quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
A vaga e o frango
A pressão da oposição deu resultado hoje e - na falta de consenso - a vaga foi escolhida por sorteio. Afrânio levou a disputa, se tornando o terceiro oposicionista na CPI.
- Eu não costumo ganhar nem frango de padaria - comentava mais tarde o deputado, que vai se despedir da Assembléia embaixo dos holofotes da CPI.
CPI que, tudo indica, vai ter 10 dias para investigar e apresentar resultados - já que os trabalhos se encerram no final da legislatura e o recesso inicia dia 22.
De pedra a vidraça
Na Assembléia Legislativa, a Medida Provisória que cria o Fundo da Pobreza deixou todos os outros assuntos em segundo plano. A oposição diz que é o primeiro calote eleitoral do governador reeleito Luiz Henrique (PMDB). “Isso é para matar a fome de cargos”, diz e repete para cada jornalista que o interpela o deputado Joares Ponticelli (PP). Fala em mobilizar a sociedade, entidades e principalmente o atual presidente da Associação Comercial e Industrial de Joinville, Sergio Alves – já confirmado como secretário da Fazenda de LHS. Defensor ferrenho da diminuição da carga tributária, o empresário nem trocou o lado do balcão e já tropeçou no primeiro sapo governamental.
Ao que parece, o sapo será engolido.
Ginástica verbal
O líder do Governo, João Henrique Blasi (PMDB), chegou a assinar um documento durante a campanha eleitoral se comprometendo a lutar contra qualquer aumento na carga tributária. Bom com as palavras, o deputado encontra uma saída para driblar o “compromisso” – diz que se comprometeu a ser contra a criação de novos impostos, não de aumentar alíquota dos que já existem. Para Blasi, o envio da matéria como MP se justifica pelos prazos, já que se fosse enviado como projeto de lei não seria aprovado nessa legislatura e só poderia começar a ser cobrado em 2008. Além disso, esse tipo de fundo seria permitido pela Constituição Federal desde 2000 e aplicado em vários estados. Perguntado se um projeto dessa natureza não está na contramão do clamor da sociedade contra a alta carga tributária, Blasi pára, pensa e diz:
- Nesse aspecto, sim...
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
Última aposta
Apesar da aprovação da emenda que permite a reeleição dos membros da mesa diretora da Câmara, o vereador Marcílio Ávila (PMDB) ainda não se declara candidato à recondução. Diz que continua na briga para receber a Secretaria Regional da Grande Florianópolis. Conta com o apoio e indicação do prefeito Dário Berger (PSDB), mas não muito mais que isso. O próprio PMDB municipal dá de ombros: o ex-prefeito e presidente do diretório municipal do partido, Edison Andrino, levou pessoalmente ao governador reeleito Luiz Henrique a lista de cargos exigidos pelo partido na Capital e nela conta o nome de Valter Galina para a Regional.
A não ser que indicação do Andrino tenha peso negativo...
Abriram os uísques
O próprio Dário Berger já parece ter desistido de emplacar Marcílio Ávila no Governo do Estado. Depois de aprovada a reeleição para a presidência da Câmara, passou a brincar chamando Marcílio de “Hugo Chavez” – o re-reeleito presidente da Venezuela. Outro que brinca é o vereador Juarez Silveira (PTB), que se dizia candidato de Marcílio a sucessão. Afirma que como não terá a presidência da Casa, agora quer ser o vice de Dário Berger em 2008.
quinta-feira, 30 de novembro de 2006
Construir estradas é governar
Esse tipo de obra gera a visibilidade que costuma garantir mais de um mandato a um deputado e que pode até mesmo chegar a mudar a conduta histórica do eleitorado de um pequeno município. Perguntei a um prefeito do PP de um município da Grande Florianópolis as razões da vitória de Luiz Henrique (PMDB) na localidade no primeiro turno, considerando que Esperidião Amin (PP) sempre venceu na cidade e que o partido comanda a prefeitura. Ele não titubeou:
- O Luiz Henrique asfaltou um trecho da rodovia que passa aqui. É uma obra muito importante.
terça-feira, 28 de novembro de 2006
Comentando o comentário
- Setores do seu PMDB ainda devem ver nele o vereador que se elegeu em 2004 pelo PP - e trocou pelo PSDB por causa da disputa para a mesa diretora da Câmara e para apoiar Berger.
- Tucanos devem lembrar que ele deixou o partido há menos de seis meses por querer ser candidato a prefeito já em 2008.
Isso deve pesar na dificuldade que enfrenta para emplacar seu nome na Regional da Grande Florianópolis. Nesse caso a Santur ficaria na medida para que Marcílio tivesse alguma evidência, mas não a necessária para forçar uma candidatura própria em uma eleição que deve ser disputada entre Berger e Esperidião Amin (PP).
Marcílio planejou tudo. Só não contava com o fantasma de Amin obrigando PMDB, PSDB e PFL a andarem juntos também na Capital...
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
Diga ao povo que vou
Meio termo
domingo, 26 de novembro de 2006
A disputa pela Regional
O titular da pasta durante o primeiro mandato de Luiz Henrique foi Valter Gallina (PMDB), que deixou de disputar uma vaga na Assembléia Legislativa para ser coordenador da campanha à reeleição do governador. Quem ocupa a secretaria no momento é o ex-prefeito de Antonio Carlos, Geraldo Pauli, também peemedebista.
Pelos serviços prestados, Gallina deve voltar a comandar a pasta. Perguntado sobre uma possível disputa com o PSDB, o peemedebista desconversa e diz que mais importate do que discutir cargos e nomes é aprofundar a parceria da regional com a prefeitura de Florianópolis. No entanto, tanto republicanismo esbarra na questão principal...
- Se o importante é aprofundar a parceria, o PMDB não se importa de ceder a titularidade da pasta para o PSDB?
- Não, o titular vai ser do PMDB - garantiu Gallina.
Não devo, nego, não pago...
Pelas colunas de bastidores da imprensa catarinense logo se soube que a decisão do governador eleito irritou profundamente o prefeito e o deputado. Dário teria até comentado que por sua formação - engenheiro - Djalma poderia ocupar apenas a pasta da infraestrutura. Conversando na Assembléia Legislativa com um tucano que gosta de demonstrar conhecimento dos bastidores do partido e da prefeitura, cheguei a comentar:
- Então o Djalma vai ter que ir para Brasília mesmo...
- Não - interrompeu o tucano, enfático - o Djalma vai para o secretariado.
- Mas a infraestrutura ele perdeu...
- Só sei que ele vai estar no secretariado. Não vai para Brasília.
Naquela semana o engenheiro Djalma e seu irmão prefeito começaram a demonstrar que a pasta do Turismo, Cultura e Esporte também seria satisfatória para ambos. Mais uma vez a pressão se deu por fora do âmbito partidário, o que deve ter desagradado os correligioários - que tendem a indicar Gilmar Knaesel (PSDB) para a pasta, que já ocupou no primeiro mandato de LHS. E aos irmãos Berger, o que caberia? Os tucanos vão tentar emplacar Djalma na Secretaria Regional da Grande Florianópolis - que pode resultar numa dobradinha perfeita com as prefeituras do PSDB na Capital e em São José, mas é politicamente ineficaz se a idéia dos Berger é estadualizar o nome pensando em 2010.
Dário quer disputar o Governo do Estado, mas o partido já tem no senador e vice-governador eleito Leonel Pavan (PSDB) um pré-candidato. E Luiz Henrique parece ter mais com que se preocupar do que contentar os Berger - até porque o apoio da família na região não foi suficiente para diminuir a vantagem que Esperidião Amin (PP) alcançou no segundo turno. A diferença a favor do pepista ficou em 44 mil votos em Florianópolis e em 17 mil em São José. Vale lembrar que em 2002 a diferença a favor de Amin na Capital foi menor – 35 mil votos – e que na época Dário era prefeito de São José, militava no PFL e apoiava a reeleição do progressista.
De calculadora na mão, ao que tudo indica, Luiz Henrique não se sente em dívida com os Berger. E Djalma Berger provavelmente vai ter que escolher entre a Regional ou sua vaga na Câmara de Deputados - vaga que disputou com tanto empenho e que lhe custou R$ 870 mil em recursos próprios, devidamente declarados, é claro.
terça-feira, 21 de novembro de 2006
Uma espada para LHS
Depois de um hora de citações e jurisprudências e alguns pedidos de desculpas pela demora para a conclusão, Vicari afirmou que embora tenha havido uso indevido dos meios de comunicação em favor de LHS por parte dos jornais filiados à Adjori (Associação dos Jornais do Interior), não era possivel quatificar o quanto isso teria sido decisivo na vitória do peemedebista.
A sessão seguiu e a disputa estava em 3 a 2 a favor de Luiz Henrique quando chegou a hora do voto do juiz Jorge Antonio Maurique. Bem-humorado, ele acompanhou o voto de Vicari e garantiu a vitória dos governistas - mas não perdeu a chance de ironizar o colega ao elogiar.
- Seu voto foi como uma espada. Não por ser grande e chato, mas por ser cortante e preciso.
Futurologia aplicada
Nas projeções de Luiz Henrique - e ele é bom nisso -, Dário deixaria a prefeitura em 2010 e o PMDB herdaria a Prefeitura. Dário faria dupla com o próprio Luiz Henrique na disputa para o Senado, já que Pavan estaria no comando do Governo do Estado e buscaria a reeleição.
Nessa costura palaciana, os riscos maiores são do tucano Dário. A pujança da tríplice aliança na Capital pode acabar obrigando a oposição a lançar nome do único candidato considerado imbatível na cidade: Esperidião Amin.
Duas vezes derrotado por Luiz Henrique, o ex-governador pode ser o trunfo do PP para evitar a reeleição de Dário em 2008. Vale lembrar que Amin venceu Luiz Henrique na Capital com mais de 60% dos votos válidos. Se as conversas com o PT frutificarem durante o próximo ano é possível até imaginar um vice petista - que poderia assumir a prefeitura dois anos depois, no caso de Amin tentar o Governo mais ou vez ou o Senado.
sábado, 18 de novembro de 2006
Fatiando o poder
Enquadrando futuros dissidentes - um estudo de caso
Costuras de candidato derrotado
Grando espera que o governador reeleito Luiz Henrique convoque o deputado reeleito Altair Guidi (PPS) para o secretariado e a vaga no parlamento caiba a ele, primeiro suplente do partido. Segundo um deputado que está se despedindo, esse seria o pagamento do governador ao bem sucedido trabalho de Grando como soldado do peemedebista na Capital: tirar votos de outros candidatos com base em Florianópolis, especialmente do correligionário – pero no mucho – Édison Andrino (PMDB). Também ex-prefeito, Andrino teve 16 mil votos apenas no município (totalizou 28 mil) – não suficientes para garantir uma vaga na Assembléia. Vaga que Grando pode ocupar com menos de um terço da votação conquistada pelo peemedebista.
terça-feira, 7 de novembro de 2006
PSB S.A
"No PSB qualquer funcionário tem liberdade para externar seus pontos de vista e agir de acordo com sua consciência"
Depois o pessoal do deputado Godinho diz que a Executiva do partido trabalha na EBV e o Sontag reclama. Ou será que "militante" e "funcionário" são sinônimos no socialismo quadrangular catarinense?
Ps. A reclamação do leitor e a resposta do Paulo Alceu estão separados nesse link aqui.
sexta-feira, 3 de novembro de 2006
Prefeito decreta início do verão 2007
- Sim?
- Meu nome é Upiara, eu sou repórter do jornal A Notícia. O senhor pode falar agora?
- Você pode me ligar daqui a pouco? É que agora eu estou comprando uma bermuda...
Não existe conhecimento inútil
Minutos depois, o ex-governador afirmou que antes da entrevista queria falar pelo telefone com "alguém do PT" e com o vice Hugo Biehl. Falou primeiro com o José Fritsch e depois com a senadora Ideli Salvatti. Sem conhecer os números da disputa presidencial no Estado, Amin lembrou dos boletins de urna vistos pouco antes e pediu para a senadora transmitir um recado:
- Diga ao presidente Lula que nós viramos na Costeira do Pirajubaé!
Esperidião, um brizolista
- Em 86, naquela eleição que o PMDB elegeu todo mundo por causa do Plano Cruzado, o Moreira Franco estava ganhando no Rio e a gente queria reconhecer a derrota. Mas o Brizola dizia que ainda faltavam as urnas da Rocinha. Quando as urnas chegaram, o Moreira Franco ganhou lá também - explicou Amin, às gargalhadas.
No site de campanha de Amin havia uma entrevista em que o candidato afirmava ter se arrependido de não ter apoiado Brizola em 89, na eleição que elegeu Collor. O que não fazem quatro anos na UFSC...