quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O messias não chegou

A enchente de 1983 destacou a figura do então governador Esperidião Amin, eleito no ano anterior, para a política nacional. Jovem, Amin participou pessoalmente de operações de salvamento e chamou a atenção, a ponto de ter a atuação no episódio lembrada até hoje. 

Até momento, a enchente de 2008 não tem personagem político. Lula demorou a vir, Luiz Henrique parece em se preocupa mais em acalmar os turistas, os pré-candidatos ao governo estadual discursam com os pés limpos. Quem ninguém leia nessa frase uma crítica ou no parágrafo anterior um elogio.

Nada seria mais patético que o governador, já em idade avançada, de galochas ajudando a Defesa Civil em Blumenau. A atuação de Amin em 83 pode ser vista como a de um governante preocupado com o seu povo ou a de um populista querendo visibilidade. Escolham pelas cores que preferirem.

O post é só uma constatação de que nenhum político conseguiu "capitalizar" o desastre, por assim dizer. A menos de dois anos de uma eleição que apresenta cinco candidatos que não entusiasmam, talvez fosse a última chance para um fato novo. Talvez um jovem prefeito de cidade fortemente atingida pela tragédia, recém reeleito em primeiro turno com maioria esmagadora, com os pés sujos de barro. 

Alguém viu João Paulo Kleinünbing?  


Momento 1: Amin ajuda grávida em 1983 (roubada do blog do Carlos Damiao).

Momento 2: Lula vê a enchente quatro dias depois e se supreende quando LHS diz que a água baixou.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A sucessão de Júlio e os Brutus

Passadas as eleições municipais, as atenções se voltam para a disputa pela presidência da Assembléia Legislativa. Como o deputado Júlio Garcia (DEM) não tem direito a reeleição, os tempos de tranqüilidade, candidatura única e candidato eleito com os votos dos 40 parlamentares, devem chegar ao fim.

Já são dois os postulantes. O primeiro a colocar o nome na praça foi Rogério "Peninha" Mendonça (PMDB), que se declarou candidato a candidato ainda no final do ano passado. Ela não nega o sonho desde a última eleição da mesa diretoria, quando insistia em assumir a vice-presidência, mas acabou com a 1º Secretaria - estrategicamente mais importante para o PMDB por controlar o fluxo dos projetos na Casa.

O primeiro adversário de Peninha não precisaria nem ter o nome citado. É Jorginho Mello (PSDB), que já tentou a presidência por duas vezes e acabou derrotado sempre em decisões apertadas e cheias de puladas de cerca. Vai para a briga de novo. Deve enfrentar Gilmar Knaesel (PSDB) dentro da bancada, se o atual secretário de Turismo, ex-presidente da AL, confirmar a disposição de voltar para o plenário.

Em uma disputa apertada, os 13 votos da oposição podem finalmente fazer a diferença em alguma coisa nessa legislatura. Para onde eles vão? Por enquanto, a intenção da turma é evitar um presidente do PMDB ou do PSDB, privilegiando o DEM na sucessão. A primeira oficial é clara: evitar que o governador e o presidente do AL sejam do mesmo partido. Luiz Henrique (PMDB) continua no cargo até abril de 2010, quando renuncia para concorrer ao Senado e o vice Leonel Pavan (PSDB) assume. Assim, o governista DEM manteria um certo equilíbrio da relação Executivo/Legislativo. Nas entrelinhas do discurso, a vontade mesmo é provocar cobiça e mais fissuras na tríplice aliança, é claro.

A maior dificuldade dos oposicionistas é achar no DEM outro Júlio Garcia. Alguém discreto no comando e disposto a partilhar o poder com todas as bancadas. Daí deve surgir um novo movimento "queremista". Antes da campanha eleitoral, Kennedy Nunes (PP) chegou a esboçar uma mudança constitucional para permitir a reeleição de Garcia. Agora, a pergunta é se haveria tempo para isso. E se Garcia não estaria mais interessado em uma vaga no Tribunal de Contas.

De volta

Depois da divertida experiência no blog Confirma, que cobriu os bastidores da campanha do segundo turno em Joinville, volto minha atenção para cá. Espero conseguir manter a atualização freqüente.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Pausa e blog novo

O blog anda meio parado e vai continuar assim até o final do mês. Durante todo o segundo turno eu e meus colegas de editoria de política do AN em Joinville vamos tocar outro blog, dentro do portal do jornal. Assim, os bastidores, pitacos e as notícias que não cabem em A Notícia vão ficar por lá até novembro.

O endereço é www.an.com.br/confirma.

Até a volta, que será cheia de novidades...


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Duelo

Dário Berger e Esperidião Amin se enfrentam no segundo turno de Florianópolis. Que sejam feitos debates e que eles sejam assim:


segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A pesquisa Vox Populi

Um dos fatos novos da reta final da campanha eleitoral em Joinville é a pesquisa Vox Populi que mostra Carlito Merss (PT) à frente de Darci de Matos (DEM). Ela foi apresentada parcialmente pelo jornal Gazeta de Joinville e no horário eleitoral do PT e gerou uma pergunta - principalmente entre conhecidos radialistas do município: que pesquisa é essa?

Bem, a pesquisa foi contratada pelo PT nacional, que colocou Joinville no meio de uma série de cidades consideradas estratégicas nessas eleições. Embora só tenham sido divulgados os resultados da simulação de primeiro turno, da expectativa de vitória e da aprovação de Lula, LHS e Tabeldi, a pesquisa é bem ampla.

Seguem os números.

1 - Intenção de votos espontânea:

Carlito - 21%
Darci - 16%
Kennedy - 10%
Mariani - 10%
Rodrigo - 3%
Novaes - 1%
Ninguém/Branco/Nulo - 2%
Não sabe/Não respondeu - 37%

2 - Intenção de votos estimulada:

Carlito - 29%
Darci - 23%
Kennedy - 15%
Mariani - 14%
Rodrigo - 4%
Novaes - 1%
Castro - 0%
Ninguém/Branco/Nulo - 2%
Não sabe/Não respondeu - 12%


3 - Segundo turno entre Carlito e Darci

Darci - 42%
Carlito - 42%
Ninguém/Branco/Nulo - 7%
Não sabe/Não respondeu - 9%


4 - Rejeição

Carlito - 21%
Mariani - 12%
Kennedy - 11%
Darci - 10%
Castro - 8%
Rodrigo - 6%
Novaes - 6%
Votaria em qualquer um - 8%
Não votaria em nenhum - 1%

5 - Essa é curiosa. O instituto perguntou: "Para você, Joinville precisa de um prefeito que depois de eleito:"

- Continue com todas as políticas da atual administração - 4%
- Continue com a maioria e mude algumas - 40%
- Mude a maioria e continue algumas - 36%
- Mude todas as políticas da atual administração - 16%
- Não sabe/Não respondeu - 4%


A Vox Populi ouviu 800 pessoas entre os dias 16 e 18 de setembro e a margem de erro é de 3,5 pontos percentuais. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o numero 479/2008.

Baixe a íntegra da pesquisa, que tem muito mais perguntas e a explicação da metodologia. (atualização: não consegui linkar o arquivo pdf da pesquisa. Se alguém quiser, peça por e-mail - upiara@gmail.com)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Xenófobos e xenófilos

Na falta de polêmica maior, a discussão em voga na eleição joinvilense é uma não-polêmica. Rodrigo Bornholdt (PDT) chama Mauro Mariani (PMDB) de "forasteiro", que sente o golpe e o chama de "xenófobo". Era óbvio que assim que começasse a crescer nas pesquisas, Mariani seria alvejado em seu maior calcanhar de aquiles - a falta de identidade com a cidade.

Também era óbvio que esse ataque não viria nem de Darci de Matos (DEM), nem de Carlito Merss (PT). Favoritos para a disputa do segundo turno, ambos contam com o apoio do PMDB para vencer a eleição. Mas, certamente, devem ter ficado satisfeitos com as estocadas de Rodrigo contra o ascendente peemedebista. O papel de franco-atirador serve no pedetista. Renegado como candidato preferencial pelo PMDB e pelo padrinho Luiz Henrique, Rodrigo deve ter como questão pessoal ficar à frente de Mariani.

Ou seja, tudo dentro do scrip.

O que não dá pra entender é a indignação dos peemedebistas. Se é certo que Joinville é uma cidade que deve muito a seus imigrantes, não há registro na história recente de que um deles tenha tentado governar o município um ano depois de chegar por aqui. Mas o novo herdeiro político de Luiz Henrique mostra que já aprendeu a lição com o padrinho: diante de um questionamento incômodo é só se fazer de indignado e citar a ditadura. Costuma funcionar.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Déjà vu

Envolvido até o pescoço no manguezal revelado pela Operação Moeda Verde, o empresário Fernando Marcondes de Matos foi novamente preso preventivamente por uma operação da PF. Dessa vez, a irregularidades tem como cenário Biguaçu, onde está sediada a Inplac, empresa de Matos. Abaixo, reproduzo um texto que escrevi sobre Marcondes de Matos na época da Moeda Verde, quando vazaram gravações sobre o lobby feito por ele para a aprovação da Lei dos Hotéis. Para quem acha que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, grifei uma frase do texto - originalmente publicado em A Notícia.

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O poder e a influência do empresário Fernando Marcondes de Mattos no poder público municipal ficam explícitos nas conversas telefônicas gravadas pela PF e incluídas no relatório enviado à CPI que investiga a Moeda Verde. No documento, o empresário não tem dúvidas em acionar os vereadores cassados Juarez Silveira (sem partido) e Marcílio Ávila (PMDB) para pressionar pela aprovação de lei, em transações com a prefeitura e até para agilizar a colocação de postes em seu principal empreendimento - o Costão do Santinho. 

Marcondes de Mattos chegou a ser preso no dia 3 de maio quando foi desencadeada a Operação Moeda Verde, incluído entre os 22 empresários, políticos e funcionários públicos que tiveram a prisão temporária solicitada pelo juiz Zenildo Bodnar, juiz da Vara Federal de Florianópolis. A justificativa era influência o poder de pressão do empresário em órgãos do governo do Estado, como a Fatma. Foi solto no dia seguinte e à noite foi recebido pelo governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) para um jantar de desagravo. Em junho lançou sua biografia, entitulada "A saga de um visionário", em um evento que contou com boa parte das personalidades políticas do Estado. Além do empreendimento hoteleiro, ele também é proprietário da indústria de plásticos Inplac, localizada em Biguaçu, na Grande Florianópolis e chegou a ocupar cargos públicos como o de secretário da Fazenda, no governo Paulo Afonso Vieira (PMDB).

Nas gravações, a influência e o poder ficam registrada na prática. Mattos não tem receio em ligar para Juarez Silveira atrás de soluções para os mais diversos problemas. Para a aprovação da lei do incentivo aos hotéis, além do esforço do vereador cassado, ele contou com o auxílio do procurador-geral da Assembléia Legislativa Michel Curi, ex-vereador, e com a complacência do prefeito Dário Berger - que declara ao próprio Curi a vontade de "atender o doutor Marcondes".
O empenho de Marcílio Ávila na aprovação da mesma lei foi recompensado com o com o apoio do empresário para a ocupar a presidência da Santur, cargo que assumiu em janeiro. A participação do empresário na nomeação fica clara no relatório quando Silveira diz para Ávila que quem vai "bater o matelo" sobre a indicação é o empresário e o secretário de Cultura, Turismo e Esporte Gilmar Knaesel (PSDB).

Segundo Juarez Silveira, nas gravações, o empresário teria doado R$ 500 mil para Dário Berger (PSDB) durante a campanha eleitoral de 2006. Na época, o prefeito se licenciou do cargo para instalar em Florianópolis o comitê da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência da República e fazer campanha pelo irmão Djalma Berger (PSDB) - que disputou e ganhou uma vaga na Câmara dos Deputados. O deputado nega a doação e Marcondes de Mattos apenas admite a doação de R$ 100 mil para a campanha de Luiz Henrique à reeleição.

Problemas corriqueiros como a visita de um fiscal da prefeitura ou a colocação de postes de energia elétrica no Costão do Santinho também contavam com o auxílio de Silveira, que procurava os agentes públicos envolvidos para intermediar as questões. O vereador cassado demostrava a postura que, em sua defesa no processo de cassação denominou "office-boy de luxo". Postura que Silveira deixava clara para Mattos nas conversas. "Tu sabe que pra ti eu faço qualquer coisa", disse o vereador cassado em uma das conversas interceptadas.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Estaca zero, mesmo

Quando foi determinado que o processo de cassação do governador Luiz Henrique da Silveira (Pmdb) fosse reiniciado para que o vice, Leonel Pavan (Psdb), fosse citado, um debate - entre muitos - começou. O processo havia ou não voltado à estaca zero? 

Para os governistas era claro. Como o voto dos ministros pode ser alterado e uma nova defesa seria apresentada, nada garantia que o placar - que apontava 3 a 0 contra LHS - seria obrigatoriamente mantido. Os oposicionistas alegavam que o acórdão não invalidava os votos dados.

Agora, pode-se dizer tranquilamente que o jogo está novamente zero a zero. Os três ministros que que votarem pela cassação do governador estão fora do TSE. A despedida de Gerardo Grossi já havia se dado no dia em que o tribunal votou pela citação de Pavan. Em seguida, foi a vez de José Delgado, o relator do processo que, em sua argumentação, fundamentou o voto pela cassação.

Hoje, surge a notícia de que se despede Ari Pargendler. Ele foi o ministro que pediu vista ao parecer de Delgado e, oito meses depois, deu um voto ainda mais incisivo pela cassação. Com isso, o processo - com outro relator, o ministro Felix Fischer - será analisado por um grupo de ministros bem diferente do de fevereiro.

Não que as coisas tenham melhorado muito para os governistas. Na época, Marcelo Ribeiro e Carlos Ayres Britto deram indicativos de que também teria votado pela cassação. Britto, inclusive, era contra a citação de Pavan e foi veemente na argumentação que derrubou a tentativa de Marco Aurélio Mello, então presidente do TSE, de arquivar a ação. 

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

No reino animal

A fábula é bastante conhecida e muito citada. Cansados dos contínuos ataques do gato, os ratos fazem uma assembléia para encontrar uma forma de dar fim àquele tormento. A idéia mais aplaudida é a do rato que sugere pendurar uma sineta no pescoço do felino de forma que todos o ouçam quando ele se aproximar. Festa entre os ratos, idéia genial, etc. Até que um deles, mais pragmático, pergunta: quem pendura a sineta no pescoço do gato?

Da forma que é contada, história sempre acaba aí - deixando implícia a moral de que uma idéia só é boa se puder ser colocada em prática. No entanto, se a fábula se passasse em Joinville, teria final diferente. Sete ratos disputariam no voto o direito de pendurar a sineta no pescoço do gato. São eles:

R-11
"É muito rato apadrinhado. Com o queijo que dão para eles dava para fazer sete sinetas e pendurar em sete gatos."

R-12
"Eu tava com a antiga turma que ia pendurar a sineta no gato, mas me deixaram de lado porque sou jovem e dinâmico. Com o voto de vocês, vou fazer uma revolução e tirar esse gato do caminho"

R-13
"Companheiros ratos. Peço mais uma chance de livrar a todos desse gato. É a quinta vez que peço e dessa vez não estou sozinho. Com ajuda do presidente Lula já tenho garantido o financiamento da sineta, dentro do PAC. "

R-15
(fica em silêncio, quem fala é outro, mais velho, de bigodes mais destacados) "Você me conhece e sabe o quanto gosto daqui. Meu amigo já espantou os gatos lá de onde ele morava e tem me ajudado a acabar com os felinos por toooda santa catarina. Pra acabar com o gatos, é 15. E o 15 agora é ele". O primeiro finalmente fala: "vamos pendurar juntos".

R-16
"O gato é o imperialismo capitalista. Só um governo formado por ratos trabalhadores pode dar fim a esse esquema perverso de exploração. Sineta? Que sineta?"

R-25
"Ajudei em todas as tentativas de colocar a sineta no gato nos últimos 20 anos e agora chegou a minha vez de comandar. Tenho a experiência das vezes em que quase deu certo e garanto que daqui quatro anos todos os gatos que aparecerem estarão com sineta no pescoço"

R-43
"Vocês não me conhecem, mas eu conheço a solução de todos os problemas. Sineta é pouco. O que precisamos é de uma coleira eletrônica com oito alarmes e gps, para ter sempre a exata posiçao do gato. É possível, basta conhecer as minhas idéias".

Em outubro saberemos quem vai cuidar do gato e dos ratos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

"O peixe tinha seis metros, te juro"

Na estréia do horário eleitoral gratuito, Mauro Mariani (Pmdb) abriu alas para seu maior cabo eleitoral: o governador Luiz Henrique (Pmdb). Com depoimentos diferentes no programa da tarde e no da noite, o governador ocupou a maior parte do programa do peemedebista com a ingrata missão de fazer decolar uma candidatura que patina abaixo dos 5% de intenção de votos.

Luiz Henrique fez questão de dizer que o 15 agora é de Mariani e comparou o candidato a ele mesmo e ao ex-governador Pedro Ivo, até hoje referência do partido na cidade. Para motivar a militância, LHS lembrou a eleição para o governo do estado em 2002, quando desbancou o favorito Esperidião Amin (Pp).

Foi aí que se empolgou. Disse que no começo daquela eleição contavam com apenas 6% dos votos e, mesmo assim, acabou eleito.

Uma pesquisa no arquivo do AN e outra no do Ibope mostram que não foi bem assim.

No mesmo estágio da campanha atual, em 18 de agosto de 2002, o AN publicava pesquisa encomendada ao Brasmarket que colocava Amin com 48% e LHS com 23%. Fritsch (Pt) aparecia distante com 10%.

Dois meses antes, o Ibope realizou a primeira pesquisa em Santa Catarina. Os números eram semelhantes: Amin 50%, LHS 21% e Fristch 6%.

Nas urnas, em outubro, Amin ficou na frente com vantagem menor que a esperada, alcançando cerca de 40%. Luiz Henrique disputou voto a voto com Fritsch a vaga no segundo turno - 29% a 27%. No segundo turno, o peemedebista venceu por cerca de 20 mil votos de diferença e foi eleito governador.

Uma virada épica, com certeza. LHS não precisava exagerar.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Vai continuar assim?

O Tribunal de Justiça condenou o senador Raimundo Colombo (DEM) e o prefeito de Lages Renato Nunes (PP) a uma multa de R$ 20 mil em favor do mendigo Sebastião de Jesus por danos morais. A condenação é resultado da campanha de ambos a prefeito e vice de Lages em 2000.

Um folheto da chapa que reunia Colombo e Renatinho trazia a imagem de Jesus com uma pequena tarja sobre o rosto e as palavras "desalento", "desânimo", "desleixo" e "desrespeito", além da frase "Você vai deixar que Lages continue assim?". Jesus é deficiente físico e foi personagem de duas reportagens em um jornal local sobre o crescimento do número de pedintes na Serra catarinense.

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Quando as campanhas eleitorais descem ao nível mais rasteiro, esse tipo de coisa tende a acontecer. Mas o que chama atenção são as mudanças na política de Lages nesses oito anos.

- Renato Nunes herdou a prefeitura após a renúncia de Colobo, em 2006, para concorrer e vencer a disputa pelo Senado.

- Colombo passou a integrar o grupo político que apoia o governo Luiz Henrique (PMDB).

- Nunes segue no PP e é candidato à reeleição.

- Colombo indicou o vice para a chapa do ex-prefeito e deputado federal Fernando Coruja (PPS)

- Quem respondia pela administração de Lages em 2000 era Decio da Fonseca Ribeiro. O culpado - segundo Colombo - pelo então "desalento", "desânimo", "desleixo" e "desrespeito", era sucessor de Coruja e integrante do mesmo grupo político.

Moral da história: As duas maiores lideranças de Lages estão no mesmo barco após mais de uma década de disputa e o mendigo agora tem R$ 20 mil no bolso. Depois dizem que o povo não ganha nada com o bate-boca eleitoral.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O primeiro debate

Foi bem interessante o primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de Joinville, trasmitido e realizado ontem pela TVBV. A tradição da Band (seguida pelas afiliadas) de fazer sempre o primeiro confronto acaba fazendo com que os debates da emissora sirvam de teste para todos os outros encontro. Hora de ver o que funciona ou não, de correr poucos riscos.

Nesse sentido, Darci de Matos (Dem) surpreendeu ao fazer a primeira pergunta justamente para o principal adversário, Carlito Merss (Pt). Geralmente quem lidera as pesquisas foge do confronto. Mas o candidato demista parecia nervoso demais e gastou a chance alfinetar o petista com uma pergunta boba. "Explique porque o senhor só enaltece os problemas de Joinville?". Darci tentou levar para o debate a pecha de que ele não gosta da cidade que pretende governar - que talvez funcione nas ruas ou nos almoços partidários, mas nunca em rede estadual.

Foi a chance que Carlito - até então tímido - teve para falar de todas as ações que beneficiaram Joinville nos seus três mandatos como deputado e falar aquelas frases de político profissional, no estilo "amo essa cidade que me acolheu", "posso fazer muito mais como prefeito", etc. Na réplica, Darci insistiu e disse que Carlito não conhece bem a cidade porque fica muito em Brasília - e que deve permanecer por lá, por ser um "deputado razoável". Na tréplica, outra cortada petista.

Constrangedor.

Mais cauteloso, Mauro Mariani (Pmdb) tentou jogar o debate para a questão da saúde, apontada pelas pesquisas internas como área de maior insatisfação entre os joinvilenses e que deve ser o principal tema de sua campanha. Pediu a Rogério Novaes (Pv) que falasse sobre o assunto. O candidato verde foi a surpresa do debate. Desenvolto, claro nas propostas, falou sobre a necessidade de construir um hospital na zona sul e outro na zona norte, criando 400 leitos, e de terminar o Pronto-Atendimento do bairro Aventureiro. Deixou Mariani sem ter o que falar na réplica. O peemedebista limitou-se a ressaltar a presença do doutor Xuxo (José Aluísio Vieira, do Pps) como vice da chapa e falar na ampliação do Programa Saúde da Família.

A bola voltou para Carlito, que resolvou tabelar com Kennedy Nunes (Pp). A pergunta: o que ele acha do Restaurante Popular. A experiência de apresentador de tevê faz Kennedy se sair muito bem nesse tipo de encontro e a pergunta ajudou. Ele lembrou que prometeu construir um restaurante desse tipo quando foi candidato em 2004 e que a idéia foi ridicularizada por Marco Tebaldi (Psdb), que acabou eleito e hoje banca o restaurante feito pelo governo federal. Kennedy ressalvou que é preciso criar critérios para que só os necessitados possam utilizar o serviço.

Na estranha posição de ser vice-prefeito e candidato de "oposição" ao mesmo tempo, Rodrigo Bornholdt (PDT) focou seu discurso na área de segurança pública. Prometeu criar uma "mega-secretaria" que englobasse segurança e desenvolvimento social. Foi sobre o tema que dirigiu a pergunta a Darci de Matos, que também também prometeu criar uma nova estrutura para a área - mesmo ressaltando que o tema é competência do governo estadual.

Kennedy perguntou a Mariani o que ele achava dos serviços de água e esgoto de Joinville. O peemedebista puxou a sardinha para seu lado e garantiu que entende do assunto por ter sido relator da Cpi que investigou a Casan, no primeiro mandato de Luiz Henrique no governo estadual. Falou da tarifa cobrada pela Águas de Joinville, mais cara que as outras da região. Nesse ponto Kennedy foi incisivo. Deu números: "40% mais cara que em Jaraguá, 30% mais cara que São Francisco". E foi o primeiro candidato a prometer abrir uma caixa-preta nas eleições deste ano. No caso, a da companhia municipal de água e abastecimento.

Por último, Rogério Novaes (Pv) voltou ao tema da criação de uma secretaria de segurança municipal. Disse defender a idéia desde 2004, quando era candidato a vice de Carlito, e perguntou a Rodrigo porque ele não defendeu a idéia dentro da atual prefeitura, já que é vice. Rodrigo se saiu bem. No melhor estilo Lula, recorreu ao futebol e disse que o vice é apenas "um reserva com vontade de entrar em campo e fazer alguma coisa".

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Assim foi o confronto no primeiro bloco com perguntas entre os candidatos. Foi o que acompanhei melhor. Antes, eles responderam perguntas de joinvilenses entrevistados pela TVBV. Depois, foi a vez das perguntas dos jornalistas convidados e da produção da emissora. Essas últimas, um tanto constrangedoras. Chegaram a perguntar a Kennedy como ele trataria as greves de motoristas e cobradores de ônibus. Pertinente em Florianópolis, a pergunta não faz sentido em Joinville, onde a categoria é dócil. Foi mais ou menos o que disse o pepista, aproveitando o resto do tempo para falar de transporte coletivo. Para fechar, mais um bloco de perguntas entre os candidatos - que eu não acompanhei.

O post já está longo, vamos para as considerações finais:

Carlito (Pt) - Começou tímido e foi se soltando. Evitou confrontos e se apoiou em ações do governo federal na cidade. Pela primeira vez em suas cinco campanhas, tem o que mostrar.

Darci (Dem) - O mais nervoso. Partiu para o confronto com o Carlito de forma desajeitada. Se era para constranger o petista, melhor falar sobre os votos que ele deu em favor da CPMF e da CSS ou de sua posição sobre o aborto. Se saiu bem quando não teve medo de defender o governo Tebaldi. Ao responder sobre os corredores de ônibus que estão sendo implantados a toque de caixa, defendeu a prefeitura sem titubear.

Edílson Nunes (P-Sol) - É uma piada. O mais irrelevante foi justamente o único ausente, representado por uma cadeira vazia. Não parece estar em concorrendo. Não atende telefone para entrevistas, não se preocupa em aparecer.

Kennedy (Pp) - Tem intimidade com a câmera e leva vantagem por isso. Foi firme, usou bem o tempo, bateu em questões importantes.

Mariani (Pmdb) - Parecia menino pequeno visitando a tia que mora em outra cidade. Foi tímido, não conseguiu se destacar. Em algumas respostas, não conseguiu fugir daquele cacuete de político que responde sem dizer nada.

Rodrigo Bornholdt (Pdt) - Fora a dificuldade de se mostrar independente sendo parte do atual governo, Rodrigo foi bem. Claro no discurso, pegou para si o tema da segurança pública e não largou. Vai ter que explicar o que uma secretaria municipal de segurança pública pode fazer na prática. Florianópolis tem a sua, sem que ninguém perceba.

Rogério Novaes (Pv) - Respostas objetivas, discurso claro. Novaes foi bem. Levou para o debate a mesma naturalidade com que resolve os problemas de Joinville por telefone, quando é entrevistado. Carlito tinha razão quando dizia que a candidatura verde qualificaria o debate. Deve ser o Cristóvão Buarque da eleição.

O vencedor: O eleitor, que teve chance de conhecer os candidatos e suas propostas para o futuro de Joinville.



Brincadeira, brincadeira. Essa última é piada.

Não acredito em debates. O primeiro que eu na vida foi do Alceu Collares (Pdt) contra o Nelson Marchezan (Pds) nas eleições pelo governo gaúcho em 1990, acho. Levou uns dez anos para eu entender que, assim como no futebol, ninguém troca de time só porque o adversário joga mais bonito.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Vamos ouvir os leitores

Diariamente recebemos uma pesquisa com a opinião dos assinantes sobre o jornal. Em meio a tantas respostas sobre a necessidade de ter mais palavras cruzadas e não repetir o horóscópo, algumas vezes surgem respostas que apontam caminhos e sugerem coisas interessantes. Foi o que aconteceu ontem.

Um leitor de Joinville disse que o jornal deveria ter mais Fórmula Indy, tabelas dos campeonatos espanhol e italiano, além de informações sobre a cidade de Canoininhas. Mas destacou o principal:

"Gostaria de ver no jornal o Hino do Grêmio-Poa, pois acho o Hino o mais bonito de todos os times do Brasil".

domingo, 13 de julho de 2008

Resposta

Uma leitora chamada Patrícia deixou comentário no último post. Ela disse:

Bem legal a retrospectiva histórica.
Mas pensei que a matéria iria contar porque o governador permitiu que o desembargador assumisse: aquilo que rola por trás dos bastidores, que "prestigiar" o Judiciário, fazia parte da contrapartida que o governador daria ao TJ por escolherem o Adriano Zanotto como novo desembargador. Mas, o advogado preferido do Governo acabou nem entrando na lista triplice, nao sendo eleito lá na OAB. "

Bom, Patrícia. Se o Zanotto tivesse sido escolhido desembargador, a matéria citaria essa questão. Mas o governo não conseguiu superar a resistência dos outros magistrados em relação ao nome dele, o que fez o advogado ser o quinto em uma lista de seis nomes enviados pela OAB. Assim, se a posse de Francisco Oliveira Filho estava vinculada à posse de Zanotto, não deu em nada. Talvez porque dez dias segurando a caneta de LHS sem tinta dentro valham exatamente isso: nada.

Obrigado pela visita e pelo comentário.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Em nome do prestígio

Às vezes uma pauta tira a gente da rotina de cobertura. Foi assim quando, no início da semana passada, o editor sugeriu que eu fizesse uma matéria sobre a engenharia política articulada para que presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Francisco de Oliveira Filho, assumisse o governo por dez dias.

A pauta não tinha nada demais, o DC também fez e publicou no mesmo dia. O que me fez gostar dela foi a possibilidade de misturar jornalismo e história. Tudo por causa de uma pergunta: quantas vezes um desembargador do TJ assumiu o governo estadual?

Alguns colunistas já tinham dito que seria a sétima vez, então liguei para a assessoria do TJ atrás de confirmação. Eles disseram que sabiam de seis casos, mas que não tinham registros anteriores a 1983. Passaram a relação dos seis nomes - com dados mais exatos apenas nos últimos quatro casos (data exata da posse e permanência no cargo, basicamente).

Não fiquei satisfeito enquanto não achei as datas e os motivos que levaram aqueles desembargadores a tomarem conta do estado. Acabei esbarrando numa lista de todo mundo que já assumiu o governo catarinense e pude somar mais dois desembargadores na lista do TJ. Um em 1915 e outro em 1922. Com os nomes, bastou uma rápida olhada no "Dicionário Político Catarinense" que comprei numa banquinha de livros usados da Praça XV por três reais. Lá estavam as datas de posse e o tempo no cargo, pelo menos.

Na hora de escrever, quase esqueço que o gancho era a engenharia feita pelo Luiz Henrique (viajou, mandou o Pavan viajar e pediu pro Júlio Garcia não assumir) e não a questão histórica. Não importa. Sou fascinado pela história política catarinense e me diverti descobrindo que o segundo desembargador a ter a honra de assumir o governo (João da Silva Medeiros Filho) era genro do então governador (Hercílio Luz). Terá alguém denunciado nepotismo?

Ainda quero descobrir porque Hercílio Luz resolveu "prestigiar" o marido da filha com quatro dias no comando do estado. Não vai render matéria, talvez nem texto aqui no blog. Mas, certamente, tem mais importância que a interinidade de Francisco de Oliveira Filho ou de qualquer outro magistrado substituindo governador. Alguns dias de assinaturas em projetos irrelevantes, concessões de títulos irrelevantes, discursos em eventos irrelevantes e egos massageados.

Desde 1915.

(clique na imagem para ler a matéria)

sábado, 28 de junho de 2008

Um ano e oito meses depois, o acerto

O candidato a vice na chapa de Esperidião Amin (Pp) à prefeitura da Capital deve ser o sociólogo Paulo Renato de Souza, do Ptb. Pelo menos é o que dizem um ou outro colunista político em seus blogs. A confirmação do petebista consolida uma aliança que poderia ter acontecido no segundo turno das eleições para o governo do estado, em 2006.

Na época, com Luiz Henrique e Amin ainda no páreo, Antônio Carlos Sontag, quarto colocado na disputa, foi o último candidato a definir quem apoiaria no segundo turno. Valorizou o passe - conversou com o pepista e o peemedebista antes de finalmente apontar seu apoio a LHS. Não tardou para que a coordenação de campanha de Amin divulgasse uma nota um tanto contrangedora contendo a relação de cargos pedidos por Sontag para apoiar o oposicionista (clique na imagem para ampliar).

Sontag negou os pedidos, que incluiam uma secretaria de Estado (a definir), cargos no Detran, Inmetro e a diretoria financeira da Celesc. Mas não faltou gente dentro da campanha do empresário admitindo a escolha por LHS ter se devido à idéia de que embora cheio, o "ônibus" do peemedebista tinha mais gasolina. E, assim, morreu na casca o apoio de Sontag a Amin, Luiz Henrique se reelegeu e etc. Provavelmente se reelegeria de qualquer forma.

O que mudou em um ano e oito meses para Sontag e Amin acertarem os ponteiros e garantirem a aliança dos dois partidos não só na Capital, mas também em Joinville? O acerto na maior cidade do estado, inclusive, com intervenção direta de Sontag, já que o partido (e toda a Igreja Quadrangular) já estava fechado com Darci de Matos (Dem).

Bom. Se a lista de pedidos feita a Amin em 2006 era legítima, nunca vamos saber. Mas um dos cargos relacionados nela relacionados foi pedido a LHS em troca do apoio: a diretoria financeira da Celesc. O indicado de Sontag seria o Ênio Branco, mas o empresário acabou perdendo a disputa para Júlio Garcia (Dem), que conseguiu emplacar uma indicação.

Sontag perdeu também a sigla que controlava o estado, o PSB. Foi pego de supresa com a filiação do deputado federal Djalma Berger (então PSDB) logo no começo de 2007. Berger ganhou a franquia do PSB em Santa Catarina e deixou bem claro não tinha espaço dentro dela para o concorrente - sempre lembrando que os Berger são donos da Casvig e Sontag responde pela EBV.

Sobrou ao empresário gaúcho radicado em Florianópolis buscar abrigo no PTB do deputado Narcizo Parizotto, que já o tinha apoiado em 2006. O deputado deixou a Sontag o cargo de presidente estadual da sigla.

Agora é a hora do troco. Será que dessa vez, na lista apresentada a Amin o único pedido era "vingança". Em 2009, saberemos.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Enquanto isso, na cidade dos príncipes...

São mais de seis meses de flerte, mas eu e a política joinvilense ainda estamos apenas nos conhecendo. Fui transferido da sucursal de Florianópolis para a sede do A Notícia em dezembro, mas no começo continuei cobrindo mais as questões estaduais - mesmo à distância. Essa rotina era interrompida por uma ou outra questão judicial envolvendo a prefeitura. Como aqui o Ministério Público tem um bocado de ações contra o Tebaldi, não foi pouca coisa.

Só comecei mesmo a mergulhar na política joinvilense após a reforma do jornal, quando acabou o caderno AN Cidade e a cobertura política local foi incorporada pela editoria de... política. Isso foi em abril, em um momento em que este blog ficou um tanto às moscas. Por isso, nenhuma história de Joinville apareceu aqui.

Não foi por falta de merecimento, admito. A eleição municipal em Joinville tem tudo para ser tão divertida quanto à da Capital. Não teremos Dário Berger (Pmdb) e Esperidião Amin (Pp) querendo um o fígado do outro, nem o sorriso de Angela Albino (Pcdob). Mas existem compensações.

Temos alguns meses para descobrir se o "forasteiro" Mauro Mariani (Pmdb) vai decolar, se o Carlito Merss (Pt) consegue colher só os louros do governo Lula ou se os desgates vem junto e, claro, a grande pergunta: por que diabos o Luiz Henrique não quis apoiar o Darci de Matos (Dem) se era a forma mais fácil de manter a tríplice aliança em sua base eleitoral.

Até segunda todos os nomes estarão na mesa e a campanha começa para valer. Porque, até agora, a única coisa em discussão parece ser o passe do Dr. Xuxo (Pps).

Glossário:

- forasteiro: Duas vezes prefeito de Rio Negrinho e deputado federal mais votado do Pmdb na última eleição, Mariani transferiu o título este ano para Joinville. É a grande aposta de LHS para as eleições municipais e por isso veio de mala e cuia para a cidade, comprou um celular 47 e é um dos mais assíduos jogadores de dominó da praça Nereu Ramos. Mas as más línguas dizem que ele não sabe onde fica o bairro Boa Vista.

- desgastes: Carlito parte para a quinta tentativa de conquistar a prefeitura joinvilense e a grande novidade de 2008 é a impressão de que dessa vez ele tem chance. Vai tentar colar seu nome nas ações do governo federal em Joinville, como a implantação do campus da UFSC - e ter a missão ingrata de defender a CPMF nos debates.

- manter a tríplice: Darci conta com o apoio do PSDB de Tebaldi e tinha certeza de que o PMDB, sem nome forte para a disputa, cairia no seu colo. Só não contava com a vaidade de LHS, que resolveu mostrar pro mundo todo que em Joinville elege até poste. Mesmo assim, segue favorito.

- Dr. Xuxo: É o apelido de José Aluizio Vieira, presidente da Fundação Pro-Rim. Quando foi lançado pelo Pps como pré-candidato, todo mundo sabia que o acerto era ele ser o vice do Mariani, na impossibilidade do irmão dele, o suplente de deputado federal Antonio Carlos Vieira, deixar o Dem e se filiar ao Pps para ocupar o posto. Mas quando Xuxo viu nas pesquisas que tinha mais intenções de voto que o peemedebista, relembrou o antigo hit do Kid Abelha e se perguntou: "por que não eu?". É a incógnita da eleição até agora.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Relembrando 2006

O amigo e repórter do Notícias do Dia Alessandro Bonassoli relata em seu blog a sessão de ontem da Assembléia Legislativa, quando foi votada e aprovada a mudança nas regras da previdência estadual. Ele conta que os deputados governistas se abstiveram de defender o projeto em tribuna, deixando esse espaço todo para a oposição.

Isso tudo me lembrou a votação do projeto que permitia a venda das contas salário do funcionalismo - que pela Constituição catarinense não podiam sair do Besc. Isso aconteceu no final de 2006, quando Luiz Henrique já estava reeleito, mas Eduardo Pinho Moreira ainda respondia pelo governo.

Na época, os governistas também se calaram. O plenário cheio de besquianos, polícia e a oposição berrando (tinha mais gente na época) - enquanto os deputados da base estavam quase todos na antiga cantina do plenário.

Foi lá que eu perguntei ao Blasi, então líder do governo, se eles não iam defender o projeto.

- Upiara, tem horas em que a oposição discursa e a situação vota.

Antes de ir para o TJ, deve ter relembrado a técnica ao Herneus de Nadal, que ocupou seu posto. Não que precisasse, certamente.

terça-feira, 17 de junho de 2008

O debate que não terminou, recomeça

Desde a última campanha eleitoral e, principalmente, a Operação Moeda Verde, o prefeito Dário Berger (PMDB) diz querer enfrentar Esperidião Amin (PP) nas eleições desde ano. Se era bravata ou não, agora tanto faz. Com a confirmação de que o ex-governador será mesmo candidato, os dois devem polarizar a disputa em outubro e continuar aquele improvisado debate iniciando na Câmara de Vereadores, em 2006, que começou com gritos e terminou em boletins de ocorrência.

Para quem não lembra, ainda estava em disputa o primeiro turno das eleições para o governo estadual e a Câmara de Florianópolis – sob comando de Marcílio Ávila (então PMDB) – organizou um debate entre os candidatos. A presença de sete candidatos e o modelo engessado do debate esfriaram qualquer disputa entre Luiz Henrique, Amin e Fritsch.

O que esquentou a noite gelada (eu lembro porque voltei a pé para casa) foi a pergunta feita ao pepista por um dos jornalistas convidados. O repórter do jornal A Fonte queria saber se Amin era mesmo o dono da empresa de ônibus Transol – uma das muitas lendas políticas do município. Próximo ao jornalista, sentado ao lado do então líder do governo na Câmara, Juarez Silveira (então PTB), acompanhava o debate o prefeito Dário – em frente ao próprio Amin.

O ex-governador agradeceu à pergunta e disse a frase que fez Dário levantar-se da cadeira a iniciar o debate improvisado. Amin falou, com a mão espalmada:

- Eu tenho as mãos limpas. Não sou dono de empresa que presta serviço ao governo.

Um dos donos da Casvig, Berger se levantou para contrapor. Sem microfone em punho, suas palavras tiveram menos repercussão. Até porque, Amin, rapidamente encurralou Marcílio Ávila com uma pergunta.

- O senhor vai devolver o meu tempo ou vai abaixar a cabeça para o seu patrão?

Marcílio se viu obrigado a interromper a discussão, fazer o básico discurso sobre a Câmara de Vereadores não ter patrão e devolver o tempo perdido e a palavra a Amin. Que a usou como sempre. Bem. Acusou Dário de ter migrado para o PSDB (seu partido à época) junto com o irmão deputado Djalma em troca de contratos da Casvig com o governo estadual. Ainda se ouviu o prefeito gritar “denúncia requentada”, mas o fato político do debate estava pronto. E naquela mesma noite tem gente que jura ter ouvido Dário falar que queria enfrentar Amin em 2008. Se era bravata ou não, agora tanto faz.

Vai ser uma eleição divertida.

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Isso tudo aconteceu há menos de dois anos, mas não foram poucas as mudanças a serem apontadas.

- Dário trocou o PSDB pelo PMDB em setembro do ano passado. Meses antes, o irmão Djalma já deixara os tucanos, migrando para o PSB e a base aliada do presidente Lula.

- Em 2006, Marcílio Ávila e Juarez Silveira eram os donos do campinho chamado Câmara de Vereadores e hoje brigam na Justiça para reconquistar um lugar lá dentro. Mesmo que consigam, dificilmente terão a mesma relevância. Sem filiação, Juarez não teria nem como disputar a reeleição. Marcílio conseguiu um abrigo no PSB de Djalma Berger, mas precisa que a Justiça invalide sua cassação e lhe devolva os direitos políticos.

- José Fritsch, do PT, deve fazer um mergulho semelhante ao de Amin. Depois de disputar duas vezes o governo do Estado, vai tentar recuperar a cidade que o projetou – Chapecó. Amin tem mais chances.

- A Casvig, dos Berger, foi a principal prejudicada pela redução drástica dos gastos do governo estadual com terceirizados no segundo mandato. Vem daí boa parte dos R$ 170 milhões que o secretário de Administração Antonio Gavazzoni (DEM) diz ter cortado no custeio da maquina estadual em 2006. Nunca é demais lembrar que DEM é o novo nome do PFL e que o PFL não engole Dário Berger desde que ele deixou o partido, em 2003, para viabilizar a candidatura a prefeito da Capital. O DEM que vai tentar tudo para ser a terceira via da eleição, com o deputado César Souza Júnior aliado a outro “marido traído”: o PSDB do vereador Walter da Luz e, principalmente, do deputado Marcos Vieira.

- A Operação Moeda Verde não deu em nada até agora (tirando as cassações de Marcílio e Juarez). Mas o seu cadáver vai ser exumado durante toda a campanha eleitoral até que se descubra se seu DNA tem genes Amin ou Berger. Ou se é um transgênico.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Anúncio

A Francine, da agência Salem, mandou um aviso de um concurso interessante para proto-jornalistas. Vejam só:

"Estou trabalhando para o Concurso Universitário de Jornalismo da CNN International, que talvez interesse você e os leitores do Repórter U.
O concurso acontece todo ano e agora está na 4ª edição. Ele é aberto para alunos do Brasil inteiro que estejam cursando Jornalismo, e o desafio é elaborar uma matéria jornalística televisiva com o tema 'A socialização por meio da arte'. O autor do melhor trabalho vai ganhar uma viagem para Atlanta para conhecer os estúdios do canal, e ainda vai ter sua matéria exibida em rede internacional pela CNN.

O site do concurso está no ar, no http://www.concursocnn.com.br . Lá temos o regulamento e mais informações."

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Já pra direção!

O primeiro passo do lançamento oficial de uma candidatura a qualquer cargo público costuma ser negar a própria intenção de ser candidato. É nesse estágio que se encontra hoje a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Pt) à Presidência da República em 2010. Quem esteve presente ou acompanhou de casa o Painel RBS, que sabatinou a ministra na segunda-feira em Joinville pôde perceber isso muito bem.

Nas duas vezes em que o tema foi citado, Dilma sorriu, fez graça, disse que era cedo para discutir o assunto. Cumpriu o figurino para uma platéia muito mais dócil do que a aguardava na quarta-feira em Brasília, quando falaria sobre o "Dossiê FHC", ou melhor, do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Muito tem se falado sobre a falta de carisma da ministra para emplacar em uma campanha presidêncial. Se o modelo de comparação for Lula, pode até ser. Mas em uma disputa contra José Serra (Psdb), Ciro Gomes (Psb) e outros menos cotados, a ex-guerrilheira com jeito de diretora de escola primária do interior do Rio Grande do Sul, pode até dar um caldo.

Errata

No texto abaixo, onde escrevi Gilmar Mendes, leiam Joaquim Barbosa.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Olhos voltados para Brasília, ainda

O apelido do ministro Marco Aurélio Mello no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) era "voto vencido". Na noite de segunda-feira, na última sessão em que Mello presidiu o tribunal, ficou claro o motivo. Ele pediu uma sessão extraordinária para colocar em votação um embargo dos advogados do governador Luiz Henrique da Silveira (Pmdb) que buscava arquivar o Recurso Contra Expedição de Diploma 703 - aquele em que o governador pode ter o diploma cassado por abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação nas eleições de 2006.

Pois Marco Aurélio, mais uma vez, pareceu advogado de defesa da coligação peemedebista. Três meses depois de ser o principal artífice da sessão em que foi modificada a jurisprudência e o TSE decidiu por 4 votos a 3 que a partir de agora o vice deve ser citado nesse tipo de julgamento, o ministro deu parecer favorável ao arquivamento do processo. Alegava que o tempo para novas citações estava esgotado.

Foram cinco páginas de argumentações e jurisprudências, pedindo a extinção do processo, em nome da segurança jurídica. Afinal, se o vice tinha que ser citado, a citação deveria ter ocorrido um ano antes, quando a coligação entrou com a ação. O voto do ministro parecia o fim da linha. O fim da ação que deixou Santa Catarina de olhos voltados para Brasília.

Mas quem apostava no arquivamento do processo esqueceu do velho apelido, "voto vencido". O jogo começou a virar quando o ministro Carlos Ayres Britto - que desde ontem sucede Marco Aurélio na presidência do TSE - deu as primeiras palavras de seu voto. Polidamente, Britto discordou com veemência. Disse que era preciso lembrar que por uma margem mínima, uma jurisprudência de anos fora alterada, obrigando a uma citação que antes era considerada desnecessária. Além disso, chamou a argumentação de Marco Aurélio de "babel jurídica". Na sequência, o ministro Gilmar Mendes concordou com Britto e argumentou que resguardar a segurança juridica seria justamente o contrário, dar prosseguimento ao processo.

A ênfase dos dois certamente foi determinante para a votação acabar em 5 a 2, com o TSE derrubando a tentativa dos peemedebistas de arquivar o processo. Segue em julgamento o "moribundo" - como LHS chamou a ação após a determinação dos ministros de que ele voltaria à estaca zero para a citação do vice Leonel.

O relator é o ministro Felix Fischer, o único que acompanhou Marco Aurélio na defesa do arquivamento.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Dividindo

O secretário estadual de Comunicação Derly Anunciação foi homenageado ontem no evento que lançou em Santa Catarina a campanha comemorativa do centenário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Recebeu das mãos da presidente da Acaert (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão), Marise Westphal Hartke, uma placa e fartos elogios.

Para ela, a imprensa catarinense se divide em antes e depois de Derly.

Faz sentido.

Com a força do povo

O vice-presidente da República José Alencar (Prb) disse a seguinte frase, ontem, em entrevista a uma emissora de rádio:

- O que os brasileiros desejam é que o Lula fique mais tempo no poder.

Como brasileiro, concordo com o vice. Desejo que Lula permaneça mais tempo no poder. Para ser mais exato, os 33 meses e alguns dias que faltam para que ele conclua o mandato que ganhou nas urnas em outubro de 2006.

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Em tempo, não é de hoje que Alencar brinca de adivinhar a vontade do povo brasileiro. Na campanha eleitoral disse, em evento realizado em Florianópolis, que os brasileiros iam "vingar nas urnas as injustiças cometidas contra o presidente Lula. Na época, eu cobri o evento fazendo frila para o jornal O Globo. O texto, de 24 de agosto de 2006, segue abaixo.

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O vice-presidente José Alencar afirmou ontem em Florianópolis que as últimas pesquisas divulgadas na disputa para presidente refletem o desejo do povo brasileiro de reparar as injustiças cometidas contra Lula.

- Os brasileiros precisam respeitar o sentimento nacional. O povo quer vingar as injustiças cometidas contra o presidente Lula. O povo acompanhou as denúncias contra o presidente e as analisou em secreto. Agora mostra sua opinião e vai reeleger Lula.

Convidado para abrir o 12º Congresso Nacional de Jovens Lideranças Empresariais, Alencar mostrou-se confiante com a vitória no primeiro turno e afirmou que declarações da oposição ligando o nome do presidente à corrupção serão avaliadas pela população como "aventura eleitoreira".

Sacrifício pelo poder

O texto abaixo é do jornalista Augusto Nunes, linkado no blog do deputado federal e pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro Fernando Gabeira (Pv). A candidatura é o tema, mas Nunes inicia citando o ex-governador catarinense Antônio Carlos Konder Reis - que dá uma aula de metáfora.

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O ex-governador catarinense Antônio Carlos Konder Reis já vivia o ocaso político quando um jornalista lhe perguntou se gostava da idéia de voltar ao cargo que ocupara entre 1975 e 1979. Por um punhado de segundos, Konder ficou em silêncio - varado de luz como um santo de vitral, diria Nelson Rodrigues. E então mandou às favas as mesuras retóricas. Para escancarar as profundezas da alma, recorreu à imagem que Lula adoraria ter usado num daqueles improvisos no meio da tarde, com a garganta molhada pelo almoço.

"Imaginemos que aparecesse à minha frente, agora, uma montanha de merda, e alguém dissesse que, do outro lado, estava o palácio do governo", fantasiou. "Se esse alguém garantisse que bastaria cruzar a montanha para voltar ao comando do Estado, eu começaria a travessia imediatamente. A nado, se preciso". O poder é bom demais, sublinhou. Principalmente quando exercido em cargos executivos.

Nascido e criado numa família habituada ao mando, Konder sabia do que falava: adulto, consumiu muito mais tempo dando ordens do que empenhado em cumpri-las. Pode ter-se excedido na linguagem, mas não exagerou. A chance de candidatar-se a presidente, governador ou prefeito induz a gente da terra a fazer coisas de que Deus duvidaria se não fosse também brasileiro.

(leia o texto completo)

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Imagino que Konder Reis tenha dado a entrevista em 1993 ou 94, quando era vice do governador Vilson Kleinubing (PFL). Ele se preparava para reassumir o cargo que já havia ocupado durante o regime militar, por conta da renúncia de Kleinubing para concorrer ao Senado. Konder Reis completou o mandato e disputou quatro anos depois uma vaga na Câmara dos Deputados. Foi eleito com a quinta maior votação, cerca de 75 mil votos. Tentou a reeleição em 2002, mas ficou longe da vaga, com apenas 16 mil votos. Desde então, está aposentado.

sábado, 22 de março de 2008

Cadê o meu Estado Laico?

A idéia foi logo arquivada, mas o deputado Nilson Gonçalves (Psdb) bem que tentou aplicar a obrigatoriedade do ensino do criacionismo nas escolas públicas de Santa Catarina. O projeto de lei foi apresentado em novembro do ano passado e não chegou nem mesmo a ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Pela proposta do deputado tucano, o conteúdo seria incluído na disciplina de Ciências e apresentaria “noções de que a vida tem sua origem em Deus, como criador supremo de todo universo e de todas as coisas que o compõem, tais como as plantas, os animais, todo o ecossistema, o universo e o próprio homem”.

Eis a justificativa de Gonçalves para o projeto:

“O presente projeto de lei visa estabelecer a obrigatoriedade de inserir na grade curricular da rede pública estadual de ensino, conteúdos sobre “criacionismo”, ou seja, a visão de que existe um Criador para todas as coisas universais.

A teoria da evolução não deveria ser vista como “a causa definitiva das origens”, pois alguns criacionistas salientam que a crença em um criador é geral entre todos os povos, todas as culturas.

Sendo o Brasil um país predominantemente cristão, tal teoria tem como fundamento o livro do Gênesis contido na Bíblia Sagrada, portanto, torna-se necessário que as aulas de ciências das escolas públicas ensinem que há outras teorias de criação além da evolução, e que uma delas é a versão bíblica da Criação, ou de um Criador.”

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Sou favorável à idéia do deputado. Desde que seja aprovada uma emenda tornando obrigatória também a inclusão dos conteúdos da Origem das Espécies nos sermões dos padres católicos e nas pregações evangélicas.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Lacerdismo aplicado

Para não falarem que só fico resgatando histórias do Brizola aqui no blog, encontrei uma do Carlos Lacerda. Após o golpe de 1964, ele teria saído pelo mundo a propagandear a revolução. Na França, a entrevista foi curta - uma pergunta e uma resposta:

- Por que, afinal, as revoluções sul-americanas são sempre sem sangue?
- Porque são semelhantes às luas-de-mel francesas.

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E agora temos que nos virar com Lulas, Geraldos, Garibaldis e Mãos Santas...

(a história foi retirada de um artigo de Celso Lungaretti, publicado no site da Fenaj. Eis o link.

Inconciliáveis

Vocês devem ter lido, ouvido, comentado a defesa apaixonada que o presidente Lula fez ontem do uso de Medidas Provisórias para governar. Se alguém não viu, segue um trecho abaixo:

- Qualquer deputado e qualquer senador sabem que é humanamente impossível você governar se não tiver medida provisória. Porque o tempo e a agilidade com que as coisas precisam acontecer muitas vezes são mais rápidos do que o tempo das discussões democráticas que são necessárias acontecerem no Congresso.

Interessante nessas horas é resgatar o que dizia nos tempos pré-2002 o sumido irmão gêmeo do presidente Lula, o petista Luiz Inácio. Em 10 de fevereiro de 2001, ele assinou o seguinte artigo no jornal Zero Hora:

Usurpação de poderes

Não é difícil imaginar a campanha sem tréguas que a maioria da imprensa brasileira faria contra um governo de esquerda no nosso país se o Executivo legislasse por meio de medidas provisórias. Pois é exatamente isso que faz o presidente FH, passando por cima do Congresso Nacional. Um exemplo gritante: somente nesta semana, após ter sido reeditada 73 vezes, foi votada e transformada em lei a medida provisória que trata das complementações do Plano Real. Aquela, editada lá atrás, há seis anos, em março de 1994, que trata do fim da correção monetária e da proibição de reajustes automáticos de salários.

O presidente FH já editou e reeditou 4,8 mil medidas provisórias nos seus dois governos. É mais um exemplo de como exerce a presidência “esquecendo” o que defendia como sociólogo e parlamentar. Nesta semana, Clóvis Rossi, da Folha de S. Paulo, ocupou uma coluna inteira só com citações do próprio FH, então senador, nas quais critica duramente os governos da época pelo fato de editarem medidas provisórias de modo descabido e abundante. Realmente é para que todos “esqueçam” o que disse e escreveu no passado.

Em meio à guerra que se trava na base governista pelas presidências da Câmara e do Senado, o governo federal está fazendo o possível para evitar que seja votada a proposta de emenda constitucional que limita a edição de medidas provisórias. Por essa proposta, já aprovada pelo Senado em 1999, toda medida provisória perde sua validade se não for votada em um prazo de 60 dias, com direito a uma prorrogação pelo mesmo período de tempo.

Além disso, o governo não poderá mais editar medidas provisórias sobre temas que envolvam orçamento, Direito Penal, nacionalidade ou retenção de qualquerativo financeiro. Muda também o próprio processo de discussão, já que as medidas terão de ser debatidas na Câmara e no Senado separadamente, e as que foremrejeitadas, ou que ultrapassarem o prazo definido para votação, não poderão mais ser reeditadas.

Há outro ponto importante sobre essa questão. Pelo Artigo 246 da Constituição, é proibida a reedição de qualquer medida provisória sobre artigos da própria Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada a partir de 1995. Isso significa que, se o Congresso aprovasse hoje, por exemplo,uma proposta de emenda constitucional definindo uma reforma tributária, o governo não mais poderia editar medidas provisórias sobre o tema. O presidente FH quer retirar esse artigo da Constituição. E o seu líder no Congresso ainda afirma pela imprensa que se isso não ocorrer o país vai para o caos.

É interessante anotar as atuais disposições políticas do governo para confrontá-las com o quadro político que se avizinha. O presidente FH quer manter as medidas provisórias porque deseja completar o seu modelo econômico, subordinado ao FMI, sem submeter as decisões ao Congresso Nacional. É o que pretende,por exemplo, com as anunciadas alterações no Banco Central e com a regulamentação do sistema financeiro.

Uma espécie de “blindagem da economia” para dificultar as mudanças de rumo do país em um futuro governo das atuais oposições.Isso está sendo tentado pelo governo porque os dirigentes neoliberais estão começando a enfrentar sérias crises em conseqüência das suas políticas antisociais,tanto aqui no Brasil quanto em outras partes do mundo. E essa situação aponta para a necessidade de mudanças políticas profundas, que em parte já começaram a ocorrer em capitais e grandes cidades de muitos países.

Nós temos compromissos de princípio com a democracia e com o fortalecimento e autonomia dos poderes da República. Lutamos contra o arbítrio da ditadura militar e defendemos, tanto ontem quanto hoje, a primazia do Estado de Direito. Penso que há um claro sentimento de saturação na maioria dos partidos, no Congresso, em boa parte da imprensa e nos setores organizados da população em relação a essa forma autoritária de governar por meio de medidas provisórias, levada a extremos pelo presidente FH. É importante para o Brasil que o Congresso dê um basta nesse processo.

Pequenas novidades de Brasília

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou na segunda-feira um recurso do governador Luiz Henrique (Pmdb) que pedia que uma ação por propaganda eleitoral antecipada fosse julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Não se trata do famoso Recurso Contra Expedição do Diploma 703 - a ação da coligação liderada por Esperidião Amin (Pp), candidato derrotado em 2006, que pede a cassação do governador. Esse caso é pontual e tem como punição apenas uma multa de cerca de R$ 50 mil.

O objeto da ação é o caderno "40 meses de mudanças", publicado quando LHS renunciou ao governo para disputar a reeleição fora do cargo. O caderno trazia, ahn, digamos, reportagens sobre o período do governador à frente do Estado, recheado por, ahn, anúncios de empresas louvando os três anos de governo. Na publicação, Luiz Henrique dava sua primeira entrevista fora do cargo, falando sobre a candidatura à reeleição e os planos para o segundo mandato. Tudo isso em abril de 2006, antes do início do período de propaganda eleitoral.

Por causa desse caderno, LHS foi condenado no Tribunal Regional Eleitoral. Recorreu ao TSE, que manteve a punição. Ontem, sofreu mais uma revés, ao tentar "subir" o caso para o STF. É uma questão menor, uma pequena multa (mais um carro vendido, talvez), mas pode ter algum reflexo na defesa de LHS no julgamento do RCED 703.

O recurso do LHS tinha como base o entendimento de que a punição por causa do caderno iria contra o direito constitucional à livre manifestação e liberdade de informação. O ministro Marco Aurélio Mello refutou a argumentação de forma enfática. Para ele, as restrições à veiculação de propaganda eleitoral "não afetam os direitos constitucionais da livre manifestação do pensamento e de liberdade de informação e comunicação".

Onde entra o 703 nessa história? O caderno "40 meses de mudanças" faz parte também daquele processo e a tese rejeitada ontem era uma das que a defesa estudava usar na ação principal. Mas o que não vai faltar é tempo pra pensar. O acórdão da sessão que marcou a volta do julgamento à estaca zero ainda não foi publicado. Com isso, o vice-governador Leonel Pavan (Psdb) não recebeu a notificação de que também faz parte do processo e tudo permanece igualzinho no reino dos rotos e dos esfarrapados.

Enquanto isso, Manoel Mota (Pmdb) e Joares Ponticelli (Pp) se degladiam na tribuna da Assembléia Legislativa.

Achado não é roubado

Me chamem de repetitivo, de sem imaginação, de preguiçoso. Mas eu fui de novo no blog do Cláudio Humberto e roubei outra história sobre o Brizola. Não me contive...

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Era a primeira vez que Leonel Brizola visitava o Congresso após o exílio, quando alguém se aproximou com os braços abertos:

- Que honra encontrá-lo, governador!
- Sinceramente - respondeu Brizola - não sei se o senhor é quem eu estou pensando, por isso não quero dizer um nome que o ofenda...

O homem fingiu não ouvir aquilo e disse que São Paulo está às ordens de Brizola. Era Paulo Maluf, que foi embora cabisbaixo, por não ter sido reconhecido. Brizola se virou para Pedro Simon e Paulo Brossard:

- Barbaridade, quem é esse cara de pau, tchê?

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Ô, seu Fernando Morais. Ô, seu Ruy Castro. Quem vai escrever a biografia dele?

quinta-feira, 13 de março de 2008

Mais uma bugiganga

O repórter u se rendeu a essa espécie de mini-blog chamado Twitter. Ali à direta, logo abaixo da foto os leitores vão poder conferir as atualizações - que deverão ser mais freqüentes que as do blog e devem ser focadas na rotina do trabalho na redação.

O resultado pode ser visto também diretamente lá no Twitter.

terça-feira, 11 de março de 2008

Nome próprio

Fevereiro de 2008. A deputada Ana Paula Lima (Pt) preside a sessão da Assembléia Legislativa e informa que o próximo inscrito para falar na tribuna é o deputado César Souza Júnior. Antes que ele chegue à tribuna, o correligionário Gelson Merísio vai ao microfone de apartes e pede a palavra.

- Senhora presidente, apenas para contribuir, o nosso partido é o Democratas. Nós não usamos a sigla, é Democratas.
- Pois não, senhor deputado Gelson Merísio. PD. Partido dos Democratas. Agora sim, o senhor deputado Cesar Souza Júnior.
- Muito obrigado senhora presidenta! Nosso líder, deputado Gelson Merísio, a sigla que o partido passou a adotar a partir de agora é D25 e não mais DEM. Será D25. É essa a sigla partidária que utilizaremos a partir de agora.

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Renovação, crise de identidade ou jogada de marketing – pouco importa. O fato é que um ano depois de deixar de ser o sisudo e conservador Pfl para se tornar o protetor dos contribuinte e ecologicamente correto Democratas, os ex-pefelistas têm alguns resultados para mostrar. O número de filiações cresceu em Santa Catarina. Menos do que o crescimento registrado pelos companheiros de tríplice aliança, mas o suficiente para sair da estagnação registrada nos últimos anos.

Além disso – ou por causa disso – pela primeira vez desde 1996, o partido parece realmente estar disposto a deixar de lado a tranqüilidade da acomodação em uma coligação pela aventura de disputar como cabeça-de-chapa as eleições dos três maiores municípios do estado. João Paulo Kleinubing deve encarar um páreo duro na campanha pela reeleição contra o ex-prefeito e deputado federal Décio Lima (Pt). Em Florianópolis, César Souza Júnior briga para ser a novidade de uma eleição que já nasce polarizada entre o prefeito Dário Berger e a família Amin. A situação não deve ser mais confortável em Joinville, onde Darci de Matos ainda lidera, mas vai ter que brigar muito para não perder os votos que tem para herdeiro natural deles: o candidato indicado por Luiz Henrique da Silveira (Pmdb), no caso, Mauro Mariani (Pmdb).

No domingo, publicamos em A Notícia uma reportagem com a avaliação dos ex-pefelistas catarinenses sobre o primeiro ano do DEM. Mais de uma liderança apontou a necessidade de perder estigmas. Renovação, crise de identidade ou jogada de marketing – pouco importa. Mas enquanto os ex-pefelistas não acabarem logo com essa história de Dem, D25 e etc, cenas como a do texto inicial vão continuar se repetindo.

Como sempre, basta clicar na imagem para ler a matéria.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Sobre perguntas e respostas

Quando o Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) resolveram comprar a briga pela implantação prática da fidelidade partidária, seus ministros deviam imaginar que o que vinha pela frente. Em uma consulta ao TSE, o Partido Social Liberal (Psl) fez três perguntas singelas:

- Se o mandato pertence ao partido e não à pessoa, o ocupante de cargo executivo reeleito pode concorrer a um terceiro mandato?

- Se o mandato pertence ao partido e não à pessoa, o ocupante de cargo executivo reeleito pode concorrer a um terceiro mandato se trocar de partido?

- Se o mandato pertence ao partido e não a pessoa, o ocupante de cargo executivo reeleito pode concorrer a um terceiro mandato se o partido sofrer fusão?

As respostas do ministro José Delgado foram três óbvios nãos. Mas não dá pra recriminar o nanico Psl por levar ao tribunal as três perspicazes perguntas. "Se o mandato pertence ao partido e não à pessoa...". Deve ser por essas e outras que na sessão de terça o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do TSE, pareceu ter perdido a paciência diante de uma série de formulações enviadas pelo deputado federal Eunício Oliveira (Pmdb-CE):

- Não estão compreendendo muito bem esse papel da Justiça Eleitoral que é o de planejamento das eleições, de atuação como órgão consultivo... - afirmou o ministro.
- Estão abusando das consultas - completou José Delgado.

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No fundo é tudo reflexo da situação apontada na frase de um procurador geral eleitoral de São Paulo, reproduzida ontem no blog do Cesar Valente.

- Aqui no Brasil todo mundo legisla: presidente da República, TSE, CNJ, CNMP e até o STF. Só o Congresso Nacional que não...

quarta-feira, 5 de março de 2008

Pedaço da pauta

Na edição do último domingo de A Notícia, saiu uma matéria minha sobre os 44 projetos apresentados pelos deputados estaduais em fevereiro, primeiro mês depois do recesso parlamentar. O número é significativamente maior do que o do início dos anos anteriores e entre as propostas há temas bem interessantes. O Legislativo é o poder mais fácil para a gente bater - e a gente costuma bater. Mas como é bom tirar um dia para ligar para parlamentares para dizer:

- Deputado, o senhor apresentou um projeto que chamou nossa atenção...

Para a pauta que virou matéria no domingo, listamos todos os 44 projetos e destacamos quatro com textos um pouco mais explicativos. Infelizmente, por um erro de comunicação entre reportagem, edição e arte, um dos textos ficou de fora. Ele detalhava o projeto do deputado Pedro Baldissera (PT) que propõe isentar hospitais públicos e filantrópolicos do pagamento de água e luz. Como na internet espaço e dead-line são conceitos mais abstratos, o texto segue abaixo. Para ler o resto do material, é só clicar nas imagens.

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Luz e água de graça para hospitais públicos e filantrópicos

O projeto do deputado Pedro Baldissera (PT) pretende isentar de pagamento das tarifas de água, esgoto e energia elétrica os hospitais públicos e filantrópicos de Santa Catarina. Além disso, o projeto prevê o perdão de dívidas das instituições com as companhias que gerenciam o fornecimento dos serviços. Para o deputado, o Estado - que é o responsável por esses serviços - tem o dever de garantir as condições necessárias para que os estabelecimentos de saúde possam fornecer melhor qualidade no atendimento. "Considerando que a Casan e a Celesc são empresas do governo do Estado e que essa receita é pequena, nós consideramos ser justa a isenção", afirma Baldissera. O deputado afirma que em conversas com dirigentes de hospitais pelo interior tomou conhecimento das dificuldades enfrentadas por eles. "Muitos dependem de doações e promoções para manter um mínimo de estrutura. Conversei com um diretor de hospital que contou ter um gasto mensal de R$ 10 mil reais com água e luz. Para o Estado é pouco, mas para eles, não." O deputado admite que vai ser dificil conseguir aprovar o projeto em plenário. "Não vai ser fácil, mas acredito no bom-senso e na sensibilidade dos parlamentares.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

LHS explica o caso aos gaúchos

Em entrevista à Rádio Gaúcha, na manhã de ontem, o governador Luiz Henrique apontou falhas no voto do ministro Ari Pargendler, que pediu sua cassação no julgamento do Recurso Contra Expedição de Diploma 703, em 21 de fevereiro. Disse o governador que o voto se baseava em equívocos e apontou um:

- O Diário Catarinense, vocês conhecem. É um jornal estadual como é o Zero Hora. E um dos fatos citados pelo ministro é 'como o jornal Diário Catarinense, que é um jornal de Florianópolis, podia fazer publicidade de uma obra no interior?'. Houve uma série de equívocos.

Ao citar o erro do ministro Pargendler, o governador se enganou também. O jornal citado por Pargendler em seu voto foi A Notícia. O ministro estranhou que um jornal de Joinville trouxesse publicidade de obras em Criciúma. Desconhecia o ministro que o jornal joinvilense tem circulação estadual (inclusive, ainda era à época concorrente direto do Diário Catarinense, pois a publicidade foi anterior à compra pela RBS).

Será que o governador se enganou ou apenas quis deixar o exemplo mais claro para os ouvintes gaúchos? Ouça a entrevista aqui.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Frases que ficam no caderno 2

"Vamos olhar com o cuidado para a Celesc. A gente sabe que onde tem Eduardo Pinho Moreira, tem mau uso do dinheiro público".

Joares Ponticelli, presidente do Pp catarinense e deputado estadual

Frases que ficam no caderno

"O Amin toda vez que perde nas urnas, leva para o campo pessoal. Foi assim com Pedro Ivo, com Paulo Afonso, com Dário Berger, com Luiz Henrique. É um rancor que ultrapassa a racionalidade."

Eduardo Pinho Moreira, presidente do Pmdb e da Celesc

Quebraram a vidraça

A defesa do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (Psdb), cujo mandato foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), protocolou hoje pela manhã pedido no TSE para que o vice-governador daquele estado seja notificado para se defender no processo de cassação do governador

Manual de redação e estilo do blog

A partir de hoje, as siglas de partidos vão ser colocada em caixa baixa aqui no blog.


Os partidos todos andam muito minúsculos...

Especulando

Já tem tucano achando que essa história de defesa separada do Pavan pode levar à cassação apenas do diploma de Luiz Henrique. É, TSE...

Fatura tucana

Depois do julgamento em Brasília, o vice-governador Leonel Pavan voltou a Santa Catarina com ares de salvador do mandato de Luiz Henrique. Não apenas por causa da tese vencedora de que faltou ouvir sua defesa, mas também pela desenvoltura e os contatos feitos em Brasília durante a semana. A própria contratação de Fernando Neves, ex-ministro do TSE, foi resultado das articulações do vice.

Na volta, Pavan tratou de rejeitar o rótulo de salvador. Sexta-feira à noite, Pavan disse que não usaria a questão judicial em Brasília para pressionar Luiz Henrique a dar mais espaço para o Psdb no governo ou influenciar alianças nas eleições municipais. Disse esperar apenas que alguns setores do Pmdb, que ainda não teriam “entendido a aliança de Pmdb e Psdb”, fossem mais receptivas ao diálogo. Se referia principalmente ao adversário doméstico, o deputado estadual Edson Piriqutito (Pmdb), ferrenho adversário de Pavan em Balneário Camboriú e pré-candidato a prefeito.

Admitiu que existem setores do partido acreditam que a participação tucana no governo é menor do que deveria – seguindo o critério da “geografia das urnas”, criado por Luiz Henrique para dividir o poder entre os partidos aliados. O problema é que a divisão matemática (45% para o Pmdb, 23,5% para o Psdb, 21,5% para o Dem e 10% para LHS) não foi tão exata nas bases, onde os peemedebistas tiveram alguma resistência em ceder postos a antigos adversários. Mas Pavan garante que não existe fatura para ser cobrada por conta do julgamento. “Se ele puder aumentar o espaço do Psdb, melhor”, minimiza o vice. O aumento do poder de fogo dos tucanos e de Pavan foi tema de reportagem que assino na edição de domingo do jornal A Notícia. Clique na imagem para ver a página ampliada.

Bala de prata

A tese de que o julgamento de Luiz Henrique no TSE era irregular porque o vice, Leonel Pavan, não havia sido citado foi apontada desde o começo como uma das armas dos advogados governistas na defesa do mandato. E desde o primeiro dia, os advogado da coligação Salve Santa Catarina (leia-se Pp) garantiam que ela não frutificaria entre os ministros. A jurisprudência do Tse na cassação de inúmeros prefeitos indicava que não havia essa necessidade.

Até dois dias antes da sessão de quinta-feira, os governistas não tinham certeza se a melhor opção era apressar ou retardar o julgamento. Foi a contratação do ex-ministro do TSE Fernando Neves para a defesa de Pavan, já na quarta-feira, que mudou o rumo da questão. A partir de então o esforço passou a ser no sentido de forçar um julgamento já no dia seguinte. Na quarta à noite, um governista revelou: “a informação que recebi é de que vai ser amanhã”. Um dia antes o ministro Marcelo Ribeiro afirmou em entrevista à agência RBS que dificilmente teria condições de apresentar o voto na quinta.

Ao que tudo indica, o governo preferiu apostar que a tese da falta de defesa de Pavan poderia anular todo o julgamento antes que algum ministro tivesse tempo de dar o quarto voto pela cassação. Assim, o governador evitaria o desgaste de ser cassado e ter que se manter no cargo por recursos ao STF – como LHS afirmou que faria caso fosse derrotado no TSE. No Supremo, a tese provavelmente anularia a decisão dos ministros. Mas ficaria um cheiro de “tapetão do tapetão”.

Foi-se para o tudo ou nada. O tiro derrubou o processo, mas não o matou. De volta ao começo, a defesa vai ter mais tempo para se preparar e LHS ganha certa calma para conduzir o resto do ano e as eleições municipais. No entanto, quando voltar à pauta, o presidente do tribunal não será mais o providencial Marco Aurélio Mello – e sim, Ayres Britto, que votou contra a volta do processo à estaca zero. As acusações e as provas apresentadas serão as mesmas. Se a defesa não for consistente, o governador pode voltar a ficar com a faca no pescoço. E pior, sem um argumento consistente para derrubar no STF um resultado contrário. Sem outra bala de prata.

Advogado de luxo

Passamos a semana de olho no voto do ministro Marcelo Ribeiro, mas a coelho que momentaneamente salvou o governador Luiz Henrique e o vice Leonel Pavan saiu mesmo da cartola do presidente do TSE, Marco Aurélio Mello. O ministro Ribeiro se preparava para dar o voto do mérito da questão, que poderia ser o quarto, definindo a cassação. Foi quando citou a questão de necessidade ou não de defesa do vice. Indicava que embora achasse necessário, seguiria a jurisprudência do TSE, apontada nos votos de José Delgado, Ari Pargendler e Gerardo Grossi, pela continuidade do processo.

Marco Aurélio insistiu na questão, disse que como a questão era constitucional ele também tinha direito a voto (e não apenas de desempatar) pediu votação em destaque e passou a bola para César Pelluso. Conhecido como o maior especialista em Código Civil naquela turma, Pelluso deu a argumentação que levou à mudança de jurisprudência. Chegou a lembra que em 2005 derrubara no STF um caso semelhante, em que o vice não foi ouvido. Curiosamente, Marco Aurélio tinha em mãos o processo citado por Pelluso. Com os dados apresentados, Ribeiro afirmou que se era para discutir a jurisprudência, ele acompanharia o novo entendimento. Mas ainda faltava um quarto voto para fazer vencer a tese.

O relator José Delgado manteve o parecer original, enquanto Ayres Brito preferiu manter o entendimento de que o vice é eleito por arrastamento, logo pode ser condenado por arrastamento. Pargendler estava ausente, logo não poderia mudar o voto de uma semana antes, pela não necessidade de defesa do vice. Sobrou para Gerardo Grossi, que também já se manifestara nesse sentido uma semana antes.

Ciente do poder que tinha nas mãos, Grossi pediu para ser o último a votar. Queria ouvir os argumentos de Pelluso e de Ayres Brito, que se digladiaram. Pelusso foi mais incisivo, a ponto de Ayres Brito dizer que sua tese era “apaixonante”. Ao final, Grossi, em seu último voto antes de se aposentar do TSE, mudou de posição relação à semana anterior – apenas na questão referente à necessidade de defesa do vice, não no mérito. Marco Aurélio chegou a perguntar se ele reveria também o mérito, mas Grossi afirmou que não.

A defesa de Luiz Henrique e Pavan contava com dois ex-ministros do TSE, José Eduardo Alckmin e Fernando Neves. E com um ministro que exerce o cargo...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Pé frio

Ex-ministro do TSE e advogado do governador Luiz Henrique da Silveira na tentativa de impedir a cassação, José Eduardo Alckmin não tem tido muita sorte nesse tipo de questão. Em 2001, defendeu o ex-governador do Piauí e hoje senador Mão Santa (PMDB) em um processo muito semelhante ao de LHS. O então governador acabou cassado. Como o julgamento se deu um ano antes do final do mandato, Mão Santa preferiu se poupar de aborrecimentos e não tentou recorrer. Foi eleito para o Senado no ano seguinte.

Em 2005, José Eduardo Alckmin estava do outro lado da trincheira. Defendia o petista Geraldo Magela, derrotado pelo então governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PMDB) por uma margem mínima de votos. Daquela vez, cabia a Alckmin provar o abuso da máquina e de poder econômico por parte do governador que se reelegeu - sem sucesso. Magela viu Roriz governar o DF até renunciar para concorrer e se eleger senador. Novamente com processos por crime eleitoral ao final da campanha.

Muro petista

A sessão de ontem da Assembléia Legislativa foi a primeira oportunidade que governistas e oposicionistas tiveram de duelar após a sessão do TSE que deixou o mandato de LHS por um fio. Do esperado confronto, a única surpresa foi a posição do PT. O partido preferiu não se posicionar sobre o mérito da ação e apenas pediu que ela sirva para determinar os limites da publicidade institucional e que havia uma determinação da bancada para não polemizar. Mais muro, impossível.

E não adiantou o atual companheiro de trincheira PP chamar os petistas para a brincadeira. Ponticelli falou sozinho e não esqueceu de lembrar que em 2004 foi o PMDB quem recorreu a justiça para cassar o então prefeito reeleito e hoje deputado estadual Décio Góes (PT). Não adiantou. Serviu apenas para os peemedebistas lembraram que aquela ação foi iniciada justamente pelo PP do município.

Se no plenário os petistas se controlam, nos gabinetes a história é outra. A postura de cautela é uma forma justamente de não parecerem revanchistas por conta do episódio de Criciúma, mas a situação precária de Luiz Henrique é motivo de sorriso de orelha a orelha. Além disso, é evitado o desgaste de serem tachados de vitoriosos do tapetão.

Com um pouco de imaginação, dá para imaginar o líder da bancada, deputado Pedro Baldissera, assistindo do gabinete à troca de ataques entre o pepista Joares Ponticelli e o peemedebista Herneus de Nadal. Com aquele jeito calmo e sua fala pausada, sacerdotal, Baldissera poderia até estar comentando com os correligionários:

- Tranqüilo... beleza. Deixa eles se enrolarem com a própria corda...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Tribunal Superior Eleitoral apresenta: sessão de quarta-feira

Hoje os ministros do TSE se reúnem para mais uma sessão e a expectativa dos catarinenses se volta para a presença em pauta do Recurso Contra Expedição de Diploma 703 – que pede a “desdiplomação” do governador Luiz Henrique e de seu vice, Leonel Pavan. É pouco provável que o ministro Marcelo Ribeiro tenha elaborado seu parecer menos de uma semana após o pedido de vista, considerando que o processo tem mais de mil páginas e que a cassação de um governador de Estado deve exigir mais cautela que o normal. O ministro Ari Pargendler levou seis meses com seu pedido de vista – o que suscitou até boatos de que ele estaria levando um mensalão para segurar o processo enquanto os peemedebistas tentavam reverter votos. O incisivo voto de Pargendler pela cassação de LHS pôs fim a esse tipo de acusação.

Não é novidade dizer que o futuro político do Estado está nas mãos de Marcelo Ribeiro, ministro substituto do TSE que só herdou esse abacaxi porque minutos antes do julgamento o ministro titular, Caputo Bastos, deixou o tribunal. Na edição de domingo, destacamos a figura de Ribeiro com uma reportagem especial. A idéia era mostrar quem era o homem que pode decidir o destino de LHS e Pavan. Após alguns contatos em Brasília, sondagens e muita pesquisa no Google, Ribeiro deixou de ser uma total incógnita. Para ver o resultado, basta clicar na imagem da página.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

A Batalha dos Aflitos

O goleiro olha pro jogador que vai bater o pênalti, para a bola na marca a nove metros e quinze de distância, pro barulho irritante da torcida adversária, pro silêncio estupefato dos seus - dentro e fora de campo. Olha tudo isso e certamente pensa que não foi para acabar assim que foi engendrada a maior aliança política da história de Santa Catarina. Que se dividiu com precisão cirúrgica os espaços que cada liderança aparentemente inconciliável ocuparia naquele palanque, naquele governo. Mas é o que acontece. Um ano e dois meses depois de reassumir o cargo ganho nas urnas, o governador Luiz Henrique vê toda a estratégia que possibilitou a vitória sobre o tradicional adversário, Esperidião Amin, na marca do pênalti.

Os exageros na campanha de 2006 geraram as acusações de uso da máquina administrativa, abuso de poder econômico e dos meios de comunicação, que resultaram no Recurso Contra Expedição de Diploma 703, em julgamento no TSE. Acusação igual foi julgada no TRE antes de LHS tomar posse. Na época, por 4 votos a 2, os juizes do tribunal local reconheceram os abusos, mas prevaleceu a tese de que eles não seriam os responsáveis pela vitória de LHS sobre Amin, por mais de 180 mil votos.

A tese não encontrou guarida entre os três ministros do TSE que votaram até agora. José Delgado, Ari Pargendler e Gerardo Grossi foram enfáticos na constatação do abuso do poder e não reservaram uma linha sequer para questionar a potencialidade que as possíveis irregularidades teriam para dar a LHS a reeleição.

Crime e castigo, apenas.

Agora, LHS não pode ter sequer mais um voto contrário. Não importa que haja espaço para recursos e protelações. Se receber o quarto voto e tiver determinada a cassação pela principal instância eleitoral do país, o governo passa a ficar sub judice - e o governador ganha um estigma. Como tem Paulo Afonso Vieira, com o escândalo dos precatórios, e Amin, com as acusações de que teria quebrado o Besc. Com a liderança de LHS enfraquecida, a tríplice aliança não deve chegar nem até às eleições municipais, em outubro.

No banco de reservas, se aquecem Michel Temer, Nelson Jobim, Jorge Bornhausen e quem mais puder entrar no jogo. As pressões no campo político e jurídico se intensificam. Quando foi dado o primeiro voto pela cassação, em agosto, Luiz Henrique escalou o advogado José Eduardo Alckmin - ex-ministro do próprio TSE. Ele continua, agora com reforços. Até o secretário de Coordenação e Articulação Ivo Carminati e o de Administração Antônio Gavazzoni deixam de lado as questões de governo e se juntam à força-tarefa que vai tentar preservar o mandato do governador.

É a hora da retranca. E de pedir conselhos a Joaquim Roriz.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Comentários que são posts

O jornalista Mário Coelho Jr. passou por aqui e lembrou mais uma história envolvendo Amin e Brizola, como a do post abaixo. Essa ele nunca tinha me contado e deve fazer parte do repertório que ele colecionou trabalhando na campanha de Amin à reeleição, em 2002. Segue abaixo:

"Tempos depois, o Brizola chamou o Amin de 'biruta de aeroporto', que vira para onde o vento passa. Lembro depois, em 2002, do Brizola voltando a SC para uma reunião que acabou em apoio a Amin. Pedro Schmitt pergunta para o velho caudilho o que tinha mudado da época da biruta para aquele dia. Brizola riu e respondeu dizendo que ele e Amin eram grandes amigos, e que a comparação era brincadeira de amigo. O caudilho realmente faz falta."

Na campanha de 2006, Amin volta a meia citava alguma história envolvendo o líder pedetista. Uma ou outra até veio parar aqui no blog. Em seu site de campanha, Amin citava como arrependimento o fato de não ter apoiado Brizola nas eleições presidenciais de 1989. Na época, o catarinense apoiou o correligionário Paulo Maluf no primeiro turno e Fernando Collor no segundo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Fábulas e alianças exóticas

O jornalista Cláudio Humberto, ex-assessor de imprensa do ex-presidente Fernando Collor, tem um site de notas políticas que vale dar uma conferida por causa de antigas histórias que ele relembra. Há dois dias, ele narrou um episódio envolvendo a curiosa aliança que juntou Esperidião Amin e Leonel Brizola em 1986. Em comum, ambos sofriam com o êxito do plano cruzado – que acabou elegendo governadores peemedebistas em todos os estados brasileiros nas eleições daquele ano.

Para tentar conter esse avanço é que os tradicionais opositores acabaram trocando figurinhas, sem sucesso. No Rio de Janeiro, o então governador Brizola não conseguiu emplacar o vice, Darcy Ribeiro, que perdeu para Moreira Franco. Em Santa Catarina, a “Aliança Social-Trabalhista” (o Social vinha do S do PDS de Amin e o Trabalhista do T do PDT de Brizola) foi ensaiada um ano antes, na disputa pela prefeitura da Capital. O candidato era Chico Assis, que sofreu sua primeira derrota em disputas pelo comando de Florianópolis, para Edison Andrino. Em 86, o PMDB levou também o governo estadual, com Pedro Ivo Campos.

As conversas entre Amin e Brizola – exímios frasistas e contadores de histórias – devem ter rendido boas notas nas colunas políticas da época. No resgate de Cláudio Humberto, Amin conta uma fábula árabe para Brizola.

- O urubu queria se vingar da cobra e contou à raposa: “Quando a cobra sair do buraco, dou uma bicada em cada olho e ela acaba morrendo”. A raposa ponderou que havia risco e sugeriu: “Vá à cidade, roube uma jóia da moça mais bonita e uma multidão vai atrás de você. Voe para o buraco da cobra, atire a jóia lá dentro e a turba vai matá-la para você”.

Brizola não entendeu a analogia e Amin explicou. Naquele momento, o Urubu era o PMDB e o governador fluminense, a cobra.

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Leia a nota publicada no site do Cláudio Humberto clicando aqui (é a última nota).

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Faturando

O senador Álvaro Dias (PSDB) deixou escapar em entrevista ao site Congresso em Foco que a crise dos cartões corporativos tem mais potencial para abalar a imagem do presidente Lula do que o episódio do mensalão. Não por ser mais grave, mas porque o povo entenderia mais fácil essa história gente do governo e parentes pagando suas contas com um cartão de crédito forrado de dinheiro público. Faz sentido.

No meio dessa briga entre cartões ilimitados e oposição querendo barulho em fevereiro, talvez seja hora da imprensa ter um pouco de cuidado. O Portal da Transparência torna muito fácil pegar o nome de alguém e questionar gasto por gasto. Passei a quinta-feira fazendo exatamente isso. Das centenas de cartões corporativos do governo, pelo menos 11 estavam aqui em Joinville. Fui atrás deles.

Fiquei intrigado com os gastos em hotéis e pousadas feitos por funcionários da Receita Federal. Por que um funcionário de um órgão de Joinville gasta com hospedagem em... Joinville? Lá foi o Upiara atrás.

Muitas notas fiscais depois, saí satisfeito. Sem furo, falcatrua, candidatura a prêmio esso, mas satisfeito. Na primeira nota, os gastos de um encontro de delegados da receita de Paraná e Santa Catarina. Na segunda, o pagamento da pousada que hospedou integrantes da PF e da própria Receita durante as investigações da Operação Ouro Verde.

Voltando à redação, outra missão. Descobrir porque um funcionário do INSS gastou 20 reais numa loja joinvilense chamada Canto da Agulha. A assessora de imprensa do órgão, lá em Brasília, depois de passar o dia respondendo questões semelhantes do país todo, não escondia a irritação.

- Ele comprou uma fita. Uma fita verde-amarela! Pra cerimônia de inauguração de uma agência da Previdência Social aí em... onde você mora mesmo? Joinville.

Grandes besteiras. Mas no jornal do dia seguinte tá tudo na página, com o devido “contraponto”. E nos próximos meses os servidores citados vão agüentar muita piadinha dos vizinhos pedindo dinheiro emprestado...

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Tô com medo da próxima eleição. A gente sabe no que deu o “varre, vassourinha” e a caça aos “marajás”. E agora fica fuçando fatura, igualzinho mulher desconfiada. Como se adiantasse. Numa fatura, qualquer puteiro vira uma ilibada cantina...

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Nada disso que escrevi vale pros gastos dos seguranças da Lurian no Camelão, usando cartão corporativo.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Pavan prende Pinho Moreira na Celesc

O ex-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB), que atualmente acumula as presidências da Celesc e do PMDB catarinense, estava pronto para deixar a estatal. A idéia era ter mais tempo para se engajar nas eleições municipais e pavimentar sua candidatura ao governo do Estado em 2010. Estava. Foi surpreendido pelas declarações do vice-governador Leonel Pavan (PSDB) - também pré-candidato ao governo em 2010 - de que a Celesc está dando prejuízo nas mãos do peemedebista e que por isso ele sairia. Com as declarações, Pinho passou a reiterar que fica na Celesc. "Sigo firmemente, dando bons resultados à empresa", afirmou ontem o ex-governador. O medo de Pinho Moreira é sair agora e dar a impressão de que o futuro adversário tem razão.
 
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