobre a aproximação das Angelas Amin e Albino e do prefeito Dário Berger com o PMDB.

O mesmo espírito irônico e debochado que Vieirão mantinha em seu mandato estão presentes nos textos. Inclusive, é recorrente na Assembléia a conversa de que o perfil técnico e a experiência política do pepista fazem falta nesta legislatura. Até mesmo por governistas. Um exemplo foi no final da legislatura passada, quando o governo estadual (tocado por Pinho Moreira) tentou criar um fundo de combate à pobreza aumentando alíquotas de impostos de produtos considerados supérfluos, Vieirão foi uma das vozes mais críticas. Surpresos pela reação - que envolveu entidades como a Fiesc - o líder do governo João Henrique Blasi (PMDB) modificou o projeto e consultou o deputado oposicionista antes de apresentá-las. Uma forma de prestigiar o adversário, afirmou Blasi na época.

(leia posts sobre o Fundo de Combate à Pobreza)

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Don Juan em busca de nova conquista

Para o prefeito da Capital Dário Berger, o racha exposto no PSDB é culpa da imprensa, que fica perguntando o que cada liderança da sigla acha da vida. Mais do que sondado pelo PMDB estadual, Berger dá de ombros para as farpas lançadas via imprensa pelo presidentes estadual do partido Dalírio Beber e pelo vice-governador Leonel Pavan. Por maior que seja o esforço do deputado Marcos Vieira e do prefeito de Joinville Marco Tebaldi para manter Berger no partido, o próprio prefeito dá indícios de que o casamento está mesmo chegando ao fim.

Com o fim do prazo para troca de sigla se esgotando na metade de setembro, Berger diz que tem problemas maiores para resolver e que como bom brasileiro vai deixar tudo para a última hora. "Isso aí é como o imposto de renda", diz. Ou seja, outro incômodo. Berger chegou ao cúmulo de dizer que nunca declarou que sairia do PSDB.

- Mas o senhor afirmou que estava namorando outras siglas.
- Eu sou um enamorado...
- O senhor está se apaixonando de novo pelo PSDB, então?
- Não exatamente...

Embora evite o assunto e reclame logo na primeira pergunta ("não me falem de futuro político, por favor"), Berger parece aqueles homens que estão saindo com mulher nova, mas que requer discrição. Não cabe em si. Agora só falta se livrar da esposa. Até porque ela está cada vez mais a cara do Pavan.

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Em tempo. Eduardo Pinho Moreira disse que vai conversar com o Diretório Municipal do PMDB para que eles comecem a avaliar o convite a Berger. Cheiro de intervenção no ar.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Comentário

O vereador João Aurélio Valente (PP) comentou o episódio narrado no post Uma recusa providencial - que trata do suposto convite feito por ele no ano passado ao vereador Juarez Silveira para ingressar no PP. Reproduzo abaixo.

"Essa não é a verdade. Nunca convidei Juarez Silveira, pelo contrário, no plenário em Sessão Ordinária em aparte disse ao ex-vereador Juarez que eu não presidia o Partido Progressita para fazer esse tipo de convite e nunca o tinha convidado. Grato pela atenção, Vereador Aurélio Valente".

Caro vereador, obrigado por acessar o blog. Eu não lembro textualmente do seu aparte e ele não ficou registrado na ata da sessão. Com o seu depoimento, fica registrada a sua resposta ao que foi dito pelo ex-vereador Juarez em plenário, quando ele narrou o suposto convite, que seria inclusive abonado pela ex-prefeita Angela Amin, pelas palavras dele. Antes mesmo do vazamento dos grampos nós aprendemos que Juarez às vezes exagerava algumas histórias, mesmo as com muitos detalhes.

Eu lembro bem daquela sessão, foi uma das últimas que cobri antes de passar a ser setorista da Assembléia Legislativa. Assisti ao lado da Sílvia, assessora de imprensa. Devo ter sido traído pela memória.
 
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